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Como ter mais disciplina

Por Patanga Cordeiro

Normalmente sentimos necessidade de mais disciplina ao realizar nossas ações, nossa meditação, nosso dia. Por vezes, ficamos só na imaginação, esperando que um dia ela irá crescer. Por outras, usamos a própria mente para forçar um aumento na disciplina, que por sua vez pode trazer outros desequilíbrios na nossa vida. Sri Chinmoy, um Mestre espiritual, no entanto, tem a solução profunda para o nosso dilema, de forma clara, concisa e natural.

 

Pergunta: Como podemos disciplinar a mente?

Sri Chinmoy: Tente sentir que você não tem mente, mas sim alma. Se não conseguir sentir a presença da sua alma, ainda assim poderá facilmente sentir a presença do seu coração. Deixe que a Luz do seu coração percorra o seu ser por completo. Quando isso acontecer, saiba que transcendeu a mente intelectual, racional, e entrou na mente iluminada.

Quando a Luz cresce no coração ou sai da alma e permeia o corpo todo, a mente é disciplinada automaticamente. É impossível disciplinar a mente só na base da imaginação ou pela força. Seria como endireitar permanentemente o rabo curvo de um cão. Se puder viver na alma, ou mesmo no coração, a Luz da existência interior transforma a mente física numa região mais elevada ou traz a Paz tudo-preenchedora das alturas à mente física rudimentar. Quando a Paz vem à mente, ou a mente se eleva ao domínio superior da Luz, a mente que conhecemos desaparece automaticamente.

A cura para depressão – sintomas, causas, tipos

Textos traduzidos de Sri Chinmoy

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O Amor de Deus: a cura para a depressão

Quando somos atacados por preocupações e ansiedades, temos de sentir que há um antídoto. Quando uma serpente nos morde, tentamos buscar uma cura. Se as preocupações do mundo-pensamento querem entrar em nós e nos atacar, temos de obter o antídoto. O antídoto é sentir interiormente o Amor de Deus por nós.

Amamos Deus, mas não temos certeza se Deus nos ama. Oramos para Deus dizendo: “Ó Deus, conceda-nos isso, satisfaça esse desejo.” Mas o fato de Deus nos amar ou não continua vago. Na verdade, temos de começar com o sentimento de que Ele nos ama infinitamente mais do que amamos nós mesmos. Como é possível para Deus nos amar mais do que nós nos amamos? A resposta é que Deus não duvida de nós como nós duvidamos. Numa certa hora, sentimos que somos muito fortes, como um grande imperador; no momento seguinte, deparamo-nos com uma formiga peçonhenta e morremos de medo. A ansiedade aparece quando há uma separação entre a nossa existência e a existência de Deus. Ela também surge quando não consideramos Deus como parte de nós ou não dizemos “eu sou de Deus, eu sou por Deus.” As preocupações e ansiedades irão embora apenas quando nos identificarmos com algo que tenha paz, serenidade, divindade e o sentimento de unicidade absoluta. Ao nos identificarmos com o Piloto Interior, obtemos a força da sua Luz iluminadora. As preocupações surgem porque nos identificamos com o medo. Se nos identificamos com algo divino, eterno e imortal, naturalmente a essência e qualidades latentes de algo passarão a fazer parte de nós. Preocupando-se todo o tempo ou pensando pensamentos não divinos, nunca seguiremos adiante em direção à nossa meta. Entraremos na divindade apenas ao ter pensamentos positivos: “Eu sou de Deus; eu sou por Deus.” Pensando isso, não haverá preocupações nem ansiedade.

 

Dois tipos de depressão: psíquica e emocional

Há tanto a depressão psíquica quanto a depressão vital. Na depressão psíquica, o indivíduo sente que há tantas coisas que Deus quer que ele faça e que o Próprio Deus tenta manifestar em e através da pessoa, mas a ignorância-mundo não permite que a pessoa manifeste Deus. Você está com seus amigos, e o seu chefe é o Supremo. Esse chefe pediu a você que fizesse algo, e você está tentando, e Ele está tentando em e através de você. Mas há pessoas a seu redor que resistem aos seus esforços. Eles consideram que Deus é o Pai, e Ele as considera Seus filhos, mas esses filhos não são receptivos à Luz de Deus. A depressão psíquica ocorre quando você sabe o que é melhor e, ao mesmo tempo, está incapaz de fazê-lo. Alguns dos seus irmãos e irmãs ao seu redor sabem o que é melhor para eles, mas não querem fazê-lo; não querem mexer um músculo por aquilo. Outros não sabem o que é melhor para si mesmos. Você, no entanto, sabe o que é melhor para si e para eles também, e gostaria de fazê-lo; mas está impedido.

Você sabe o que a verdade é e quer manifestar a verdade. Mas encontra-se incapaz porque as pessoas a seu redor e diante de você não cooperam. O Supremo, o seu Piloto Interior, pressiona-o, e você pressiona si mesmo, mas não adianta. Quando a paz e luz interiores têm dificuldade em vir à tona da maneira que o Supremo deseja, na Hora escolhida por Deus, é que surge a depressão psíquica. Mas a depressão vital (N.d.T: emocional) é algo diferente. A depressão vital vem das exigências insatisfeitas do orgulho, ego e vaidade. Nessa depressão, você gostaria de ter feito algo ou satisfeito algum desejo, mas não conseguiu. Você fica frustrado. A depressão vital surge imediatamente. A depressão psíquica existe num nível infinitamente mais elevado, onde a sua intenção e a intenção de Deus são uma só. Na depressão vital, a sua intenção é o seu desejo, mais isso não tem nada a ver com a Vontade de Deus. Tudo o que há é você e o seu desejo insatisfeito. Deus não participa. Na depressão psíquica, você visionou a Visão de Deus; Deus colocou a Sua Visão diante de você, mas você está incapaz de transformá-La em realidade. Não é por reconhecimento pessoal ou ego que você gostaria de conseguir agir. Nada disso. Você e Deus possuem a mesma aspiração, a mesma visão, a mesma meta, mas ela não está manifestada ainda. A depressão psíquica é o resultado de uma Visão insatisfeita do Supremo em e através de você. É a divindade de Deus que deseja manifestar-se em e através de você, mas ela está sendo atrasada, pois as forças do mundo, as forças-ignorância, estão opondo-se a você. Você e Deus tornaram-se um: uma aspiração, uma alma, um objetivo. Mas a Visão de Deus não é satisfeita. Por isso você sente depressão psíquica.

A cura para a depressão psíquica é render-se abertamente à Vontade de Deus. Aspire devotadamente e constantemente e, então, entregue-se à Vontade de Deus. Você poderá clamar e clamar com devoção, mas, depois da depressão psíquica começar, às vezes você pode querer descansar. Você sente que é um caso sem esperanças e, por isso, o melhor é desistir, render-se – não a Deus, mas à ignorância-mundo. Aconteceu muitas vezes de o indivíduo saber que Deus e ele são um, mas, quando percebe que o Supremo nele tem sempre ficado insatisfeito, ele desiste. Muitos Mestres espirituais e muitos buscadores desistem. Eles tentam junto com Deus, mas, quando sentem que é um caso sem esperanças, eles desistem. Contudo, isso não é bom. É preciso nunca desistir. Deve-se lutar até o fim. Cedo ou tarde, a Vontade de Deus será manifestada em e através de você.

Sri Chinmoy, Four intimate friends: insincerity, impurity, doubt and self-indulgence, Agni Press, 1977

 

Não se deixe perturbar

Pergunta: Quando algo no mundo me perturba, perco toda a minha sinceridade e fico deprimido.

Sri Chinmoy: Saiba que há uma grande diferença entre sinceridade e estupidez. Se alguém contou uma mentira, você deve tentar iluminar essa pessoa. Se um erro foi cometido por alguém, você deve tentar retificar esse erro interiormente ou exteriormente com o oferecimento da sua boa vontade. No seu caso pessoal, a tolice é o que aparece. Quando faz algo errado, você sente que, ao aumentar a sua culpa, você resolverá o problema. Mas essa não é a abordagem correta. Pense sempre na meta, que é perfeição. Você deve trazer a perfeição para a situação.

Se algo errado foi feito, seja por você ou outra pessoa, sinta que tem de oferecer o resultado imediatamente ao Supremo. Você precisa dizer: “Eu estava incapaz (ou: aquela pessoa estava incapaz.). Fomos atacados por forças negativas. Sabemos que fomos atacados e queremos oferecer o nosso erro a Você.” Mas também deve ser consciente e sábio. Uma vez que perceber que está fazendo algo errado, deve parar de fazer essa coisa.

A depressão não é a resposta. Quando você participa de uma prova de corrida e é desqualificado, o que você faz? Você espera por um novo dia e tenta novamente alcançar a meta. Se parar de competir nas provas apenas porque teve uma experiência ruim, nunca alcançará a meta. Uma experiência infeliz não deve ser a experiência final. Considere-a uma nuvem passageira. Você certamente sairá dessa nuvem-ignorância.

Sri Chinmoy, Four intimate friends: insincerity, impurity, doubt and self-indulgence, Agni Press, 1977

 

Causas da depressão

Pergunta: O que causa a depressão?

Sri Chinmoy: A depressão surge quando não queremos viver na verdade, quando consciente ou inconscientemente queremos viver no prazer-ignorância. Esse prazer certamente será acompanhado pela depressão. A depressão é causada pela nossa aceitação da ignorância. Quando aceitamos a ignorância como parte de nós, ficamos deprimidos. Não conseguimos ir além dela. Estamos presos; presos no pequeno eu da ignorância.

Queremos sucesso constante, progresso constante, conquistas constantes e satisfação constante, mas no nosso dia a dia não temos essas coisas. Cada momento é uma oportunidade para nos tornarmos mais um pouco a Luz, Paz, Deleite e Poder de Deus. Contudo, se utilizarmos erroneamente o nosso tempo, imediatamente as forças negativas entrarão em nós. Essa forças negativas são a dúvida, o medo, a ansiedade, a preocupação e a depressão. Quando estamos deprimidos, não podemos esperar mais da Graça e do Amor de Deus; nem podemos esperar simpatia contínua da humanidade. Se estamos deprimidos, um amigo pode vir e nos consolar ou simpatizar conosco; mas o seu consolo não ceifará a raiz da nossa depressão. A única cura para a depressão é a luz.

Temos de saber o que realmente queremos. Se queremos apenas luz, então temos de saber onde a luz está. A luz está na nossa paz de espírito, na tranquilidade do nosso coração. Quando desvelarmos a nossa paz interior, veremos que ela é toda satisfação e conquistas: conquistas e satisfação infinitas no processo de se tornar infinita Realização. Se não desvelarmos a nossa paz interior, estaremos fadados a ser príncipes da escuridão.

Temos de sentir que não somos ignorância, que não representamos ignorância, que não estamos na ignorância e que não somos para a ignorância. Nada disso. Estamos na luz e queremos nos tornar a mais profunda, mais iluminadora luz. Com esse sentimento não haverá depressão. A luz que é o resultado da nossa aspiração imediatamente fará em cinzas a nossa depressão, ou então transformará a nossa depressão numa aspiração constante. Se pudermos nos identificar com a alegria interior espontânea da alma, sempre teremos alegria interior e exterior. Tentemos permanecer na alegria espontânea da alma.

Sri Chinmoy, Four intimate friends: insincerity, impurity, doubt and self-indulgence, Agni Press, 1977

Pergunta: Por que a mente não quer vencer os desejos?

Sri Chinmoy: Porque a mente física está absorvida na consciência física. Está constantemente duvidando de si e dos outros e criando confusão e incerteza por si mesma. A menos e até que ela receba a luz do coração, permanecerá na escuridão da prisão e limitação humana. Infelizmente, essa é a natureza da mente humana.

 

Pergunta: Na psicologia, há um sintoma chamado de maníaco-depressivo, onde a pessoa está primeiro alegre e animada, e depois se torna depressiva. Eu reparei nisso nos discípulos algumas vezes, pois parece ser uma parte da psiquê humana. O que podemos fazer para quebrar esse ciclo?

Sri Chinmoy: O problema com todos os seres humanos é que não estão satisfeitos com uma coisa por mais de cinco minutos. Quando temos algo por cinco minutos, sentimos que somos muito ricos. Em seguida, aquela coisa não nos satisfaz mais, e corremos atrás de algo novo. Sentimos sempre que a grama do vizinho é mais verde. Então vamos até lá e vemos que não é nada verde. Ou podemos ir e ver que o outro lado é realmente verde. Apreciamos esse verde por cinco minutos, mas depois pensamos “Nada disso! Eu estava errado – o outro lado era igualmente verde.” Então voltamos para o lado inicial e não encontramos nada demais. Assim sendo, três ou quatro vezes ao dia estaremos felizes, e três ou quatro vezes estaremos tristes. Ou então estaremos muito felizes num dia e no dia seguinte estaremos deprimidos. Para cima e para baixo, para cima e para baixo! Mas por que deveria haver um “para baixo”? Se estivermos caminhando pela estrada correta e formos andarilhos sinceros, deveremos apenas continuar em frente.

Quando estamos felizes, sentimos que estamos vivendo dentro do nosso coração, dentro da nossa alma. Mas não ficamos satisfeitos lá por mais de cinco minutos. Queremos ir até o vital, até a mente ou até o físico, pois obtemos muita alegria na mudança constante. Assim, consciente ou inconscientemente retornamos ao físico, ao vital e à mente. A mudança é boa quando é uma mudança do bom para o melhor, e do melhor para o melhor de tudo. Se estamos obtendo um pouco de alegria do coração ou da alma, tentamos aumentá-la e intensificá-la. Quando chegar o dia em que estivermos na mais altíssima condição mental, quando estivermos na consciência da alma, não haverá fim para a nossa alegria.

Sabemos o que temos na cozinha e na sala de meditação. Na sala de meditação há incenso, velas e flores. Sentimos muita alegria por causa da nossa inspiração, da nossa sinceridade na vida espiritual. Sabendo o que a sala de meditação pode oferecer, por que deveremos ir até a cozinha e nos depararmos com toda a confusão que há? É porque sentimos que lá também existe alegria. Mas eu gostaria de dizer que a cozinha é o lugar errado para encontrarmos alegria.

Devemos ser como fazendeiros indianos. Um fazendeiro indiano não espera a chuva ou o sol. Ele sente que o seu trabalho é arar o campo. Todos os dias ele vai para o campo e faz a sua tarefa. No nosso caso é igual. Não devemos antecipar altos e baixos. Depois de ficarmos durante um dia numa condição de alegria, no dia seguinte segue uma onda de depressão. Contudo, se vivermos na Luz, se vivermos na Paz divina, isso não acontecerá. Tais coisas acontecem apenas porque ainda não dominamos completamente o nosso vital (N.d.T: emocional) e mente.

 

Indo além dos pensamentos negativos

Pergunta: Eu gostaria de saber como superar pensamentos negativos, tanto durante a meditação como durante as minhas atividades diárias.

Sri Chinmoy: A verdadeira natureza dos pensamentos negativos é roubar, consciente e deliberadamente, a riqueza que nós temos: nossa Alegria, Luz e Amor divinos. Esses são nossos tesouros, porém, a dúvida, o medo e a negatividade são verdadeiros ladrões. Algumas vezes, um ladrão entra no nosso apartamento e rouba coisas, mas somente porque nós negligenciamos e permitimos que isso aconteça. Nós podemos ser vigilantes por dez minutos por dia, durante a nossa meditação, mas, no resto do dia somos totalmente descuidados. Quando entramos nas nossas atividades diárias, não lembramos de ficar atentos aos nossos pensamentos. Nesse momento, não seremos diferentes de todas as pessoas comuns ao nosso redor, que nunca meditaram.

Você pode deixar as dúvidas e os pensamentos negativos de lado, se puder constantemente lembrar da sua meditação. Após meditar, você deve tentar lembrar desses poucos minutos com a maior alegria, afeição e apreço. Deve acalentá-los como objetos de adoração. Durante todas as suas atividades comuns, tente lembrar da sua meditação devotadamente e não esqueça da necessidade de reter uma consciência espiritual ou pensamentos espirituais. Não permita que a sua mente afunde num baixo nível. Se puder manter pensamentos puros e divinos quando não estiver meditando, você terá uma força adicional quando meditar.

Qualquer momento em que a dúvida e os pensamentos negativos vierem, você tem que pará-los imediatamente com os seus pensamentos divinos. Dessa maneira, será capaz de vencer os seus pensamentos negativos. Se seus pensamentos forem puros durante todo o dia, quando meditar, a sua mente já estará pura. Mas se permitir que os seus pensamentos vagueiem no mundo da ignorância e da impureza por quatorze ou dezesseis horas por dia, como pode esperar que seus pensamentos sejam puros na hora da meditação?

 

Como purificar a mente

Pergunta: Como eu posso purificar a minha mente?

Sri Chinmoy: Todos os dias, tente pensar na sua mente como um receptáculo vazio. Quando lida com a mente, se ela estiver vazia, isso significa que você já fez um progresso considerável. Você jogou fora a ignorância, a preocupação, a imperfeição, a limitação e todas as coisas não divinas. Então, o que você fará? Vai preencher este receptáculo vazio com alegria, amor, pureza e todas as qualidades divinas.

Você quer purificar a sua mente. Vai encontrar pureza abundante dentro do coração e da alma. É muito difícil para as pessoas sentirem a alma, mas não é difícil sentir a presença do coração. Quando puder sentir essa presença, mais uma vez você fez progresso. Logo, todo dia medite no coração e tente sentir que ele é composto de nada além do que a pureza. Uma vez que se sinta absolutamente certo de que o seu coração é feito de pureza, todos os dias pegue um pouquinho dela e derrame no receptáculo vazio que é a sua mente.

Outra coisa que pode fazer, é pensar na mente como uma cesta vazia. Tente sentir dentro do seu coração, uma árvore de pureza desabrochando. Todo dia, colha uma flor-pureza da árvore-coração e coloque-a dentro da cesta-mente.

Gradualmente, a cesta encherá até a borda e a mente será preenchida com o aroma de inumeráveis flores-pureza.

Pergunta: Como podemos manter a mente pura quando não estivermos nos concentrando ou meditando?

Sri Chinmoy: A melhor coisa que pode fazer é aprender algumas canções espirituais e cantá-las para si mesmo em silêncio enquanto estiver trabalhando ou dirigindo ou fazendo qualquer coisa que não exija concentração mental. Enquanto estiver cantando em silêncio, a sua mente estará sendo purificada porque a sua alma virá à tona. Quando você cantar, tente sentir que o Supremo está ouvindo. De outra forma, o canto será um mero hábito mecânico. Então, sinta que há um ouvinte – não um ouvinte humano, mas o Próprio Supremo – ouvindo dentro do seu coração. Quando sentir que tem um ouvinte divino, obterá mais inspiração; será sobrecarregado com inspiração ilimitada e alegria interior sem fim. Quando sentir a presença do Supremo no seu coração, Ele o abençoará com a maior alegria e orgulho. Ele fará tudo para transformar, purificar, iluminar e liberar a sua mente.

 

Porque existe a depressão?

A depressão aparece por dois motivos. O primeiro motivo é o vital. Quando você tem uma boa meditação, o vital comum – o vital que quer nome, fama, conquistas exteriores – sente que não será mais alimentado, que irá morrer. A calma que a meditação traz é como um veneno para o vital inquieto. Então a paciência é de importância fundamental, pois a paciência faz com que o vital sinta que a sua existência não está sendo ameaçada.

Há outro motivo para o surgimento da depressão. O coração traz a partir da alma a mensagem de que você irá muito longe, que você alcançará a sua meta final nesta vida ou na próxima. O ser por completo se torna um com a luz que o coração está trazendo da alma. Olhando adiante, você percebe que tudo está ensolarado. Mas, ao olhar para o seu estado atual, você percebe que trata-se de um tempo nublado, chuvoso. Então aparece a depressão. Você sente um enorme abismo entre a sua situação atual e o objetivo, que está bastante longe. As suas possibilidades enquadram a verdade altíssima, a realização mais elevada. Mas a sua realidade atual é completamente diferente! Possibilidades e realidade parecem tão divergentes que naturalmente a depressão ocorre.

Superando a depressão

Veja também:

A melhor forma de superar a depressão é meditar todos os dias de manhã cedo, mas sem esperar coisa alguma da sua meditação. Você precisa apenas dar a sua atenção consciente à sua meditação. Considere a meditação uma criança. Você oferece o seu cuidado, o seu amor e afeição a ela, mas não espera nada em troca. De maneira similar, ofereça à sua meditação o seu amor e cuidado. Não espere nada. Apenas dê o que você tem. Se puder dar sem esperar, chegará o dia em que a sua meditação lhe trará todas as qualidades divinas.

Sri Chinmoy, Four intimate friends: insincerity, impurity, doubt and self-indulgence, Agni Press, 1977

Uma vez que comecemos a ter experiências interiores verdadeiras, não haverá necessidade de resolver nenhum problema com a psicologia ou a filosofia. Psicologia, filosofia e outras maneiras mentais de explicar as coisas, são simplesmente falíveis e inúteis. Quando temos nossas próprias experiências interiores, podemos ver a verdade, com a luz da espiritualidade, que é o Alento de Deus. Antes disso, se vivemos no mundo humano, nós temos que usar a mente, temos que usar a psicologia ou nunca conseguiremos nem mesmo uma satisfação parcial. Para alívio temporário, podemos nos abrigar na mente. Mas para soluções permanentes, temos que obter a iluminação espiritual.

Pergunta: Como iluminar a depressão?

Sri Chinmoy: Trazendo à tona a Luz de dentro de você. Quando medita na Luz, a Luz vem, seja de cima ou de dentro do coração e, com isso, vem a Alegria e a Paz divinas.

Pergunta: Qual é a participação da mente em transcender os desejos e paixões?

Sri Chinmoy: Para ser totalmente franco, a mente nunca quer vencer ou transcender os desejos. A mente já é um depósito de todos os tipos de desejos e sua porta está sempre escancarada para desejos novos. Se você quer vencer os desejos, deve usar a sua aspiração e entrar na sua alma. Se sente que a sua mente vai ter aspiração, está enganado. Concentre-se no seu coração e a partir dele, tente entrar na alma. Primeiro tente se identificar com o seu coração e ele o levará para a sua alma. Então, a luz abundante e efulgente que reside na alma, irá espontaneamente fluir dela para o coração e dele para a mente.

Quando a mente estiver iluminada por esta luz, irá perder todo o interesse nos desejos terrenos. Somente trazendo a luz da alma para a mente através do coração, você será capaz de livrá-la dos desejos.

Você precisa ir além da mente, o qual é muito difícil, ou prestar toda a atenção ao seu coração que aspira. O coração que aspira não é o que está próximo à região vital. O vital está próximo ao umbigo. O coração que aspira está localizado mais acima, no centro do peito. Se você não puder elevar a sua consciência para o verdadeiro coração, será uma vítima constante de desejos.

Qual a melhor forma de superar a depressão?

Sri Chinmoy: Quando você estiver deprimido, tente sentir conscientemente que se forçou a carregar um fardo enorme nos seus ombros. Sinta que é um corredor, e que há uma meta para você. Você tem que correr em direção a esse objetivo. Quanto mais rápido correr, mais cedo chegará até a meta. Agora, se você colocar de forma consciente e deliberada algo pesado sobre os seus ombros, naturalmente, sua velocidade será muito lenta. Não seja tolo. Você entrou para essa corrida. A corrida não é competir com os outros, mas sim competir com si mesmo e contra as forças não divinas da depressão, dúvida, medo, inveja e todas as outras forças negativas.

Quando a depressão entra na sua mente ou vital, sinta que há uma carga pesada nos seus ombros. Naturalmente, você irá querer se livrar dela, pois quer correr com velocidade. Você a descartará, a deixará de lado, e então correrá em direção ao seu objetivo destinado tão rápido quanto puder.

 

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Zen e meditação – ou Zazen

textos de Sri Chinmoy

comentários e história ao fim por Patanga Cordeiro

Zen e meditação (ou Zazen)

Zen e Zazen: a iluminação já está dentro de você

meditar porto portugalSe está buscando a iluminação, saiba que a iluminação já está dentro de você. Ao praticar o Zen, você traz essa iluminação à tona. O que está no interior irá um dia vir à tona, isso é certo. Deus está dentro de nós, mas não O vemos, não O sentimos. Ao praticar espiritualidade, Yoga, trazermos Ele à tona e tentamos vê-Lo e sentir a Sua presença em todas as nossas variadas atividades. No mundo interior, já possuímos tudo, mas na nossa vida exterior ainda não conseguimos ser capazes de trazer isso à tona. No mundo interior temos Paz, Luz e Deleite em medida abundante. No mundo interior temos iluminação; na nossa vida exterior, não. Assim, quando pratica o Zen ou segue qualquer outro caminho, saiba que é o despertar interior, a realidade interior, que você está tentando trazer à tona.

Sri Chinmoy, Self-discovery and world-mastery, Agni Press, 1976

 

Satori ou iluminação no Zen

No ponto mais alto do zen há algo chamado de satori, ou iluminação. Antes da iluminação há uma escuridão de um lado e uma luz do outro, e nós estamos entre as duas coisas. No entanto, se nos abrigarmos na iluminação, a nossa própria fulgência interior abraçará e abrangirá o mundo inteiro. Vivemos na ignorância por milênios, mas, uma vez que a iluminação acontece, não existe mais ignorância alguma em nós. Tudo é luz e nos tornamos um com a Visão do Absoluto. A maior dádiva no Zen é a iluminação – a mais elevada, tudo-iluminadora, tudo-preenchedora iluminação.

  

O método de disciplina Zazen e Yoga

O processo Zen exige uma disciplina rigorosa, quase militar. Já o processo de yoga é a tranquilidade baseada na confiança. É como a confiança de uma criança, advinda da sua unicidade com seu pai e sua mãe. Uma criança não possui sequer um centavo, mas, caso seu pai seja muito rico, ela também se sentirá muito rica. Mesmo que agora não tenha nem mesmo um dólar, ela sabe que em alguns anos será capaz de utilizar todas as riquezas do seu pai. O que quer que o pai tenha, ela corretamente e legitimamente considera como sua. Se o pai tem um carro, a criança sente que é o carro dela. Ela não pensa que é o carro do pai ou que pertence à sua família. Ela dirá aos seus amigos: “Vejam, esse é o meu carro.” Ela está absolutamente certa por conta da sua unicidade. Quando estiver mais velha, ela sabe que dirigirá esse carro. No processo de yoga, você sente que Deus é seu, que Ele o ama, e que você O ama. Porque você sente a sua unicidade com Ele, você sabe que, quando chegar a hora, Ele lhe dará tudo o que tem e é.

No caminho do Zen, você tem de se preparar. Se seguir uma disciplina rigorosa e fizer uma certa coisa, então terá um resultado; se não, não terá. No Zen, tudo é um esforço pessoal, um esforço pessoal. No yoga acreditamos na Graça. Sentimos que o Pai irá mostrar a Sua Afeição, Amor e Compaixão, e que a criança irá responder com amor, devoção, entrega e gratidão. No Zen, primeiro você tem de se tornar algo, e apenas então você merecerá receber alguma coisa, que é iluminação. E para se tornar algo será preciso ter uma disciplina rigorosa.

Sri Chinmoy, My Meditation-Service at the United Nations for 25 Years, Agni Press, 1995

 

Objetivos do zazen e yoga

Eu toco a água e imediatamente sinto a consciência da água. Toco uma parede e sinto a consciência da parede. E, se eu tocar os pés de um santo, imediatamente sentirei a consciência do santo. Isso é Yoga: unicidade, unicidade, unicidade. Mas não é preciso tocar qualquer coisa. Simplesmente através da identificação você consegue obter a consciência da pessoa que é um santo, que possui iluminação. No processo Zen, você obtém o que o santo tem ao se concentrar no que você busca. O processo no Yoga é se identificar com a meta. Mas a meta que alcança ao se concentrar no Zen e a meta que eu alcanço ao me identificar com alguém é a mesma.

Há um ótimo professor de Zen em Rochester chamado Philip Kapleau. Ele é meu amigo e uma grande autoridade sobre o Zen. Ele escreveu um livro chamado “Os Três Pilares do Zen”. Se tiver interesse, você pode aprender com ele. Ou, se tiver interesse em vir nas nossas meditações nas terças se sextas aqui [N.d.T: refere-se às Nações Unidas], poderá ver o que se obtém da nossa meditação. Se vier, certamente sentirá algo.

Mas não estou de forma alguma tentando afastá-lo do Zen – longe disso. Consideremos a meditação uma loja e o Zen, outra. Se entrar numa loja, haverá certos itens que poderão agradá-lo. Basicamente, as duas lojas oferecem a mesma coisa: o amor pela Verdade. Você entra numa loja e vê que ela tem o que você precisa. Na outra loja também há a mesma coisa. Você é quem decide de que loja você quer obter aquilo de que precisa.

Sri Chinmoy, Flame-Waves, part 9, Agni Press, 1978

 

Budismo e o Zen Budismo

A raiz é o hinduísmo. Do hinduísmo veio o budismo, e do budismo surgiu o zen. Vejamos o hinduísmo como o avô, o budismo como o pai, e o zen como o filho. Vejamos o hinduísmo como uma religião, ou uma forma de autodisciplina que um dia nos fará sentir ilimitada alegria, paz e amor. Quando pensamos no budismo, o aspecto-compaixão da realidade é o que surge na nossa mente. O mundo precisa muito de compaixão. Com a nossa compaixão mútua podemos existir juntos na terra. No zen, o importante é a percepção. Temos de ser completamente, conscientemente e constantemente cientes do que estamos fazendo, do que estamos vendo e no que estamos nos tornando. Durante a meditação, teremos ciência disso; durante as refeições, teremos ciência disso; conversando com um amigo, teremos ciência disso também.

No ponto mais alto do zen há algo chamado de satori, ou iluminação. Antes da iluminação há uma escuridão de um lado e uma luz do outro, e nós estamos entre as duas coisas. No entanto, se nos abrigarmos na iluminação, a nossa própria fulgência interior abraçará e abrangirá o mundo inteiro. Vivemos na ignorância por milênios, mas, uma vez que a iluminação acontece, não existe mais ignorância alguma em nós. Tudo é luz e nos tornamos um com a Visão do Absoluto. A maior dádiva no Zen é a iluminação – a mais elevada, tudo-iluminadora, tudo-preenchedora iluminação.

O hinduísmo se baseia no yoga. Yoga é uma palavra do sânscrito que quer dizer unicidade. Quando seguimos os ensinamentos do hinduísmo, seguimos a canção da unicidade. Se alguém sofre, nos tornamos completamente, inseparavelmente um com o seu sofrimento. Se alguém está no sétimo céu de deleite, nos tornamos um com ele no sétimo céu de deleite.

A meta do yoga, ou do hinduísmo, é se tornar um com Deus. Quando nos tornamos um com Deus, não apenas alcançamos a iluminação, como na verdade nos tornamos a iluminação. Nos tornamos um com a infinita Luz de Deus. Na nossa constante unicidade com o que Deus é, com o que Deus nos ofereceu e com o que Deus irá nos oferecer, nos tornamos perfeitos. Nos tornamos Seus instrumentos perfeitos, para revelar e manifestar o Altíssimo na terra. Yoga é unicidade e perfeição, e zen é iluminação e libertação.

Sri Chinmoy, My Meditation-Service at the United Nations for 25 Years, Agni Press, 1995

 

Chakras e a prática do zazen

(Sri Chinmoy fala em conversa com um praticante:)

Temos seis centros espirituais no corpo. Você está se concentrando no Centro que é chamado de manipura. Esse é o centro a que se costuma dar importância na prática do zen. De acordo com os ensinamentos espirituais da Índia, desse centro pode-se obter energia dinâmica. Se utilizar essa energia divina para um propósito divino, você cria. Se a utilizar para um propósito agressivo, você destrói.

Se quiser controlar seus pensamentos, concentre-se no centro que fica entre as sobrancelhas. Se ficar muito rígido e a sua concentração for intensa, não se concentre aqui por mais do que dois minutos. Caso contrário, ficará exausto no começo. Ao se concentrar no chakra do coração, você terá paz, amor e alegria. Ao entrar no coração, tente ouvir o som cósmico, o som sem som. Se trouxer amor, alegria, paz e deleite do coração até o chakra entre as sobrancelhas, verá que não há pensamentos lá.

O coração é o lugar mais seguro para se concentrar e meditar. Fazendo isso, automaticamente encontrará purificação, pois dentro do coração está a alma, e a alma é uma com o Infinito. Daqui se obtém tudo.

De acordo com o zen budismo, o chakra do umbigo deve ser aberto primeiro. Já, rigorosamente de acordo com o sistema hinduísta da vida espiritual, esse chakra não deve ser aberto até que o chakra do coração seja aberto. Se o chakra do umbigo for aberto antes do coração, o vital impuro mais baixo entrará no coração e destruirá todo o seu potencial espiritual. Os mestres zen dizem que ao se concentrar e abrir os centros inferiores se dá a purificação. Mas eu sinto que é melhor primeiro abrir o coração. Se então quiser subir, você sobre; se quiser descer, você desce. É nisso que os meus ensinamentos diferem da prática do Zen.

Sri Chinmoy, Occultism and mysticism, Agni Press, 1977

Tanto no zen quanto em outros caminhos, cada professor é qualificado para falar sobre o seu respectivo caminho. Eu não comparo se um é melhor que outro, ou julgo qualquer caminho, pois não estou autorizado ou qualificado para fazê-lo.

Sri Chinmoy, The soul’s evolution, Agni Press, 1976

A montanha: um ditado zen

Há um ditado zen que diz que, antes de estudar Zen, as montanhas são montanhas. Depois de ingressar na prática do Zen, as montanhas não mais são montanhas. E, finalmente, quando se obtém a iluminação, as montanhas voltam a ser montanhas. Podemos dizer que as montanhas são as dificuldades que encontramos quando entramos para a vida espiritual. Depois de um tempo, vemos que essas montanhas de dificuldades podem ser facilmente atravessadas. São como nuvens que passam, com o sol interior destinado a reaparecer. Por fim, quando realizamos o Altíssimo, vemos que as montanhas de dificuldades que encontramos previamente foram transformadas em montanhas de oportunidades – oportunidades para progresso, conquistas e um maior despertar na sempre-transcendente experiência da Realidade altíssima. As dificuldades se tornaram oportunidades a nos levar para o sempre-transcendente Além.

Sri Chinmoy, The oneness of the Eastern heart and the Western mind, part 2, Agni Press, 2004

 

Uma história do mestre zen Hyakujo

O mestre zen chinês Hyakujo costumava trabalhar duro junto com seus discípulos, mesmo com seus oitenta anos de idade. Ele costumava podar as árvores, limpar o chão, cuidar do jardim, etc. Seus discípulos estavam muito chocados com todo esse esforço. Eles sabiam que não adiantaria nada sugerir a ele que parasse de trabalhar, pois ele não lhes daria ouvidos. Então tiveram uma ideia brilhante. Eles esconderam suas ferramentas. E o mestre cumpriu o seu papel. Ele parou de comer. Isso se sucedeu por vários dias. Os discípulos descobriram porque ele não estava comendo, e devolveram as suas ferramentas. Com um sorriso, ele pegou seu equipamento e exclamou: “Sem trabalho, sem comida!”. Ele voltou a comer normalmente.

Sri Chinmoy, Mahatma Gandhi: the heart of life, Agni Press, 1994

 

Agradando o divino: um Koan Zen

O que você pode fazer para me agradar ao máximo? Agradar-me ao máximo. Responderei agora como um professor zen. Os professores zen responderiam a sua questão desta forma, com um koan. Você me pergunta como pode me agradar ao máximo, e eu digo “Agradando-me ao máximo”. Como você pode me agradar ao máximo? Agradando-me ao máximo.

Não tentar, mas fazer. Essa é a resposta. Não deve haver “como”, não deve haver pergunta. “Estou fazendo” é o que deve haver. Não diga “quero fazer,” ou “irei fazer.” Apenas faça. Se você não puder dizer “eu fiz”, que, infelizmente, é algo que está uns centímetros distante da realidade, diga “estou fazendo.”

Sri Chinmoy, Ten Divine Secrets, Agni Press, 1987

 

A pureza do mestre zen

do livro As Asas da Alegria

Cedo ou tarde, ou no futuro longínquo, você será destinado a presenciar a purificação de sua vida. Se no curso dessa transformação as pessoas não compreenderem ou apreciarem sua vida de pureza, não dê ouvidos às suas críticas. Vemos que até mesmo um Mestre espiritual verdadeiro, sendo a própria encarnação da alva pureza, pode se tornar alvo de críticas do mundo ignorante.

Era uma vez um Mestre Zen, muito puro e iluminado. Perto do lugar em que vivia, uma loja de alimentos havia sido construída. O dono do estabelecimento tinha uma filha que era bela e solteira. Certo dia, ela descobriu que logo seria mãe. Os pais dela se enfureceram. Eles queriam saber quem era o pai, mas a moça não revelou o nome. Após muito repreendê-la e atormentá-la, ela disse que era o Mestre Zen. Os pais acreditaram e correram até ele, insultando-o com uma língua afiadíssima. O Mestre Zen disse: “Verdade?” Tal foi o seu único comentário.

Quando do nascimento da criança, os avós deixaram o bebê com o Mestre. Ele aceitou a criança e cuidou dela. Sua reputação já se havia arruinado, e o Mestre era alvo de chacota. Dias tornaram-se semanas, semanas somaram meses e meses viram-se anos. Mas na vida humana existe algo chamado consciência, e a moça era continuamente torturada por sua própria consciência. Um dia, ela contou aos seus pais o nome do verdadeiro pai da criança, um trabalhador no mercado de peixe. Novamente, os pais lançaram-se em fúria. Ao mesmo tempo, a tristeza e humilhação fustigavam a casa. Correndo para o Mestre Zen, os pais da moça pediram o seu perdão, narrando a história toda e levando a criança de volta. Seu único comentário foi: “É verdade?”

O mundo pode não entender ou apreciar a pureza, mas se a Mãe-Terra for lar para uma única alma de pureza, sua alegria não conhecerá limites. Ela dirá: “Aqui, enfim, há uma alma em que posso confiar.”

 

O mestre e a cigarra: uma história zen

Recontado do livro Night Boat, um romance sobre o mestre zen Hakuin, de Alan Spence

Um mestre zen estava observando uma cigarra que estava trocando de pele. Ela já havia se libertado da maior parte da casca antiga, restando apenas uma asa presa ainda. O mestre ficou tomado de compaixão e ajudou a cigarra, tirando a pele seca da asa esquerda.

No entanto, a cigarra não conseguia bater a asa esquerda para voar e só ficou caminhando sem rumo pelo chão do templo.

Então ele entendeu que tinha feito um grande desfavor ao inseto. A cigarra precisava passar por aquele esforço e sair sozinha da antiga casca, ou então não teria força em suas asas suficiente para voar.

  

Exercícios de concentração e meditação no estilo Zazen

Do livro 222 Técnicas de meditação, de Sri Chinmoy

 

O ponto preto na parede – três abordagens

Se quiser alcançar uma concentração extraordinária, por favor, tente esses exercícios.

Cavando um buraco | Coloque-se bem em frente a uma parede e ponha um ponto nela, bem ao nível do seu terceiro olho [o centro espiritual entre as sobrancelhas]. Deverá ser um ponto preto; você não deve usar nenhuma outra cor. Então olhe para o ponto. Primeiro, olhe com os olhos bem abertos e, então, gradualmente, gradualmente, feche os olhos, mas não totalmente. Tente ver o ponto preto com o mínimo de visão dos seus olhos humanos. Abra seus olhos tanto quanto o e, em seguida tente deixá-los tão pequenos quanto possível, de modo que sua visão seja quase nenhuma. Repita mais uma vez.

Após conseguir fazê-lo, mantenha seus olhos abertos e tente sentir que você está cavando um buraco na parede e entrando nele. Aumente a sua necessidade de atravessar a parede. Em alguns minutos, verá que o seu corpo está aqui, mas alguma parte sua atravessou a parede para o outro lado. O seu poder de concentração levou você para o outro lado da parede. Sinta que deste lado da parede está o corpo e do outro lado está o poder-alma. Então, a partir do seu corpo você olha para a sua alma e, da sua alma, você olha para o seu corpo. Deixe o corpo ver a capacidade da alma e deixe a alma ver a avidez do corpo em se tornar um com ela. Se puder fazer esse exercício, seu poder de concentração irá aumentar imensamente e muito rapidamente.

 

Respirar a partir do ponto | Se você quer desenvolver o poder de concentração, tente fazer isso. Antes de se concentrar, lave bem o seu rosto e olhos com água fria. Então faça um ponto preto na parede, à altura dos olhos. Encare o ponto a uns 30cm de distância e concentre-se nele.

Após alguns minutos, tente sentir que, quando está inspirando, a sua respiração está realmente vindo do ponto, e esse ponto também está inspirando, tirando a própria respiração de você. Tente sentir que há duas pessoas: você e o ponto preto. Sua respiração está vindo desse ponto e a respiração dele vem de você.

Em dez minutos, se a sua concentração for muito poderosa, você sentirá que a sua alma o deixou e entrou no ponto preto na parede. Nesse momento tente sentir que você e a sua alma estão conversando. Sua alma o está levando para o mundo dela, para a realização, e você a está trazendo para o mundo físico, para a manifestação. Dessa forma você pode desenvolver o seu poder de concentração muito facilmente. Mas esse método tem que ser praticado. Há muitas coisas que são muito fáceis com a prática, mas, apenas porque não as praticamos, não obtemos os resultados.

 

Você é todo os olhos | Faça um círculo muito pequeno na parede, à altura dos olhos e, dentro dele, faça um ponto preto. Ele deve ser preto, não azul ou vermelho ou de qualquer outra cor. Então encare a parede, mais ou menos a um metro de distância, e foque a sua atenção no círculo. Seus olhos devem estar relaxados e meio abertos. Deixe a força da sua concentração vir do centro da sua testa.

Após três ou quatro minutos, abra totalmente os olhos e tente sentir que, da cabeça aos pés, você é todo os olhos. Toda a sua existência física se tornou nada além de visão. Então se concentre no ponto dentro do círculo e comece a diminuir o objeto da sua concentração. Após alguns segundos, tente sentir que todo o seu corpo se tornou tão pequeno quanto esse ponto na parede. Tente sentir que o ponto é outra parte da sua própria existência.

Então entre no ponto, atravesse-o e vá para o outro lado. Do outro lado do ponto, olhe para trás e veja o seu próprio corpo. O seu corpo físico está de um lado, mas, pela sua concentração, você enviou o seu corpo sutil para o outro lado do ponto. Através do seu corpo sutil, você está vendo o seu corpo físico e, através do seu corpo físico, está vendo o seu corpo sutil.

Quando começou a se concentrar, o seu corpo físico se tornou todo visão. Naquele momento, o ponto era a sua realidade. Quando entrou no ponto, visão e realidade se tornaram um. Você era a visão e também era a realidade. Quando olhou de volta para si, a partir do ponto, o processo se reverteu. Lá você se tornou a visão, e o lugar para o qual você retornou – seu corpo – era a realidade. Então, a visão e a realidade se tornaram um novamente. Quando puder ver a visão e a realidade dessa forma, a sua concentração será absolutamente perfeita. Quando o seu poder de concentração puder trazê-lo para o outro lado do ponto, o qual estava chamando de realidade, nesse momento, toda a sua existência estará muito além de ambos, visão e realidade. No momento que você puder sentir que transcendeu a sua visão e a sua realidade, terá poder ilimitado.


 

Como ficar acordado na meditação: sete dicas para não dormir na hora de meditar

dicas para ficar acordado na meditacao sri chinmoyComo ficar acordado na meditação – deixamos aqui sete dicas de Sri Chinmoy para não dormir na hora de meditar em casa. Uma parte dessas dicas está no livro Meditação.

 

Olhos semi-abertos para meditar

Eu aconselho meus discípulos a sempre manterem os olhos um pouco abertos ao meditarem. É mais convincente e mais gratificante manter os olhos abertos. …Digo aos meus discípulos que é sempre melhor manter os olhos abertos enquanto meditam.

De outra forma, vocês manterão os seus olhos fechados e então podem pensar que estão tendo uma meditação maravilhosa, quando na verdade podem estar ficando amigos do sono. Ao invés de ficarem amigos do sono, vocês deveriam ter uma eterna amizade com a minha consciência divina…

 

Usando a respiração para ficar acordado enquanto medita

Antes de começar a meditar, respire sete vezes, com inspirações longas. Isso o ajudará. Se respirar intensamente, se energizará e, ao mesmo tempo, conquistará o sono por alguns minutos.

 

Água fria para não dormir na meditação

Pergunta: Às vezes eu caio no sono praticamente na frente do meu altar

Sri Chinmoy: Tudo bem. Que tal molhar seus olhos com água fria?

 

Beliscando-se: um truque para não dormir ao meditar

Pergunta: Eu tomo uma ducha, mais ainda assim caio no sono após uns cinco minutos.

Sri Chinmoy: Por que você não se belisca tão forte quanto puder enquanto sente que é o seu colega de quarto que está beliscando você? Então diga: “Pare, pare, pare, pare!” Quando estiver caindo no sono, belisque-se tão forte quanto o possível e pense que outra pessoa o está beliscando. Enquanto se belisca, é na verdade a sua consciência que está beliscando a sua inconsciência. Mas você deve sentir que é outra pessoa que o está beliscando.

 

Sinceridade e truques mentais para se manter acordado

Pergunta: Mas então fico o tempo todo tentando manter o corpo acordado e não medito de verdade.

Sri Chinmoy: Por que você quer meditar por meia hora ou duas horas? Por que não pode meditar direito apenas por dez minutos. Se disser, “Só tenho que meditar por dez minutos,” sentira uma certa alegria. Quando uma criança deve ler por uma hora, se a mãe disser: “Tudo bem, minha criança, hoje você só precisa ler dez minutos,” a criança já fica feliz. Letargia, sono e todas essas coisas aparecem porque não há interesse. Se existe interesse sincero, não haverá sono. …

 

Japa e óleo de mostarda para ficar acordado na hora da meditação

…Existem várias maneiras de se manter acordado. Faça japa; diga “Supreme, Supreme, Supreme” o mais rápido possível. Se isso não funcionar, lave seu rosto e olhos e se mesmo isso não funcionar, tome então uma pequena gota de óleo de mostarda e coloque no canto exterior de seus olhos. Esfregue gentilmente na pele do canto dos olhos. Arderá e queimará um pouco, mas não causará ferimentos nem destruirá seus olhos. E o manterá acordado. Essa pequena queimadura não é nada comparado com o que ganhará: paz, luz e beatitude.

O verdadeiro problema é a sua sinceridade. Se você é sincero, valoriza tudo corretamente. Quando sabe que algo o ajuda, você o faz. Precisa dar a importância adequada às coisas. Deve dizer que não se sentará com a ignorância, e se sentará com a luz.

 

Invocando o Poder divino

…Ou vocês podem tentar invocar o Poder divino quando vierem para o Centro. Se sentirem que não estão fazendo uma boa meditação e estão sonolentos, tentem invocar o aspecto Poder do Supremo. Nesse momento, não invoquem Paz e Luz. Tentem trazer à frente o Poder divino de dentro ou trazer para baixo o Poder de cima. Imediatamente, em cinco minutos, se sentirão energizados. Se invocarem o poder dinâmico dentro de vocês mesmos, verão que todo o seu corpo se tornará energizado com o Poder divino. Esse Poder divino os fará sentir que seu corpo está ardendo em febre, embora não estejam realmente mudando de temperatura.

Dicas para se manter bem acordado durante a meditação

 


 

Minhas pequenas dicas para não dormir na hora de meditar

por Patanga Cordeiro

 

Alonge-se

Para mim, quando alongo os músculos, principalmente os do pescoço, isso ajuda muito na manutenção da minha energia. Acho que os nervos “puxados” pela falta de alongamento induzem a um falso sono. Uma dica é fazer a postura de hatha yoga “halasana”.

 

Tire uma soneca antes

Quando for participar de uma meditação em grupo à noite, etc, antes de ir, tente dormir uns 15-30 minutos, se puder. Isso pode ajudar muito. Também, se você estiver passando por uma fadiga crônica, se descansar bem por um dia poderá reparar que terá muito mais energia (e até mesmo boa vontade e entusiasmo) para meditar.

Política, espiritualidade e meditação

politica e espiritualidade meditacao oracao florVocê às vezes sente que, apesar de ter aspirações e metas tão sublimes, por vezes o seu trabalho é ofuscado pela política?

Sri Chinmoy: Não, ele não é ofuscado pela política, pois não fazemos comparação entre política e a espiritualidade em si. O que fazemos aqui é orar e meditar em silêncio. Tentamos fazer tudo em silêncio. A política está no mundo exterior, ao passo que a nossa oração e meditação estão no mundo interior. Através da nossa oração e meditação sinceras, estamos tentando trazer à tona a paz, luz e deleite que temos. Então essa paz, luz e deleite tentamos oferecer ao mundo, ao mundo político, para que o mundo político também possa se iluminar, aperfeiçoar e satisfazer.

 

Você sente alguma relação com os políticos nas Nações Unidas?

Sri Chinmoy: Sim e não. Não em sua capacidade como políticos. Mas quando eles me procuram como buscadores, já que eu mesmo sou um buscador, posso conversar com eles a níve espiritual – não político. Política não é o meu forte, ao passo que conheço um pouco sobre espiritualidade. Quando os políticos me procurar como buscadores, eu tento oferecer luz para eles.

 

Pergunta: Um aspirante espiritual pode participar ativamente em política?

Sri Chinmoy: Com muita freqüência ouvimos a palavra “política” ser seguida por “ um negócio sujo”. As pessoas dizem: “ Política é um negócio sujo.” Existe bastante verdade nisso. Há uma luz escassa, praticamente inexistente, no mundo da política. A política é desprovida de luz, por ser desprovida do verdadeiro sacrifício. É apenas um tipo de competição que ocorre entre partidos, os quais são igualmente ruins. Naturalmente, um deles irá vencer no final.

Se sentirmos que somos capazes de mudar a face do mundo, pelo caminho da política, infelizmente estaremos enganados. Nada pode mudar a face do mundo, exceto a aspiração interior. A aspiração interior é de grande importância, especialmente para os buscadores da verdade. Aqueles que quiserem participar ativamente em política irão, sem dúvida, perder a sua mais pura aspiração por Deus.

Deus está em tudo; então naturalmente Deus também está na política. No entanto, temos que saber qual a melhor maneira de chegarmos a Ele. Será a nossa aspiração que nos levará direto ao Altíssimo. Uma vez que alcancemos o Altíssimo, o Supremo mais elevado nos levará ao coração da humanidade.

Eu não estou dizendo a vocês que deixem de votar. Longe disso. Porém o mais importante é fazer a sua escolha interior. Os aspirantes espirituais têm que optar pela divindade que habita no interior deles. Quando essa divindade lhes diz o que fazer, eles têm que cumprir. Desse modo, não importando o que aconteça na vida exterior, no mundo da política, o buscador ficará satisfeito.

Quem resolverá os problemas do nosso país? Não será esse ou aquele partido. Será você que irá resolver os problemas do seu país e não uma liderança política. Sua aspiração pela humanidade será capaz de salvar não somente a América, mas o mundo todo. Cada um de vocês aqui tem esta chama de aspiração. Quando sua aspiração subir até o mais alto e descer de lá para inspirar o mundo ignorante, esse mundo então se tornará um lugar melhor.

Um buscador genuíno e sincero deverá ter cuidado com o quanto se envolve em política. Espiritualidade, vida interior e disciplina interior vêm em primeiro lugar. Existem bilhões de pessoas no mundo que podem se envolver em política, já que elas não estão envolvidas com a espiritualidade. Aspirantes, no entanto, devem permanecer bem acima do mundo político, no Colo do Supremo. Lá eles irão crescer constantemente na luz, paz, felicidade suprema e harmonia universal.

Extraído de “Politics and Spirituality: Can They Go Together?”

 

Política e espiritualidade

A espiritualidade

Pode entrar na política

A espiritualidade

Não dispensa a política.

 

A política pode abraçar a espiritualidade.

Igualmente,

A espiritualidade pode abraçar a política.

Política e espiritualidade

São galhos da mesma árvore-vida,

Da árvore-vida que é

Toda paz-unicidade.

 

Espiritualidade é o coração.

Política é o corpo.

Ambas são

Interdependentes

E indispensáveis uma à outra.

 

O corpo é a flor.

O coração é a fragrância.

A flor nos lembra de forma encantadora

Da nossa beleza universal.

A fragrância nos lembra incansavelmente

Da nossa divindade transcendental.

Gorbachev a flor

O nosso mundo exterior ama inigualavelmente.

Gorbachev a fragrância

O nosso mundo interior entesoura completamente.

 

Sri Chinmoy, Gorbachev: the master-key of the Universal Heart, Agni Press, 1990 – Carta ao Presidente Gorbachev

  1. GMK 85. This essay was written by the author and sent to President Gorbachev on 11 June 1990.

É possível esvaziar a mente?

É mesmo possível esvaziar a mente?

Sri Chinmoy: Certamente é, com a prática regular. De manhã cedo, se você medita por, digamos, quinze minutos. Durante a sua meditação, se tiver vinte pensamentos importunos, inquietos, após um mês de prática séria, verá quantos pensamentos terá. Gradualmente você verá quantos pensamentos importunos foram eliminados. E, se tiver um pensamento iluminador ou preenchedor, pode gradumente tentar ter mais. É como correr na vida exterior – você progride de correr um quilômetro para correr dois, três e assim por diante. Talvez tenha começado correndo num paço de 6 minutos por quilômetro, mas a sua prática regular o capacitará a ir mais rápido. Assim, gradualmente você será capaz de ir além do mundo-pensamento. Haverá alguns pensamentos vagando na sua mente, mas você não será afetado por eles. O poder-pensamento pode criar problemas para nós ou pode nos ajudar. Um pensamento realmente bom é a visão da alma operando na mente.

Meditação para ansiedade, depressão e como terapia de saúde: o aspecto espiritual x terapêutico

meditacao ansiedade depressao

 

Meditação para ansiedade, depressão e como terapia de saúde: o aspecto espiritual x terapêutico

Ficamos sempre muito felizes com as numerosas visitas ao nosso site, de pessoas de todas as idades, contextos, sociais e condições físicas e psicológicas, além de qualquer estado de busca pela espiritualidade em que se encontrem.

Afinal, é para isso que escrevemos o site! É para compartilhar o que encontramos de melhor, de graça, com todos! Temos os vídeos, os livros sugeridos, os textos no site, os exercícios, os links e os cursos de meditação. Tudo isso está disponível a todos os interessados, sempre de forma gratuita. A única exceção é o caso dos cursos presenciais de meditação. Como envolvem toda uma logísitica, precisamos ser mais técnicos com as inscrições.

Agora, duas perguntas: Para quem é o curso? Para quem não é o nosso curso?

Caso tenha interesse em participar do curso, leia até o fim para ver onde você se encaixa.

 

Para quem é o nosso curso:

Para aqueles que têm uma vida equilibrada, têm seus ótimos empregos ou estudos, têm seu ótimo dia a dia, seus ótimos amigos e familiares, ótimos hobbies e tudo o mais, com a saúde equilibrada, sem crises de ansiedade, depressão, estresse, etc, MAS APESAR DE TUDO ISSO NÃO ESTÃO SATISFEITOS, SENTINDO QUE “SÓ ISSO NÃO BASTA”: o curso é voltado para essas pessoas. Para quem não está satisfeito com o básico. Quem quer “um algo mais” que não consegue encontrar na saúde, paz de espírito, família, emprego e lazer. O curso é voltado para o aspecto espiritual da meditação, para quem quer se aproximar do divino dentro de si de forma consciente e disciplinada. Ou seja, o curso não é para aqueles que estão buscando equilibrar uma condição psicológica.

É claro que esse “algo mais” é Deus, e você pode chamá-lo como preferir: uma busca, a verdade, uma luz, um algo mais, felicidade, algo que não sei o que é,  pois é claro, você ainda vai descobrir o que é isso. Você está sendo chamado. É para essas pessoas que criamos e voltamos o nosso curso Para quem está numa busca espiritual. Para quem não tem motivo nenhum para vir ao curso, exceto que sentem que precisam. Esse sentimento já é o seu despertar interior.

 

Para quem não é o nosso curso de meditação:

Muitas pessoas procuram os nossos cursos de meditação presenciais como uma forma de terapia contra ansiedade, depressão, estresse ou etc. Isso é normal, pois há muita divulgação na mídia sobre a meditação em seu aspecto terapêutico. Não vemos problemas algum com isso, mas os cursos que oferecemos não são formas de terapia, não temos profissionais de saúde para acompanhamento e nem aceitamos indicações de outros profissionais, sejam médicos, psicólogos, etc. Nosso curso é voltado unicamente para o desenvolvimento espiritual.

Ou seja: não conhecemos os seus casos clínicos (ou não), sua personalidade, histórico médico, ritmo de trabalho, famílias, condição social, etc. Isso são coisas que apenas um profissional de saúde poderia fazer, numa entrevista. Nosso curso é em formato de auditório, e não conversamos individualmente com cada um sobre as peculiaridades dos casos. Mesmo se tivéssemos, não teríamos qualificação para tanto.

Além disso, as perguntas e interesses do público que está buscando o tratamento de saúde são muito diferentes daquelas que buscam a meditação como autoconhecimento. Não se trata de qualquer preconceito. O motivo simples é que toda a didática, todo o intento e a nossa própria vida e experiência com a meditação são voltadas para o autodescobrimento espiritual, e não psicológico. Não temos experiência alguma com os casos de ansiedade, depressão, estresse, etc, e não nos sentimos qualificados para recebê-los. Por isso o ideal é procurar assistência qualificada ao invés de comparecer no nosso curso.

É claro que, caso o seu terapeuta recomende, você poderá tentar praticar a meditação em casa para resolver seus desafios no campo do psicológico, usando os livros e textos do site. Caso seja uma recomendação terapêutica, é claro que poderá aprender as técnicas de meditação (pois estamos falando das técnicas em si)! Todos conseguem! Além das páginas neste site, você pode usar o livro Meditação, o livro As Asas da Alegria, músicas para meditação, vídeos de meditação, ou procurar outros grupos que ensinam a meditação, pois há diversos em São Paulo e no mundo todo. Apenas que temos vagas limitadas para o nosso curso e destinamos elas aos interessados na busca espiritual que já estejam com a saúde mental em dia, por todos os motivos já explicados.

De qualquer forma, se você veio até o nosso site, deixamos logo acima as nossas dicas e esperamos o melhor para você!

 

Mais sobre ansiedade, depressão, etc.

Meditar de olhos abertos ou meditar de olhos fechados?

sri chinmoy samadhi

Olhos abertos versus olhos fechados

– Sri Chinmoy, do livro Meditação

Muitas vezes as pessoas me perguntam se devem meditar de olhos abertos. Em noventa por cento dos casos, aqueles que mantêm os olhos fechados durante a meditação acabam dormindo; conseguem meditar por cinco minutos, e durante quinze, ficam no mundo do sono. Não há energia dinâmica, mas sim letargia, complacência e uma espécie de sensação doce, repousante.

Ao manter seus olhos fechados durante a meditação e entrar no mundo do sono, você pode ficar entretido com todos os tipos de fantasia. Sua imaginação fértil pode fazê-lo sentir que está entrando nos mundos mais elevados. Existem muitas maneiras de acreditar que está tendo uma meditação maravilhosa. Assim, é melhor meditar com os olhos semiabertos. Desse modo, você ficará na raiz e no ramo mais alto ao mesmo tempo. A parte que tem os olhos meio abertos é a raiz, simbolizando a Mãe-Terra. A parte que tem os olhos meio fechados é o ramo mais alto, o mundo da visão ou, digamos, o Céu. Sua consciência estará no nível mais elevado, mas também aqui na Terra, tentando transformar o mundo.

Quando medita com os olhos semiabertos, você está praticando o que é chamado de “meditação do leão”. Mesmo se estiver profundamente mergulhado em si mesmo, você focará a sua atenção consciente tanto no plano físico quanto no subconsciente. Tanto o mundo físico, com seus ruídos e distrações, como o mundo subconsciente, o mundo do sono, o estão convidando. Entretanto, você está vencendo os dois. Você está dizendo: “Estou atento. Vocês não podem me levar para os seus domínios”. Já que os seus olhos estão parcialmente abertos, você não vai dormir. Portanto, você está desafiando o mundo do subconsciente. Ao mesmo tempo, está controlando o plano físico, porque pode ver o que está acontecendo ao seu redor.

 

 

Meditação de olhos abertos, fechados ou entreabertos?

Comentário por Patanga Cordeiro

Olhos abertos, sempre! (Na verdade, entreabertos)

Essa é uma pergunta muito comum mesmo. Costumo ouvir essa pergunta mais ou menos umas duas ou três vezes por mês, de uma forma ou de outra. Quando você for aprender a tocar um instrumento musical, a postura das mãos pode ser incômoda, mas logo se acostumará e se tornará um bom músico. Se começar errado, o seu progresso irá obstar em algum momento e você terá que recomeçar com a posição correta. Por isso, a meditação se faz sempre de olhos abertos!

Por que não meditar de olhos fechados?

Porque se fechar os olhos, o seu corpo pensa que é hora de relaxar, dormir ou divagar. Meditação é para você elevar a sua consciência, crescer em percepção de uma realidade na qual não prestamos atenção diariamente. Dormir, relaxar ou divagar é o processo inverso.

Por que meditar de olhos abertos? (na verdade, entreabertos)

De olhos abertos, você consegue enxergar o seu ambiente. Assim, sabe que está desperto, ativo. O que não quer dizer que vai ficar pensando nas mesmas coisas do seu dia.

Repare nas estátuas do Buda e na foto de Mestres espirituais modernos… todos de olhos entreabertos em meditação.

lahiri mahasayasri-ramakrishnabuda samadhi nirvana

E porque deixá-los entreabertos?

Com os olhos todo abertos, fica mais difícil piscar sem perder a concentração, além de que você enxerga bastante do ambiente. Com os olhos entreabertos, seu rosto fica mais relaxado, e menos informação chega até você. Ainda assim, você está alerta. Essa é a melhor posição dos olhos para meditar. Uma dica é não forçar os olhos para deixa-los entreabertos. Apenas relaxe as pálpebras, e o que for natural provavelmente será ideal. Algumas pessoas ficam com os olhos quase fechados, e outras quase abertos. O que for natural para você provavelmente será ideal.

 


Exercícios de meditação com olhos abertos

Do livro Meditação, de Sri Chinmoy

 

O ponto. Se você quiser desenvolver o poder de concentração, pode tentar este exercício. Primeiro, lave bem o rosto e os olhos com água fria. Então desenhe um ponto preto na parede, na altura dos olhos. Encare o ponto, mais ou menos a uns trinta centímetros de distância, e concentre-se nele. Após alguns minutos, tente sentir que, ao inspirar, na verdade, a sua respiração está vindo do ponto, e que ele também está inspirando, recebendo a respiração de você. Tente sentir que existem duas pessoas: você e o ponto preto. Sua respiração está vindo do ponto e a respiração dele está vindo de você.

Em dez minutos, se a sua concentração for muito poderosa, você sentirá que a sua alma o deixou e entrou no ponto preto da parede. Nesse momento, tente sentir que você e a sua alma estão conversando. Sua alma o está levando para o mundo dela, para a realização, e você está trazendo a alma para o mundo físico, para a manifestação. Desse modo você poderá desenvolver o seu poder de concentração com muita facilidade. Contudo, esse método precisa ser praticado. Há muitas coisas que são bem fáceis quando praticadas. Entretanto, por não as praticarmos, não conseguimos o resultado.

 

Visão e realidade. Outro exercício que você pode tentar é o seguinte: primeiro, faça um círculo bem pequeno na parede, na altura dos olhos. Dentro dele, desenhe um ponto preto. Ele deve ser preto; nem azul, nem vermelho, nem de qualquer outra cor. Então encare a parede, a cerca de um metro de distância, e focalize a sua atenção no círculo. Seus olhos devem ficar relaxados e semiabertos. Deixe que a força de sua concentração venha do meio da sua testa. Depois de três ou quatro minutos, abra totalmente os olhos e tente sentir que, da cabeça aos pés, você é todo olhos. Toda a sua existência física nada mais é senão visão, e essa visão está focalizada no ponto dentro do círculo. Então comece a fazer com que o objeto de sua concentração se torne cada vez menor. Após alguns segundos, tente sentir que o seu corpo inteiro se tornou tão pequeno quanto o ponto na parede. Tente sentir que o ponto é uma outra parte de você. Então entre no ponto, atravesse-o e vá até o outro lado. Do outro lado do ponto, olhe para trás e veja o seu próprio corpo. Seu corpo físico está de um lado. Entretanto, com a força da sua concentração, você enviou o seu corpo sutil para o outro lado do ponto. Por meio do seu corpo sutil, você está vendo o seu corpo físico. E, por meio do seu corpo físico, você está vendo o seu corpo sutil.

Quando começou a se concentrar, o seu corpo físico se transformou totalmente em visão. Nesse momento, o ponto era a sua realidade. Quando você entrou no ponto, a visão e a realidade tornaram-se uma só coisa. Você era a visão e também a realidade. Mas, ao olhar para si mesmo a partir do ponto, o processo foi invertido. Nesse momento você se transformou na visão externa de si mesmo, e o lugar ao qual retornou – o seu corpo – era a realidade. Assim a visão e a realidade tornaram-se uma só coisa novamente. Quando você pode enxergar a visão e a realidade desse modo, a sua concentração é totalmente perfeita. Quando o seu poder de concentração puder levá-lo para o outro lado do ponto – que você chamava de realidade – toda a sua existência estará muito além da visão e da realidade. E, ao sentir que transcendeu as a sua visão e a sua realidade, você terá poder ilimitado.

Se você for um discípulo meu, ao se concentrar no ponto preto dentro do círculo, poderá tentar ver o seu próprio ser ali – a sua face de aspiração. Sinta que você existe só ali e em nenhum outro lugar. Então procure sentir que a sua existência, a sua face, a sua consciência – tudo – foi substituído pela minha. Uma vez que sinta que a toda a sua existência anterior foi completamente substituída pela minha, terá estabelecido a sua unicidade inseparável comigo, e certamente a minha força de vontade entrará na sua vida.

 

A flor interior. Para este exercício, você precisará de uma flor. Com os olhos semi-abertos, olhe para a flor inteira por alguns segundos. Enquanto estiver se concentrando, tente sentir que você mesmo é a flor. Ao mesmo tempo, tente sentir que ela está crescendo nos recônditos mais profundos do seu coração. Sinta que você é a flor, e que está crescendo dentro do seu coração.

Gradualmente tente se concentrar numa única pétala. Sinta que a pétala que você escolheu é a forma-semente da sua existência-realidade. Depois de alguns minutos, concentre-se na flor inteira de novo, e sinta que ela é a Realidade Universal. Desse modo, siga de uma coisa para a outra, primeiro se concentrando na pétala – a forma-semente da sua realidade – e então na flor inteira – a Realidade Universal. Enquanto estiver fazendo isso, não permita que nenhum pensamento entre na sua mente. Procure deixá-la totalmente calma, silenciosa e tranquila.

Depois de algum tempo, feche os olhos e tente ver a flor em que estava se concentrando dentro do seu coração. Da mesma maneira que você se concentrou na flor física, concentre-se na flor dentro do seu coração, com os olhos fechados.

 

A vastidão do céu. Mantenha os olhos semiabertos e imagine o vasto céu. No começo, tente sentir que o céu está diante de você. Mais tarde, tente sentir que você é tão vasto quanto o céu ou que é a próprio vasto céu.

Depois de alguns minutos, feche os olhos e tente ver e sentir o céu dentro do seu coração. Sinta que você é o coração universal, e que dentro de si mesmo está o céu no qual meditou e com o qual se identificou. O seu coração espiritual é infinitamente mais vasto do que o céu. Portanto, você pode facilmente abrigar o firmamento dentro de si.

 

Como lembrar dos sonhos espirituais

Encantar-se com um doce sonho

É o início

De uma realidade

Florescente, iluminadora e preenchedora.

– Sri Chinmoy

 

Esta é uma página da coleção de posts sobre sonhos espirituais extraídos dos escritos de Sri Chinmoy, do livro Sonhos. As outras páginas são:

 

lembrar dos sonhosComo lembrar dos sonhos espirituais

Eu tenho sonhos muito raramente. Se isso quer dizer que não estou me lembrando deles, eu deveria então tentar lembrar?

Se você não costuma ter sonhos, isso quer dizer que não precisa deles. Mas se você tem sonhos dos quais esquece quando acorda, você pode tentar recuperá-los. Para fazer isso, você tem de sentir que a sua vida não é uma realidade despida de sonhos. Você também tem de saber que cada sonho divino é uma indicação clara de uma realidade iminente. Se você valorizar o sonho como valoriza a realidade, um dos seus seres interiores irá ajudá-lo a lembrar dos seus sonhos.

 

Como podemos nos lembrar dos sonhos quando acordamos?

Se você sentiu que teve um sonho, mas não consegue lembrar-se dele, tente se concentrar na parte de trás da cabeça, na parte superior do pescoço. Quando você tem sonhos, eles se manifestam através da mente física ou, por algum tempo, por algumas horas ou mesmo um dia ou dois, eles ficarão registrados num lugar na parte de trás da sua cabeça. Portanto, se quiser se lembrar de qualquer sonho, tente se concentrar ali e sentir que está batendo numa porta. Quando a porta se abrir, você será capaz de se lembrar dos sonhos completamente.

 

Quão importante é se lembrar dos sonhos?

Se você tem sonhos ruins, nem tente se lembrar deles. Pelo contrário, esqueça-se deles imediatamente! Quanto mais cedo esquecer, melhor será para você em todos os planos de consciência. Se for um sonho ruim, encare-o como uma alucinação mental e jogue-o fora. Se for um sonho bom, lembre-se dele, mas não dê um valor exagerado ao sonho. Ou seja, não pense no sonho o tempo todo e se esqueça da sua vida-realidade, que exige a sua atenção constante e consciente. Se puder se lembrar do sonho dentro do seu coração, isso lhe trará alegria, inspiração e aspiração para que, na sua vida-realidade, você possa ser mais devotado, espiritual, divino e perfeito.

 

Quando eu vou para a cama, às vezes tenho uma forte impressão de um sonho que tive na noite anterior. Por que isso acontece?

Isso quer dizer que o seu sonho, tenha sido ele positivo ou negativo, foi muito forte. Com os sonhos positivos podemos seguir adiante. Com os sonhos negativos, retrocedemos. Um sonho positivo é como uma flor. Você mantém algumas flores no seu altar, e elas emitem uma fragrância. Se depois de um tempo você tirar as flores, ainda assim a fragrância permanecerá. Se queimar um incenso, você sentirá o seu cheiro. Mas, quando remover o incenso, a mesma fragrância estará lá. A coisa vai embora, mas a sua essência permanece.

A mesma coisa pode acontecer com uma pessoa. Se um santo fica num certo lugar, por algum tempo depois de ele ir embora, a pureza, paz, alegria e amor que ele tinha continuarão a vibrar no local. Se uma pessoa ruim e cheia de raiva e outras qualidades não divinas ficar num certo lugar, suas qualidades não divinas também permanecem lá e vibram por um tempo depois de ele sair. Quando a pessoa vai embora, a qualidade que ele incorpora permanece no lugar, e você sente o efeito da consciência que ele tinha quando estava fisicamente presente. O mesmo acontece com um sonho que permanece após acabar. Se o sonho foi muito poderoso, a essência do sonho, a sua principal qualidade, fica com você.

 

Como podemos ter sonhos espirituais?

Se quiser ter sonhos doces, sonhos inspiradores, você deverá meditar com toda alma de manhã cedo – às três, quatro ou mesmo cinco horas. Se você costuma acordar as cinco, levante-se às quatro horas. Tome uma ducha adequada e medite por pelo menos meia hora. Após a meditação, sente-se ou deite-se e se concentre no seu umbigo. Não pense em sonhos. Tente sentir que o seu chakra umbilical está se abrindo. Imagine que uma roda está girando bem rápido lá. Porque você meditou por meia hora, não precisará se preocupar com o fato de estar entrando nesse chakra, mesmo se tratando do chakra vital. Volte a dormir por meia hora ou quarenta minutos. Se a sua meditação foi boa e genuína, se veio das profundezas do seu coração, quaisquer sonhos que tenha depois dela serão divinos, dinâmicos, belos, coloridos e repletos de alma. Serão sonhos sobre anjos e deuses, ou sobre a sua vida espiritual. Ou então você verá algumas coisas inspiradoras, encorajadoras.

Se você quer ter bons sonhos antes das três da manhã, então durante a noite tente meditar no seu umbigo por cerca de dez minutos antes de ir para a cama. O umbigo é onde a emoção começa. A emoção em si não é ruim. A questão é como a utilizamos. Quando temos emoções humanas, apenas aprisionamos nós mesmos e os outros. Mas, quando temos emoções divinas, expandimos a nossa consciência. Caso se concentre no centro umbilical por dez minutos, você poderá ter controle da emoção humana e permitir que a emoção divina vá mais alto a partir do coração, em direção ao altíssimo.

Se você quer ter sonhos dos mundos superiores e não dos mundos inferiores, antes de dormir medite por pelo menos cinco minutos no centro umbilical e nos centros abaixo do umbigo. Você fará isso para trancar as portas que levam a esses centros. E medite por cinco minutos no seu centro cardíaco e nos centros acima do coração. Você fará isso para destrancar as portas que levam a esses centros. Enquanto tranca as portas do centro umbilical e dos centros inferiores, tente sentir a energia dinâmica e vulcânica de um herói-guerreiro. Enquanto destranca o centro do coração e os centros superiores, tente sentir a alegria e o deleite de uma criança. Se puder fazer isso, sem falha você terá sonhos dos mundos superiores.

 

Existem pessoas que não têm sonhos?

Não há sequer um ser humano na Terra que não tenha tido sonhos. Algumas pessoas dizem que não têm nenhum sonho, mas elas estão enganadas. Elas sonham, mas, quando acordam, provavelmente esquecem-se dos sonhos. Outras pessoas têm a capacidade de manter a memória dos sonhos enquanto estão totalmente despertas.

Benefícios da meditação comprovados cientificamente – saúde e concentração, ou além?

Preciso da minha saúde física

Todos os dias

Preciso da minha saúde espiritual

Constante e incansavelmente.

– Sri Chinmoy, My Christmas-New Year-Vacation Aspiration-Prayers, Part 07, Agni Press, 2002


beneficios cientificos da meditacaoAo juntar os textos para este artigo sobre a parte científica dos benefícios da meditação, pensei naquela ideia de que há verdade em tudo. O quanto valorizamos essa verdade é que depende do ponto de vista.

Para mim e para, imagino, quase 100% dos meus colegas que praticam a meditação, a meditação é uma necessidade – é algo que apareceu nas nossas vidas como a lava que brota de um vulcão. Não era uma questão de pesar benefícios da meditação contra não praticar.

A vida como se encontrava não nos trazia o sentimento de progresso e satisfação verdadeiros, então precisávamos encontrá-los. E isso apareceu na figura de um caminho espiritual, um Mestre espiritual, e a disciplina espiritual. (conforme o mantra budista Buddham saranam gacchami, que representa essas três necessidades para uma busca completa e bem sucedida). Dessas três, a meditação é parte da disciplina e prática espiritual que, sim, traz imensos benefícios.

Separei dois trechos do texto principal que elucidam o que penso.

“Meditar é uma boa forma de alcançar uma vida mais feliz, saudável e produtiva”.

“Um estudo revelou que as pessoas que utilizaram a meditação de cunho espiritual tiveram maior redução da ansiedade, maior relato de afetos positivos e maior tolerância à dor, em comparação com o grupo que utilizou a meditação secular. Além disso, alguns autores sustentam que a meditação realizada fora de seu contexto original não é tão facilitadora de características tradicionalmente atreladas à prática, como níveis mais profundos de propósito na vida e auto-atualização.”

No entanto, deixei aqui três artigos que encontrei, com algumas omissões para simplificar e encurtar o texto. Eles falam de testes, resultados, impressões, etc, dos benefícios mensuráveis, seculares da meditação. Não é o que me interessa pessoalmente, mas talvez você ou outros se interessem. E também faz parte da verdade, né?

Por sinal, se quiserem ler um livro propriamente falando (pois aqui neste texto tem trechos de artigos científicos), e que tem uma compilação de perguntas e respostas sobre a prática em si, concentração, benefícios, etc, recomendo o livro Meditação, do meu professor Sri Chinmoy.

beneficios da meditacao

Meditação ganha, enfim, aval científico

Estudos sérios estão afastando as dúvidas que costumavam pairar sobre a prática e mostram que ela é extremamente eficaz no tratamento do stress e da insônia, pode diminuir o risco de sofrer ataque cardíaco e até melhorar a reação do organismo aos tratamentos contra o câncer

Por Tiago Cordeiro

Meditação ganha, enfim, aval científico

 

A receita para lidar com dezenas de problemas de saúde é fechar os olhos, parar de pensar em si e se concentrar exclusivamente no presente. A ciência está descobrindo que os benefícios da meditação são muitos, e vão além do simples relaxamento. “As grandes religiões orientais já sabem disso há 2.500 anos. Mas só recentemente a medicina ocidental começou a se dedicar a entender o impacto que meditar provoca em todo o organismo. E os resultados são impressionantes”, afirma Judson A. Brewer, professor de psiquiatria da Universidade Yale.

Iniciada na Índia e difundida em toda a Ásia, … Até a década passada, não contava com respaldo médico. Nos últimos anos, os pesquisadores ocidentais começaram a entender por que, afinal, meditar funciona tão bem, e para tantos problemas de saúde diferentes. “Com a ressonância magnética e a tomografia, percebemos que a meditação muda o funcionamento de algumas áreas do cérebro, e isso influencia o equilíbrio do organismo como um todo”, diz o psicólogo Michael Posner, da Universidade de Oregon.

A meditação não se resume a apenas uma técnica: são várias, diferindo na duração e no método (em silêncio, entoando mantras etc.). Essas variações, no entanto, não influenciam no resultado final, pois o efeito produzido no cérebro é parecido. Na prática, aumenta a atividade do córtex cingulado anterior (área ligada à atenção e à concentração), do córtex pré-frontal (ligado à coordenação motora) e do hipocampo (que armazena a memória). Também estimula a amígdala, que regula as emoções e, quando acionada, acelera o funcionamento do hipotálamo, responsável pela sensação de relaxamento.

Não se trata de encarar a meditação como uma panaceia universal, os estudos mostram também que ela tem aplicações bem específicas. Mas, ao contrário de outras terapias alternativas que carecem de comprovação científica, a meditação ganha cada vez mais respaldo de pesquisas realizadas por grandes instituições.

Hoje, os estudos sobre os benefícios da meditação estão concentrados em seis áreas.

Redução do stress

Meditar é mais repousante do que dormir. Uma pessoa em estado de meditação consome seis vezes menos oxigênio do que quando está dormindo. Mas os efeitos para o cérebro vão mais longe: pessoas que meditam todos os dias há mais de dez anos têm uma diminuição na produção de adrenalina e cortisol, hormônios associados a distúrbios como ansiedade, déficit de atenção e hiperatividade e stress. E experimentam um aumento na produção de endorfinas, ligadas à sensação de felicidade. A mudança na produção de hormônios foi observada por pesquisadores do Davis Center for Mind and Brain da Universidade da Califórnia. Eles analisaram o nível de adrenalina, cortisol e endorfinas antes e depois de um grupo de voluntários meditar. E comprovaram que, quanto mais profundo o estado de relaxamento, menor a produção de hormônios do stress.

Este efeito positivo não dura apenas enquanto a pessoa está meditando. Um estudo conduzido pelo Wake Forest Baptist Medical Center, na Carolina do Norte, colocou 15 voluntários para aprender a meditar em quatro aulas de 20 minutos cada. A atividade cerebral foi examinada antes e depois das sessões. Em todos os pesquisados, foi observada uma redução na atividade da amígdala, região do cérebro responsável por regular as emoções. E os níveis de ansiedade caíram 39%.

Para quem já está estressado, a meditação funciona como um remédio. Foi o que os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos descobriram ao analisar 28 enfermeiras do hospital da Universidade do Novo México, 22 delas com sintomas de stress pós-traumático. A metade que realizou duas sessões por semana de alongamento e meditação viram os níveis de cortisol baixar 67%. A outra metade continuou com os mesmos níveis.

Resultados parecidos foram observados entre refugiados do Congo, que tiveram que deixar suas terras para escapar da guerra. O grupo que meditou ao longo de um mês viu os sintomas de stress pós-traumático reduzir três vezes mais do que as pessoas que não meditaram – índices parecidos aos já observados entre veteranos americanos das guerras do Vietnã e do Iraque.

Melhoria do sistema cardiovascular

A Universidade de Ciências da Saúde da Geórgia conseguiu melhorar a sobrecarga cardíaca de 31 adolescentes americanos hipertensos. Os jovens apenas acrescentaram um hábito a suas rotinas: meditar duas vezes por dia, durante 15 minutos, ao longo de quatro meses. Outros 31 receberam orientações médicas, mas não meditaram. A primeira metade terminou o período de testes com a massa do ventrículo esquerdo menor – sinal de redução dos riscos de desenvolver doenças cardíacas e vasculares.

Outro levantamento, este da Universidade da Califórnia em Los Angeles, mediu o acúmulo de gordura nas artérias de 30 pessoas com pressão alta. Depois de meditar 20 minutos, duas vezes por dia, ao longo de sete meses, a quantidade estava menor, enquanto que ela não havia sido alterada no grupo de controle.

Meditar também é útil para reduzir em 47% as chances de ataque cardíaco e infarto em adultos. Foi o que concluiu a Associação Americana do Coração, depois de acompanhar um grupo de pacientes de 59 anos de idade, em média, ao longo de nove anos, de 2000 a 2009. Todos continuaram recebendo a medicação necessária, mas metade foi convidada a participar de sessões de meditação sem regularidade definida. Neste grupo, a pressão arterial caiu significativamente. “Foi como se a meditação funcionasse como um medicamento totalmente novo e muito eficiente para prevenir doenças cardíacas”, afirma o fisiologista americano Robert Schneider, diretor do Center for Natural Medicine and Prevention e responsável pelo estudo.

Insônia e distúrbios mentais

Técnicas de relaxamento profundo, colocadas em prática durante o dia, podem melhorar a quantidade e a qualidade do sono. É o que aponta um estudo de 2008, do Northwestern Memorial Hospital, de Illinois. Cinco pessoas, com 25 a 45 anos e sofrendo de insônia crônica, foram submetidas à meditação durante dois meses. Passaram a dormir duas horas a mais por dia e alcançaram níveis de sono REM mais próximos do considerado saudável.

Em muitos casos, a insônia é sintoma de depressão. A meditação também funciona para atacar a causa. A Universidade da Califórnia conseguiu reduzir os casos de depressão entre 20 idosos com um simples programa de oito semanas de relaxamento, meia hora por dia. “No limite, meditar atrasa o aparecimento de sintomas do Alzheimer. A depressão na terceira idade é um fator de risco para o desenvolvimento desta doença”, afirma o psiquiatra Michael Irwin, professor do Semel Institute for Neuroscience and Human Behavior da universidade.

O psicólogo Michael Posner e o neurocientista e professor da Universidade de Tecnologia do Texas Yi-Yuan Tang mediram a densidade dos axônios de pessoas que começaram a meditar. Quanto mais densos, maior a capacidade de realizar conexões cerebrais e menores os riscos de sofrer distúrbios mentais, de depressão a esquizofrenia. “A quantidade de conexões cerebrais está diretamente relacionada à saúde mental. Neste sentido, podemos dizer que a meditação é um exercício para a mente, excelente para deixá-la mais musculosa e prevenir doenças”, afirma o professor Posner.

Alívio da dor

Quem tem a meditação como hábito sente menos dor. O pesquisador Joshua Grant, do Departamento de Fisiologia da Universidade de Montreal comprovou esta hipótese encostando placas aquecidas nas nucas de 26 pessoas, 13 delas sem contato com a técnica e outras 13 com mais de 1000 horas de experiência em meditação. A placa era aquecida a 46 graus, depois 47, e assim sucessivamente, até 56. Todos os meditadores suportaram temperaturas acima dos 52 graus.

Nenhuma das pessoas inexperientes aguentou mais do que 50 graus. Na medida, o grupo que medita respirou 12 vezes por minuto. O outro respirou 15 vezes, um indício de stress maior. “As pessoas que meditam precisam menos de analgésicos. Elas sofrem menos pela antecipação da dor”, diz Grant, que, no cruzamento de dados, concluiu que o hábito de meditar provocou uma resistência à dor 18% maior. De acordo com um grupo de neurocientistas do Center for Investigating Healthy Minds da Universidade de Wisconsin-Madison, a resistência de quem medita é maior em situações em que o stress influencia diretamente no nível de dor – caso de artrite e inflamações intestinais.

Reforço do sistema imunológico

O sistema imunológico também é favorecido. “O aumento da atividade cerebral relacionada a pensamentos positivos tem influência direta na maior produção de anticorpos. A meditação também intensifica a ação da enzima telomerase”, diz Judson A. Brewer, de Yale. As implicações desta descoberta são fundamentais para o tratamento de tumores malignos. A Associação Americana de Urologia já declarou que a meditação é recomendada para ajudar a conter o câncer de próstata.

Também ajuda a lidar com o câncer de mama. Um grupo de 130 mulheres com a doença, todas com mais de 55 anos, aceitaram participar de um teste que reforça esta teoria. Ao longo de dois anos, elas foram divididas em dois grupos, um deles fazendo meditação. A situação foi monitorada pelos médicos do Saint Joseph Hospital, em Chicago. A metade que meditou teve maior resistência para lidar com as dores provocadas pela quimioterapia e experimentou uma reação física melhor à doença.

Melhoria na concentração

Na escola estadual Bernardo Valadares de Vasconcellos, em Sete Lagoas (MG), os 1.400 alunos fazem, todos os dias, o Tempo de Silêncio. Quem desejar pode aproveitar os 15 minutos para meditar. Quem não quiser, pode apenas descansar. A iniciativa foi inspirada pela Fundação David Lynch, que já orientou a criação de programas de meditação na escola estadual Presidente Roosevelt, em São Paulo, e na escola estadual Helio Pelegrino, no Rio de Janeiro.

“Estimamos que 20% dos estudantes continuam meditando por conta própria”, diz Joan Roura, diretor da fundação no Brasil. “Alunos que meditam são mais tranquilos, mais focados e têm maior capacidade de apreender informações.” A prática rende melhores notas: entre 235 crianças de colégios de Connecticut que começaram a meditar, representou um aumento de 15% nas provas e avaliações.

As áreas do cérebro responsáveis pela memória e pela atenção chegam a ficar mais densas quando se medita. Foi a conclusão a que chegaram pesquisadores de Harvard, Yale e MIT, municiados por scanners de cérebro. Pessoas que meditam com frequência ao longo de vários anos também demoram mais para sofrer a redução destas áreas, em especial o córtex frontal.

“Um estudante que medita pode ter melhores notas, uma vida mais saudável e boas condições de lutar por melhores postos no mercado de trabalho, com menor tendência para sofrer doenças cardiovasculares, stress ou distúrbios mentais”, diz Judson A. Brewer. Em resumo: “Meditar é uma boa forma de alcançar uma vida mais feliz, saudável e produtiva”.

o que e meditar

Os efeitos da meditação à luz da investigação científica em Psicologia: revisão de literatura

Psicol. cienc. prof. vol.29 no.2 Brasília  2009

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932009000200006&lng=en&nrm=iso

Carolina Baptista Menezes; Débora Dalbosco Dell’Aglio

(…)

Além das especificidades de cada técnica, outras variáveis, como predisposições genéticas, traços de personalidade, vivências particulares de cada um, expectativas, motivações e valores também podem mediar o tipo e a qualidade da resposta que a prática meditativa produzirá (Davidson & Goleman, 1977; Smith, 1978; Takahashi et al., 2005). Portanto, o estudo da meditação e de seus efeitos deve considerar as características do sujeito antes da prática, os estados que ocorrem durante ou pouco tempo após a meditação, e, por fim, as mudanças duradouras resultantes da prática continuada (Davidson & Goleman, 1977). É consenso que a melhor forma de fazê-lo é através de estudos longitudinais (Brefczynski-Lewis et al., 2007; Davidson & Goleman, 1977; Hankey, 2006; Lazar et al., 2005; Slagter et al., 2007).

A partir da revisão de literatura, observa-se que muitos resultados encontrados a partir de diferentes técnicas são bastante semelhantes. Com base nessa percepção e no fato de que técnicas distintas possuem características essenciais comuns (Goleman, 1988), alguns pesquisadores brasileiros concluíram que seria importante criar uma definição operacional geral acerca da meditação que abarcasse tais características e que permitisse uma padronização do seu uso para fins de pesquisa em saúde (Cardoso, Souza, Camano, & Leite, 2004). Assim, igualmente sob a prerrogativa da auto-regulação, descrevem a prática de meditação como a utilização de alguma técnica específica e claramente definida, com a qual se alcança algum relaxamento muscular e mental durante o processo, sendo um estado exclusivamente auto-induzido através da utilização de um foco (âncora).

Embora essa operacionalização seja um importante passo no sentido de sistematizar e padronizar o estudo da meditação, certamente o seu campo de investigação ainda está em desenvolvimento. Portanto, ainda são necessárias pesquisas que esclareçam alguns pontos que permanecem sem consenso por parte da comunidade científica, como as especificidades de cada técnica e seus respectivos efeitos, o grau com que se diferenciam e o impacto que tal diferença pode ter no resultado final da prática de longa duração. Entretanto, até o momento presente, o que se percebe é um grande corpo de pesquisas que, mesmo não intencionalmente, sugere alguma uniformidade entre os efeitos das práticas meditativas. Dessa forma, parece correto concluir, assim como propõem Cardoso et al. (2004), que existem alguns fatores comuns e essenciais nas diferentes técnicas meditativas que as tornam igualmente eficazes e que, de alguma forma, caracterizam o que é meditação.

Correlatos neurofisiológicos da meditação

Os primeiros estudos sobre meditação estiveram voltados para explicar os mecanismos subjacentes a essa prática e suas repercussões na vida do praticante. Através de medidas minuciosas e rigorosas, foi identificada uma série de padrões de reações associados à prática meditativa, que a caracterizam como um estado de consciência particular, diferente dos tradicionalmente conhecidos, como vigília, sono e sonho (Wallace, 1970). Essas reações também são chamadas de respostas psicofisiológicas ou neurofisiológicas, pois refletem mudanças no sistema nervoso central e autônomo (Aftanas & Golocheikine, 2001; Danucalov & Simões, 2006).

As alterações do sistema nervoso autônomo, constatadas por estudos experimentais e de meta-análise, incluem redução do consumo de oxigênio, da eliminação de gás carbônico e da taxa respiratória, o que indica uma diminuição da taxa do metabolismo. Além disso, a meditação também está associada a um aumento da resistência da pele e a uma redução do lactato plasmático, cuja alta concentração é associada a altos níveis de ansiedade (Dillbeck & Orme-Johnson, 1987; Travis & Wallace, 1999; Wallace, 1970; Wallace & Benson, 1972; Wallace, Benson, & Wilson, 1971). Com respeito à freqüência cardíaca, alguns estudos não observaram diferença (Dillbeck & Orme- Johnson, 1987; Travis & Wallace, 1999), enquanto outros verificaram uma diminuição significativa (Maura et al., 2006; Wallace, 1970; Wallace & Benson, 1972; Wallace et al., 1971). Embora já tenha sido discutido que os resultados sobre os efeitos da meditação não são conclusivos (Canter, 2003; Holmes, 1984), na literatura, há um crescente número de pesquisas corroborando os correlatos fisiológicos dessa prática (MacLean et al., 1997; Goleman & Schwartz, 1976; Takahashi et al., 2005; Travis & Wallace, 1999).

Em geral, a observação dessas reações levou à conclusão de que através da meditação é possível atingir um estado de hipometabolismo basal ao mesmo tempo em que a mente se mantém alerta e que aquele que medita desenvolve, portanto, a capacidade de controlar determinadas funções fisiológicas involuntárias (Wallace et al., 1971). É com base nessa idéia, ou seja, na capacidade de obter algum grau de controle sobre processos psicobiológicos autonômicos, que a meditação pode ser considerada uma técnica eficaz de biofeedback, constituindo uma das técnicas mais antigas de autoregulação (Cahn & Polich, 2006; Davidson & Goleman, 1977).

Além das mudanças autonômicas, desde a década de 70, também ganhou destaque a investigação dos efeitos cerebrais da meditação, sob a premissa de que estados mentais podem alterar as funções fisiológicas (Wallace et al., 1971). Foi verificado, então, que algumas características tradicionalmente associadas à meditação, como baixa ansiedade e afetos positivos, poderiam ser explicadas por mudanças da atividade neuroelétrica. Através do Exame de Eletroencefalograma (EEG), o aumento da produção de ondas alfa nas regiões frontais e, em menor quantidade, de ondas teta, foi observado tanto em iniciantes quanto avançados (Aftanas & Golocheikine, 2001; Hankey, 2006; Takahashi et al., 2005; Wallace & Benson, 1972), sendo a observação de ondas teta mais comum em meditadores com maior experiência (Cahn & Polich, 2006).

Atualmente, sabe-se que, além dessas mudanças funcionais, a meditação também pode produzir mudanças estruturais, atuando sobre a plasticidade cerebral. Uma pesquisa que comparou a espessura do córtex de meditadores experientes com um grupo-controle, encontrou uma diferença significativa nas regiões relacionadas à sustentação da atenção, onde a espessura era maior nos praticantes experientes (Lazar et al., 2005). Esse estudo corrobora a idéia de que a regularidade e a continuidade da prática influenciam a intensidade das respostas e que, portanto, a meditação pode produzir mudanças duradouras. Várias pesquisas observaram que, mesmo em situações basais, os meditadores mais experientes produziam respostas significativamente diferentes daquelas medidas em controles (Cahn & Polich, 2006; Dillbeck & Orme- Johnson, 1987; Easterlin & Cardeña, 1998; Goleman & Schwartz, 1976; Lutz, Greischar, Rawlings, Ricard, & Davidson, 2004).

A atenção é uma das funções cognitivas que parece estar particularmente envolvida nas mudanças que a prática meditativa pode gerar. Já na década de 70, foi demonstrado, através de alguns testes neuropsicológicos, que, quanto maior o tempo de prática de meditação, maior a capacidade de absorção atencional, estando esta associada à diminuição da ansiedade (Davidson, Goleman, & Schwartz, 1976). Pesquisas mais recentes têm confirmado essa idéia através de medidas cognitivas e neurais. Por meio do Exame de Tomografia Computadorizada por Emissão de Fóton único (SPECT) (Newberg et al., 2001) e por medição de ondas gama (Lutz et al., 2004), esses dois estudos verificaram que meditadores budistas experientes tinham respostas cerebrais que indicavam um poder significativamente maior de concentração, em comparação com o grupo-controle.

Dois estudos que investigaram praticantes da meditação concentrativa, também observaram diferenças significativas na habilidade atencional (Brefczynski-Lewis et al., 2007; Carter et al., 2005). Além disso, o estudo de Brefczynski-Lewis et al. corroborou uma das idéias centrais da meditação concentrativa, a de que, quanto maior o tempo de prática, menor o esforço exigido para manter maior foco. Os autores verificaram que os praticantes com maior número de horas apresentaram menor ativação das regiões envolvidas no processo meditativo, sugerindo que a técnica pode agir sobre a distribuição de recursos cognitivos, cuja idéia já havia sido demonstrada em outro estudo que utilizava a técnica mindfulness.

Através da tarefa do “piscar atencional”, foi constatado que as pessoas que participaram de um treino intensivo de três meses de meditação mindfulness tiveram uma redução da alocação dos recursos do cérebro para o primeiro estímulo da tarefa, com um conseqüente aumento da capacidade de detectar o segundo estímulo apresentado, sem que houvesse nenhum comprometimento na habilidade de perceber o primeiro (Slagter et al., 2007). Os autores concluíram que a habilidade de processar dois estímulos significativos e muito próximos temporalmente depende da eficiência com que os recursos mentais são empregados na percepção do primeiro estímulo, sendo a meditação uma forma de aumentar o controle sobre a distribuição desses recursos.

Embora com técnicas diferentes, essas pesquisas mostram resultados complementares, indicando que através da meditação é possível treinar habilidades cognitivas, como a atenção. Outros estudos se preocuparam em comparar as diferenças nos padrões cognitivos e na atividade neural entre os distintos tipos de meditação. Carter et al. (2005) verificaram que metade dos meditadores que praticaram o tipo concentrativo conseguiu manter uma estabilidade perceptiva significativamente prolongada no teste utilizado, comparado aos praticantes da meditação budista da compaixão (Carter et al., 2005). Outro estudo, ao comparar quatro subtipos da meditação budista, constatou que a atividade da freqüência gama (25-42 Hz) não apresentava uma distribuição igual entre as diferentes técnicas (Lehmann et al., 2001).

A partir desses resultados, pode-se inferir que existem algumas distinções nos mecanismos subjacentes a diferentes técnicas, mesmo que os resultados ainda não sejam conclusivos. Entretanto, também se pode notar que técnicas distintas parecem ser capazes de atuar na atenção, corroborando a idéia de que, mesmo havendo especificidades em cada prática, todas possuem a auto-regulação da atenção como processo básico comum.

Meditação, saúde física e saúde mental

Sintomas de estresse, em particular, têm apresentado resultados bastante significativos após o uso da meditação com populações clínicas e não clínicas, como apontam as medidas de sofrimento (distress) psicológico e marcadores biológicos (Cruess, Antoni, Kumar, & Schneiderman, 2000; Goleman & Schwartz, 1976; Oman, Hedberg, & Thoresen, 2006; Ostafin et al., 2006). Além disso, segundo uma meta-análise em que foi observado um alto e consistente tamanho de efeito da meditação sobre diversas situações clínicas, é através da redução do estresse que a meditação pode ser benéfica para diversas condições de saúde (Grossman, Niemannb, Schmidtc, & Walachc, 2004).

Estudos de acompanhamento descobriram que a meditação auxilia no gerenciamento e na redução do estresse, e que esse efeito se prolonga no tempo (Miller et al., 1995; Oman et al., 2006; Ostafin et al., 2006). Embora Ostafin et al. (2006) não tenham encontrado uma correlação positiva significativa entre a freqüência da prática e a diminuição do sofrimento psicológico, Oman et al. (2006) constataram que a adesão à prática de meditação ao longo de quatro meses, teve efeito direto na redução do estresse após esse tempo.

Outras pesquisas indicaram que a meditação pode proporcionar melhor adaptação ao estresse. Através de um estímulo aversivo, foi verificado que o grupo com maior experiência se recuperava mais rápido da excitação autonômica, ou seja, os meditadores experientes, após o término do estressor, tinham a freqüência cardíaca e a resposta de condutividade da pele diminuída mais rapidamente, o que indicava uma capacidade de habituação mais rápida ao estresse (Goleman & Schwartz, 1976). Nessa mesma direção, um estudo verificou que, mesmo quando praticantes iniciantes e avançados relatavam menor aceitação em condições de estresse, o grupo menos experiente apresentava significativamente menos aceitação (Easterlin & Cardeña, 1998).

Esses resultados são corroborados por estudos que mediram a relação entre meditação e cortisol e que observaram uma diminuição desse hormônio em pacientes HIV (Cruess et al., 2000) com câncer de próstata e mama (Carlson, Speca, Patel, & Goodey, 2004) e praticantes não clínicos (MacLean et al., 1997) em comparação aos controles. Ademais, essa redução esteve sempre associada à diminuição dos sintomas de sofrimento psicológico. Também foi constatado que a variância diurna da secreção de adrenocorticotrópico (ACTH) e ß-endorfina foi significativamente menor em meditadores em comparação a um grupo-controle, e que, portanto, essa técnica pode ter um efeito neuroendócrino modulador do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (Infante et al., 1998).

A prática meditativa também está associada à diminuição da ansiedade (Brown & Ryan, 2003; Davidson et al., 2003; Galvin et al., 2006; Schwartz, Davidson, & Goleman, 1978; Grossman et al., 2004), sendo que os efeitos de uma intervenção de oito semanas de meditação sobre a redução dos sintomas do transtorno de ansiedade generalizada e do transtorno de pânico, com e sem agorafobia, foram mantidos por três anos (Miller et al., 1995). Além disso, pessoas com o transtorno do comer compulsivo que passaram por uma intervenção que utilizava meditação, tiveram a freqüência e a intensidade de seus episódios diminuídas em função da redução da ansiedade e da depressão (Baer, Fischer & Huss, 2005; Kristeller & Hallett, 1999).

A meditação também é capaz de estimular aspectos saudáveis, estando muito associada à saúde mental (Goleman, 1988; Hankey, 2006). Uma pesquisa verificou que a prática meditativa associou-se à ativação do córtex pré-frontal esquerdo (Davidson et al., 2003), que está relacionado a afetos positivos e a maior resiliência (Davidson, 2004). Além disso, ondas teta produzidas pela meditação também mostraram correlação positiva com o relato da experiência emocional positiva durante a prática de meditadores experientes, em contraste com iniciantes (Aftanas & Golocheikine, 2001).

Medidas subjetivas e com instrumentos de auto-relato também indicaram que a meditação é capaz de gerar afetos positivos (Brazier, Mulkins, & Verhoef, 2006; Easterlin & Cardeña, 1998; Jain et al., 2007), melhorar o humor (Cruess et al., 2000), melhorar a qualidade de vida (Carlson et al., 2004) e o bem-estar psicológico (Brazier et al., 2006; Wallace, 1970), sendo que, quanto maior o tempo de prática, maior o relato da experiência emocional positiva (Aftanas & Golocheikine, 2001; Brown & Ryan, 2003). Além disso, uma pesquisa que comparou o afeto positivo entre meditadores experientes e um grupo-controle revelou que, mesmo em níveis basais, os meditadores apresentavam níveis significativamente maiores de afeto positivo (Goleman & Schwartz, 1976), corroborando o pressuposto das filosofias orientais de que a meditação pode trazer efeitos que se sobrepõem à condição de estado.

Assim, através da prática continuada, é possível transformar estados em traços, que atuam, inclusive, sobre a personalidade. Em comparação a um grupo-controle, meditadores experientes apresentaram menor neuroticisimo (Goleman & Schwartz, 1976; Leung & Singhal, 2004), sendo que, quanto maior o tempo de prática, menor era a prevalência desse traço (Leung & Singhal, 2004). Outro estudo verificou que meditadores mais experientes se mostraram mais adaptados, alegres, maduros, autoconfiantes e com melhor auto-imagem. Também foi observado que esses praticantes, em comparação com o grupo-controle, eram mais estáveis emocionalmente, conscientes, confiantes, relaxados e auto-suficientes (Sridevi & Krisha Rao, 1998).

Segundo Jain et al. (2007), a meditação pode proporcionar o desenvolvimento de características psicológicas positivas por meio da redução de pensamentos ruminativos e de distração. Ao comparar os efeitos da meditação e do relaxamento corporal, Jain et al. verificaram que, embora ambas as técnicas tenham produzido uma redução do sofrimento psicológico e um aumento de afetos positivos, a meditação teve um efeito maior no aumento dos afetos positivos. Além disso, foi a única técnica com efeito sobre a redução de pensamentos e comportamentos ruminativos.

Para Bishop et al. (2004), a consciência não-ruminativa desenvolve-se através de um processo meta-cognitivo característico da meditação, uma vez que esta trabalha fundamentalmente a auto-observação dos processos mentais. Essa idéia é consistente com os resultados que mostram um aumento da autoconsciência associada à prática meditativa (Brown & Ryan, 2003; Easterlin & Cardeña, 1998). Além disso, confirmam o pressuposto que, através dessa atividade, é possível atingir importantes níveis de insight (Goleman, 1988).

Em razão dessa relação entre meditação e aspectos psicológicos positivos, muitos autores a concebem como uma técnica útil para tratamentos psicoterápicos (Hayward & Varela, 2001; Martin, 1997; Naranjo, 2005). A meditação, assim como a psicoterapia, busca a eliminação das barreiras do ego, a fim de que as potencialidades humanas se manifestem (Martin, 1997; Naranjo, 2005). Através da focalização da atenção, a meditação pode ser interpretada como uma tentativa de desfazer os condicionamentos e as programações da mente (Goleman, 2003); além disso, o desenvolvimento de uma atenção livre de elaboração pode possibilitar o surgimento de conteúdos antes inacessíveis à consciência (Bishop et al., 2004); portanto, alguns autores acreditam que a meditação se aproxima dos pressupostos norteadores de diversas linhas teóricas da Psicologia (Naranjo, 2005; Vandenberghe & Sousa, 2006), podendo ser descrita como um estado de liberdade psicológica (Martin, 1997).

Aplicações

Além da relação com a psicoterapia, a meditação também passou a ser uma intervenção clínica utilizada como ferramenta para tratamentos coadjuvantes, tornando-se o foco principal de determinados programas de saúde. O Mindfulness-Based Stress Reduction (MBSR – Programa de Redução de Stress Baseado na mindfulness), por exemplo, é um programa desenvolvido por Kabat-Zinn, situado em uma clínica de redução de estresse para pacientes não hospitalizados no Centro Médico da Universidade de Massachusetts, cujo objetivo é proporcionar alívio ao sofrimento físico e psicológico (Kabat-Zinn, 2003). O programa é constituído de oito encontros semanais, de duas horas e meia, nas quais são treinadas as técnicas de posturas de yoga e meditação que devem ser praticadas no restante dos dias durante as oito semanas, por uma hora, em casa. Além disso, um retiro silencioso de sete horas é realizado na sexta semana. Inúmeros desfechos positivos de saúde, como a melhora da psoríase (Kabat-Zinn et al., 1998), dos transtornos de ansiedade (Miller, et al., 1995) e redução do estresse, tanto em pacientes não clínicos (Grossman et al., 2004; Jain et al., 2007) quanto clínicos (Carlson et al., 2004; Speca, Carlson, Goodey, & Angen, 2000), têm sido associados ao programa, o que sugere sua eficácia.

O MBSR também deu origem a outro programa similar, porém voltado para o tratamento da depressão, dentro de um contexto ligado à psicoterapia cognitivo-comportamental. Esse programa, intitulado Mindfulness-Based Cognitive Therapy (MBCT – Terapia Cognitiva Baseada na Mindfulness), tem como objetivo fazer um acompanhamento de pacientes depressivos que tiveram êxito na psicoterapia cognitiva, a fim de prevenir a sua recaída. Assim como o MBSR, o MBCT inclui oito encontros semanais, embora com grupos mais reduzidos, sendo que o participante não pode estar deprimido à época do treinamento. Esse programa diferencia-se da terapia cognitivo-comportamental na medida em que não enfatiza a mudança do conteúdo dos pensamentos, e sim, a transformação da consciência que o paciente possui acerca dos pensamentos e a forma como se relaciona com estes. O programa tem se mostrado eficaz para pacientes que tiveram pelo menos três episódios de depressão através do aumento do acesso à meta-cognição, em que pacientes vivenciam pensamentos e sentimentos negativos como meros estados mentais, e não como uma condição imutável do self (Teasdale et al., 2002).

Outro programa bastante conhecido em Harvard, no centro médico Mind Body Medical institute, foi desenvolvido no final da década de 60 pelo médico cardiologista Herbert Benson, e chama-se resposta de relaxamento (Casey & Benson, 2004). Benson cunhou o termo “resposta de relaxamento” para designar o conjunto de técnicas utilizadas, como a meditação e o relaxamento progressivo, no tratamento coadjuvante de diversas condições, buscando proporcionar maior saúde e bem-estar aos pacientes. O autor descreve a resposta de relaxamento como um conjunto de reações biológicas e emocionais opostas àquelas geradas pela resposta de luta ou fuga característica do estresse. Uma série de aplicações clínicas do programa tem mostrado resultados significativos, como menor somatização (Nakao et al., 2001), melhor manejo da dor crônica e aguda (Schaffer & Yucha, 2004), melhora de condições relacionadas ao estresse (Esch, Fricchione, & Stefano, 2003), entre outros.

A meditação e outras técnicas orientais e de relaxamento também vêm sendo utilizadas em sistemas de saúde de alguns países, como Nova Zelândia (Duke, 2005), Canadá (Andrewsa & Boonb, 2005), Austrália (McCabe, 2005), Reino Unido (Ernst, Schmidt, & Wider, 2005) e Estados Unidos (Spiegel, Stroud, & Fyfe, 1998), sob a designação de medicina complementar alternativa (CAM). No Brasil, o Ministério da Saúde, através da Portaria nº 971, com base em um documento da Organização Mundial da Saúde, aprova a utilização de práticas complementares da Medicina chinesa, como acupuntura, homeopatia e meditação (Ministério da Saúde, 2006). Todavia, ainda não há publicações científicas que retratem a utilização da meditação no sistema de saúde, embora certamente seja utilizada na prática clínica pública e privada. Nas universidades brasileiras, também há escassez de investigações acerca do assunto. Tem-se notícia de dois grupos de pesquisa que vêm trabalhando na área, um bastante voltado para a pesquisa, no Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), e outro mais direcionado para a prática e a inserção da técnica no âmbito da saúde mental, na Clínica-Escola de Psicologia da Universidade de Fortaleza (UNIFOR), onde é oferecido um serviço terapêutico gratuito à população.

(…)

Um estudo revelou que as pessoas que utilizaram a meditação de cunho espiritual tiveram maior redução da ansiedade, maior relato de afetos positivos e maior tolerância à dor, em comparação com o grupo que utilizou a meditação secular (Wachholtz & Pargament, 2005). Além disso, alguns autores sustentam que a meditação realizada fora de seu contexto original não é tão facilitadora de características tradicionalmente atreladas à prática, como níveis mais profundos de propósito na vida e auto-atualização (Shapiro et al., 2005). Entretanto, propõe-se que a meditação seja concebida como um processo multifatorial, em que muitos aspectos se inter-relacionam, mediando seus efeitos, como genética e traços de personalidade, motivações e valores, tanto pré-existentes como adquiridos com a própria prática e com as experiências individuais, além do tipo da técnica. Embora a espiritualidade possa ter um impacto positivo sobre o bem-estar e a saúde física e mental (Guimarães & Avezum, 2007; Peres, Simão, & Nasello, 2007), existe um limite que se refere às pessoas que não querem levar uma vida calcada na espiritualidade e que nem por isso devem ser impedidas de meditar ou de ter acesso à prática meditativa. Ademais, são necessários mais estudos comparando os diferentes tipos quanto aos seus mecanismos subjacentes e quanto a uma possível distinção do impacto de cada um.

Além das especificidades de cada tipo, ressalta-se que os estudos sobre meditação ainda suscitam opiniões divergentes quanto à aceitação da sua aplicabilidade e eficácia no campo da saúde. Alguns autores advertem que ainda são necessárias pesquisas com metodologias mais rigorosas para assegurar que a meditação seja, de fato, a responsável pelos efeitos observados (Baer, 2003; Bishop, 2002; Canter & Ernst, 2004). Entre os principais argumentos, estão a não randomização de muitas amostras, o número reduzido de participantes, a afiliação dos pesquisadores às organizações ligadas à técnica investigada e, até 2004, argumentava-se com a falta de uma definição operacional objetiva (Bishop et al., 2004; Cardoso et al., 2004).

Por outro lado, uma grande quantidade de estudos com resultados positivos sugere que a meditação pode ser eficiente no que tange a reações psicossomáticas e, especialmente, a experiências subjetivas, como a sensação de bem-estar e de crescimento pessoal. Com relação ao tempo necessário para que tais efeitos ocorram, não há uma precisão. Embora pesquisas revelem que com alguns meses já se pode observar uma diferença significativa em determinados estados, também há estudos indicando que, quanto maior o tempo de prática, maior a intensidade e a permanência das respostas produzidas. Portanto, a regularidade da prática constitui-se em mais uma variável mediadora dos efeitos da meditação e, possivelmente, em um diferencial na medida em que tais reações se transformam em aspectos mais duradouros e estáveis da personalidade.

Tendo em vista a relevância do estudo científico da meditação e de suas diversas facetas, sugere-se que esse é um campo a ser explorado nos centros de pesquisa do Brasil. O estágio ainda em desenvolvimento em que se encontram os estudos sobre meditação gera um solo fértil para a sua investigação, e possibilita, à medida que os resultados vão se tornando mais conclusivos, a sua inserção e disseminação na prática clínica. Além disso, recomenda-se que aqueles profissionais que já a utilizam em suas práticas terapêuticas relatem seus casos com o rigor científico necessário para que se inicie um movimento brasileiro de validação do uso da meditação como uma ferramenta destinada a promover a qualidade de vida nas suas diversas dimensões.

Referências

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meditacao unicamp campinas sp

Harvard Study Unveils What Meditation Literally Does To The Brain

Arjun Walia, December 11, 2014

http://www.collective-evolution.com/2014/12/11/harvard-study-unveils-what-meditation-literally-does-to-the-brain/

Numerous studies have indicated the many physiological benefits of meditation, and the latest one comes from Harvard University.

An eight week study conducted by Harvard researchers at Massachusetts General Hospital (MGH) determined that meditation literally rebuilds the brains grey matter in just eight weeks. It’s the very first study to document that meditation produces changes over time in the brain’s grey matter. (1)

“Although the practice of meditation is associated with a sense of peacefulness and physical relaxation, practitioners have long claimed that meditation also provides cognitive and psychological benefits that persist throughout the day. This study demonstrates that changes in brain structure may underlie some of these reported improvements and that people are not just feeling better because they are spending time relaxing.” – (1) Sara Lazar of the MGH Psychiatric Neuroimaging Research Program and a Harvard Medical School Instructor in Psychology

The study involved taking magnetic resonance images (MRI) of the brain’s of 16 study participants two weeks prior to participating in the study. MRI images of the participants were also taken after the study was completed.

“The analysis of MR images, which focused on areas where meditation-associated differences were seen in earlier studies, found increased grey-matter density in the hippocampus, known to be important for learning and memory, and in structures associated with self-awareness, compassion and introspection.” (1)

For the study, participants engaged in meditation practices every day for approximately 30 minutes. These practices included focusing on audio recordings for guided meditation, non-judgmental awareness of sensations, feelings and state of mind.

“It is fascinating to see the brain’s plasticity and that, by practicing meditation, we can play an active role in changing the brain and can increase our well-being and quality of life. Other studies in different patient populations have shown that meditation can make significant improvements in a variety of symptoms, and we are now investigating the underlying mechanisms in the brain that facilitate this change.” – (1) Britta Holzel, first author of the paper and a research fellow at MGH and Giessen University in Germany

(…)

Sources:

(1)  http://news.harvard.edu/gazette/story/2011/01/eight-weeks-to-a-better-brain/

http://www.princeton.edu/~achaney/tmve/wiki100k/docs/Grey_matter.html

“Vida após a morte” – escrevendo suas experiências espirituais

vida apos a morte experiencia espiritualApesar do nome “vida após a morte” possa ser bastante impactante, na verdade vamos falar sobre algo muito natural na vida de um buscador espiritual, e como isso pode auxiliá-lo e aos outros também.

É algo que o Cristo disse como:

“ Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus.”
Nicodemos perguntou-lhe: Como pode um homem renascer, sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no seio de sua mãe e nascer pela segunda vez?
Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus.
O que nasceu da carne é carne, e o que nasceu do Espírito é espírito.
Não te maravilhes de que eu te tenha dito: Necessário vos é nascer de novo.
O vento sopra onde quer; ouves-lhe o ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece com aquele que nasceu do Espírito.
João 3:3-7

 

 

Na verdade, não está se falando de forma alguma da morte física nem de uma EQM (experiência de quase morte) . Trata-se do homem, ainda vivo, ter uma vida completamente nova.

Isso é algo que os buscadores e praticantes espirituais experimentam no decorrer das suas vidas. Pude ver isso na minha própria vida, na minha avó e também em diversos colegas do nosso Centro Sri Chinmoy. Em alguns dos casos pude até presenciar toda a transição, do zero ao renascimento (que, diga-se, não tem fim antes da completa perfeição).

Na maior parte das vezes, não acontece nada muito espetacular do ponto de vista mágico. Mas a pessoa muda. Ela ganha um brilho especial no sorriso, um brilho raro. Um brilho nos olhos. Um brilho nas palavras. Um brilho no silêncio.

Coisas que não eram importantes passam a ser primordiais. Satisfação genuína – um sentimento de preenchimento – uma meta clara e real para a vida – a certeza inamovível de estar fazendo a coisa certa.

Coisas que eram primordiais parecem de repente superficiais – como sonho vazio que acaba e nos descobrimos tendo uma vida real.

O caminho normal e natural é através do nosso anseio interior por transformação, por luz, por verdade, por vezes com momentos marcantes. Aí chegamos no próximo ponto.

Escrevendo suas experiências espirituais

Na nossa jornada, por vezes nos deparamos com experiências especiais. Às vezes é uma pequena oração que é atendida. Algo que nos faz lembrar de que o nosso Pai está sempre cuidando dos filhos, por vezes agradando-os com pequenos regalos.

Eu vez eu estava voltando para casa, um pouco chateado, pois o dia tinha sido bem difícil e eu não tinha ficado bem equilibrado. Eu voltei para casa, e até pensei, falando com o Mestre: “Guru, bem que podia ter algo, como uma carta dos meus amigos, para mim.” Cheguei em casa e abri a caixa de correio sem esperanças. Lá estava uma carta de um amigo de San Francisco, o Hiyamallar, junto com uma das canções de Sri Chinmoy com dez páginas de comprimento! São 20 minutos cantando sem parar! Eu chorei ao ver o que o Guru tinha feito por mim, só para me consolar. Ele talvez já soubesse até que eu ia ter um dia assim e que ele gostaria de me fazer sentir amado e cuidado por ele, e por isso criou todo o plano.

Ou são experiências maiores. Fazemos algo, tomamos uma decisão importante para a vida ou temos uma meditação extraordinária e sentimos por um momento a felicidade da alma. Eu já tive essa experiência – quando terminei o relacionamento que tinha com a pessoa que seria a minha esposa. Nós dois sentimos que tínhamos metas diferentes, então não valeria a pena um atrasar o outro. Eu estava um pouco choroso, mas, ao mesmo tempo, repleto, absolutamente repleto de uma felicidade que eu nunca tinha experimentado antes.

Escrevi também uma experiência de sonho que tive, relacionada com a iniciação.

Apesar de eu ter contado algumas experiências, o importante e mais recomendado é você guardar elas para você. Quando estiver passando por dias de dúvida da sua prática, ler esses escritos irão ajudá-lo imensamente. Mesmo grandes almas como Swami Vivekananda usaram desse artifício divino.

Comece hoje, pois o tempo corre mais rápido na vida espiritual, e a memória fica para trás!

 

Como interpretar sonhos e visões interiores

Sri Chinmoy: Há outra coisa importante que gostaria de dizer. Sempre que tiverem sonhos ou visões, por favor, não tentem interpretá-los ou pedir a outras pessoas que os interpretem, pois vocês vão cometer um erro terrível. Se vocês tiverem uma visão ou uma experiência interior, mergulhem profundamente em seus interiores e descubram o significado ou me perguntem sobre o significado. Se tiverem uma experiência maravilhosa, escrevam para mim. Posso não responder exteriormente ou dar uma mensagem interior específica, mas vou abençoá-los e apreciarei suas experiências. Se tiverem uma experiência realmente divina, meu ser interior saberá imediatamente.

Meditation: God´s Duty and Man´s Beauty, p. 55-56

 

Todas as experiências são boas?

Pergunta: Venho tendo experiências telepáticas com pessoas que se chamam de mágicos. Converso com eles enquanto estão em outros lugares. Posso entrar nesse reino quando quiser. Estou curioso em saber como você responderia a essas experiências.

 Sri Chinmoy: Do mais elevado ponto de vista espiritual eu gostaria de responder à sua questão. Essas experiências o ajudarão a ir mais rápido em direção à sua meta? Não, não ajudarão. Essas experiências são fascinantes, indubitavelmente, mas nunca o levarão à realidade. Pelo contrário: elas são tentações noseu caminho para a realização em Deus, a elevadíssima Verdade. Em nossa vida espiritual, muitas vezes temos experiências fascinantes e não queremos mais aspirar. É verdade que essas experiências podem nos incentivar, mas muitas vezes, quando temos experiências demais, entramos no mundo vital. Vemos um caleidoscópio: vemos todos os tipos de coisas belas, mas elas são só tentações. Suponha que você esteja andando por uma rua em direção a um lugar específico. Se vê árvores, flores e lagos bonitos pela rua, o que acontece? O cenário é tão bonito que você acaba descansando. Você diz: “Deixe-me ficar aqui e apreciar isso,” e então para e aprecia a paisagem. Mas o seu destino permanece uma meta distante.

Um buscador sincero sabe que a meta dele é a Verdade mais elevada. Ele não adiará a jornada. Mas, no seu caso, posso ver que você aprecia essas experiências; você dá a elas a sua atenção consciente. Isso é muito errado. Na vida espiritual, aspiramos pela mais alta Verdade, por Deus, e por nada mais. Essas experiências são verdadeiras tentações para você. Você deveria sentir: “Tendo realizado Deus, terei experiências infinitamente mais belas, significantes e frutíferas”. Com essa idéia, você deveria deixar de lado essas experiências telepáticas. Se sente que entrando nessas experiências ou permitindo que elas entrem em você, acalentando-as, conseguirá experiências mais elevadas, está enganado. Você não irá nem um pouco mais adiante. Se insistir nelas a toda hora, se estiver constantemente fascinado por elas e sentir que é parte delas, será pego por essas experiências. Muitas pessoas cometeram esse engano, e para elas a realização em Deus permaneceu uma meta distante.

Buscadores sinceros tomam essas experiências como obstruções no caminho. Por favor, não dê atenção a esses tipos de experiências. Elas são fascinantes, mas não estão satisfazendo a sua vida de dedicação, realização e manifestação. De manhã cedo, tente silenciar a sua mente. Se conseguir silenciar a sua mente, não terá essas experiências. Elas estão vindo do mundo vital até você. Você está acalentando essas criações do mundo vital e tentando colocá-las à sua disposição, como se fossem muito suas. Mas elas não podem levá-lo à Meta mais elevada. Se a sua intenção é o Altíssimo, então essas coisas têm de ser descartadas. Quero que você vá até alguém que o inspire a entrar no reino da pura aspiração. Você será capaz de trazer à tona a luz da sua alma e correr o mais rápido possível em direção à Meta mais elevada.

Fifty Freedom-Boats to One Golden Shore 6, p.71-73

 

 

Contando suas experiências interiores aos outros

 

Pergunta: Você pode explicar o valor de tentar contar aos outros suas experiências interiores?

Sri Chinmoy: Alguns Mestres aconselham seus discípulos a compartilharem suas experiências apenas com eles. Na maioria das vezes não é aconselhável compartilhar as experiências interiores de alguém com outros. Suponha que você tenha tido uma muito elevada esublime experiência.Mesmo se você contá-la a seu amigo mais íntimo, o ciúme dele poderá tentar devorar a riqueza, a realidade viva da sua experiência. Ocorre algumas vezes que ao dividir suas experiências com um iniciante, este irá tentar ter a mesma experiência de qualquer jeito.Na vida espiritual isso nunca acontece. O progresso espiritual é um processo lento, constante e gradual. Por você ter provado uma manga e me contado, eu poderei talvez subir na mangueira.Mas se não souber como subir, ao tentar eu cairei e irei me machucar. Outra coisa: se você contar suas experiências interiores para outros, o orgulho humano deles poderá entrar em você.

Experiências interiores somente devem ser compartilhadas com a permissão do Mestre.

Se a pessoa não tem um Mestre,deve então mergulhar dentro de si profundamente e ouvir os ditames da sua alma. Se a alma ou o Mestre pedir a um ao buscador que compartilhe suas experiências com o resto do mundo, não haverá problema então. Pode ocorrer nesse caso que se a pessoa contar suas experiências, seus amigos fiquem inspirados a entrar no mundo de aspiração. Porém é sempre aconselhável perguntar ao Mestre ou ir fundo dentro de si, para saber quando se deve compartilhar suas experiências. De outra forma isso poderá criar resultados imprevistos e deploráveis para o próprio buscador ou para os outros com quem ele tenta compartilhar suas próprias experiências.

Earth-Bound Journey and Heaven-Bound Journey, p. 62-63

 

Pergunta: Quando estamos no mundo exterior, estamos livre e desimpedidos para falar de nossa vida espiritual ou devemos reservar isso só para os que aspiram?

Sri Chinmoy: Se você falar sobre suas experiências, poderá ficar em apuros.O solo tem que estar fértil. Se as pessoas são genuínas e sinceras, então sua conversa será frutífera. Do contrário, eles terão todo o direito de não compreendê-lo e ridicularizá-lo.Você pode não se importar se alguém zomba de você, porém a pessoa que não se beneficiou ou não se inspirou com o que você disse, infelizmente poderá tentar bloquear sua própria inspiração e aspiração. Nós devemos então usar nossa sabedoria que ele também é uma criança de Deus; deixe o momento do seu despertar chegar na Hora escolhida por Deus.Não é da sua conta acordá-lo. Quando alguém está pronto, clamando por uma vida mais elevada, aí então é a hora de você acordá-lo do sono que é a ignorância.

Se você der uma nota de mil dólares para uma criança, ela a rasgará. Para ela a nota não tem valor. Porém um adulto saberá o valor dos mil dólares. Similarmente quando você compartilha suas experiências interiores com um aspirante ou buscador, ele irá se beneficiar com isso. Ele sabe quão difícil é ter uma experiência interior. Aqueles que clamam pela vida interior, são as pessoas certas para compartilhar suas experiências.

Realization-Soul and Manifestation –Goal, p. 46-47

 

Experiências espirituais verdadeiras e falsas

 

Pergunta: Como posso dizer se as minhas experiências interiores são genuínas ou falsas?

Sri Chinmoy: Se ficar em dúvida quando tiver uma experiência interior, concentre-se no coração. Se a experiência for genuína, você vai sentir uma sensação sutil de formigamento. Se sentir como se uma formiga estivesse escalando ou se arrastando no seu coração, então saberá que a sua experiência é genuína.

Quando tiver uma experiência interior, tente respirar tão lenta e silenciosamente quanto possível, e sinta que está trazendo pureza ao seu sistema. Sinta que a pureza está entrando em você como uma linha e está girando ao redor do seu umbigo. Se você sentir que o seu coração espiritual não está disposto a entrar no seu umbigo, então a sua experiência é uma mera alucinação. No entanto, se o coração entra de bom grado no umbigo, esteja certo de que a sua experiência não é uma alucinação; é absolutamente verdadeira e genuína.

Quando tiver uma experiência e quiser saber se ela é válida, tente sentir por alguns minutos se você cresce naquela experiência ou não. Se sentir que pode crescer naquela experiência, mais cedo ou mais tarde, em uma hora ou duas, ou em um dia ou seis meses, então a sua experiência é genuína. Porém, se sentir que a realidade é alguma outra coisa e você nunca vai poder crescer naquela experiência, então ela não é genuína.

Quando tiver uma experiência, tente separar a sua vida exterior da sua vida interior. A vida exterior é uma vida de necessidade, demanda e exigência. A vida interior também é uma vida de necessidade, mas é da necessidade por Deus, não da sua necessidade; das exigências de Deus, não das suas demandas ou exigências. Tente sentir se é a necessidade de Deus que está operando em e através da sua experiência, se Ele precisa de você e quer satisfazer a Si mesmo em e através de você. Se você pode crescer nesse tipo de sentimento ou realização, a sua experiência é genuína. No entanto, se você se identifica conscientemente com as suas exigências, então a experiência não é verdadeira. É só uma alucinação.

Meditation: God’s Beauty and Man’s Duty, p. 45-47

O significado interior das cores

O significado espiritual das cores


Mesmo antes que eu soubesse

Quem Deus era,

Deus começou a pintar minha vida

Com Suas Cores-Compaixão.

– Sri Chinmoy, do livro Deus é

por Patanga Cordeiro

Vídeo explicando o significado espiritual de 42 cores

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O significado espiritual das cores

As cores têm diferentes significados. A cor prateada por exemplo, tem um significado especial, que é aplicável em todos os campos. Prateado significa pureza. Quando vir essa cor durante a meditação, saiba que alcançou um grande progresso na sua vida em termos de pureza. Ao ver a cor prateada, saiba que a sua mente, o seu vital e a sua consciência-corpo estão se tornando puros. Isso também se aplica quando vê a cor prateada na arte.

O buscador sincero pode se concentrar e meditar nessas cores [no livro de Sri Chinmoy, Colour Kingdom – Reino da Cor – que dá a qualidade espiritual associada a várias cores diferentes] para acessar as qualidades que as cores incorporam. A cor que irá lhe ajudar a trazer à tona a qualidade da qual está carente nesse momento é a cor certa para se concentrar. Você mesmo tem que fazer a escolha. A cor que lhe der a maior alegria ou alegria imediata ou a cor com que sentir que tem afinidade, é aquela que você escolherá, naturalmente. Se puser algumas das cores à sua frente, e uma delas o puxar como um ímã, essa é a cor para você – para a sua realização e manifestação.

Você vê cores diferentes durante várias meditações porque cada cor tem um significado próprio. O seu ser interior quer ser alimentado a toda hora com alimentos diferentes. Assim como existe a comida terrena, também há a comida Celestial. Essa comida é cor, luz e etc. Você não come a mesma comida todos os dias. Aqui, o ser interior quer ser alimentado por uma comida em particular. Ele escolhe a cor como um tipo de alimento. Você escolhe apreciar uma variedade de cores ou a mesma cor novamente. Fica a seu critério como satisfazer a si próprio.

 

vida apos a morte experiencia espiritualQual o significado de ver cores num sonhos?

Cada cor tem um significado espiritual. Num sonho você pode não enxergar ninguém ou ouvir quaisquer palavras; talvez só veja lampejos de luz. Quando ver luz nos seus sonhos, saiba que essa luz entrará em você e se manifestará em e através de você. Quando você conhecer o significado dessa luz, imediatamente será capaz de interpretar esses sonhos.

Ao ver uma cor branca pura no seu sonho, saiba que a pureza divina e consciência divina da Mãe estão entrando em você. A Mãe Universal possui todas as cores, mas a luz branca pura é a Sua cor predileta, e é através dessa cor que Ela Se manifesta. Portanto, a sua consciência virá como uma luz branca pura.

De forma parecida, se ver uma cor azul pálida, saiba que ela indica Infinidade, espiritualidade e grande poder. O verde significa nova vida, vitalidade e dinamismo. Ver luz verde quer dizer que uma nova vida despertou. Quando vê a cor vermelha, saiba que o poder divino está entrando em você.

Qual o significado espiritual de sonhar em cores e sonhar em preto e branco?

Sonhar em cores representa as diferentes fases da vida, diferentes tipos de consciência na vida da pessoa, sejam elas progressivas ou destrutivas. Sonhar em preto e branco significa a união da escuridão e da luz, da noite e do dia, das forças destrutivas e das forças positivas e construtivas.

 

Vendo luzes e cores durante a meditação

P: Em diferentes ocasiões vi luzes vermelhas, azuis e brancas durante algumas meditações. Você poderia explicar qual é o significado de cada uma delas?

R: O vermelho é o aspecto dinâmico de Deus. Representa o poder divino que você está vendo em seu próprio interior. Quando o poder da divindade entra na sua existência, você fica com energia.

O branco é a cor da pureza. Ele representa a consciência da Mãe Divina. Ao ver a cor branca ao seu redor, você sente que a sua existência física inteira está inundada de pureza, da ponta dos pés até o topo da cabeça.

Quando você vê uma cor azul clara, isso significa que a Infinidade está entrando na sua consciência aspirante. Você não consegue compreender a Infinidade com a sua mente. A mente imaginará uma grande distância, aumentará ela um pouquinho mais e parará por aí. Mas a Infinidade aumenta continuamente. Ao ver a cor azul, tente sentir que a sua consciência está se expandindo na Infinidade, e que a Infinidade está entrando na sua consciência aspirante.

 

P: Eu costumava ver e sentir uma luz dourada ao redor do meu coração, mas não consigo mais. Como posso recuperar essa presença maravilhosa?

R: Quando essa luz dourada – que é a luz da manifestação divina – toca a Terra, talvez ela não consiga permanecer por muito tempo. Se ela sentir que não pode permanecer no coração porque ele não é puro o suficiente, ela retrocederá. Entretanto, quando o coração é puro, essa luz funciona primeiro na região do coração. Depois ela se dirige ao vital e ao físico.

Recuperar a presença visível da luz não é necessário. Se você quiser seguir um caminho espiritual, não é a luz que você quer – é o constante cuidado de Deus por você, o verdadeiro amor e bênçãos Dele. Quando você tem o cuidado do Supremo, ele pode assumir a forma de luz, paz, poder ou qualquer outra qualidade divina.

Quando um iniciante enxerga uma luz, ele sente que está progredindo de modo extraordinário. Até certo ponto, é verdade. Se Deus lhe mostrar alguma luz, certamente você ficará inspirado a mergulhar profundamente no mar da espiritualidade. Porém, se Deus sentir que você precisa de paz e não de luz, Ele agirá através de você de uma maneira diferente.

Você quer readquirir a presença maravilhosa da luz. Mas não terá uma maior satisfação ao ver essa luz, porque não estará satisfazendo a Deus à maneira Dele. A sua meta mais elevada é agradar a Deus do Seu próprio modo. Quando Deus lhe proporciona uma experiência, você deve ficar extremamente grato a Ele. E quando Ele não lhe oferecer uma experiência, você deverá ficar igualmente grato, porque Ele sabe o que é melhor para você. Compete a você meditar com toda a alma, e compete a Ele lhe conceder luz, paz ou poder. Deus lhe oferecerá o que Ele tem e o que Ele é, se você oferecer a Deus o que você tem e o que você é. O que você tem é ignorância, e aspiração é o que você é. Portanto, peço que você agrade a Deus à maneira Dele e não se importe com as coisas que você teve uma vez e de que agora sente falta.

 

soul-birds-para-meditar-mandala-sri-chinmoyAs cores dos chakras

O chakra raiz, ou a lótus muladhara, tem quatro pétalas, que são vermelho e laranja na sua coloração. O chakra do baço, svadhisthana, tem seis pétalas. As pétalas são laranja, azul, verde, amarelo, violeta e vermelho-sangue. Vermelho-sangue é a cor mais protuberante neste chakra. O chakra do umbigo, manipura, tem dez pétalas. Elas são rosa, laranja e verde, mas primariamente verde. O chakra do coração, anahata, tem doze pétalas. Aqui a cor é brilhante dourada. O centro da garganta, o vishuddha lótus, tem dezesseis pétalas. Azul e verde são as cores. Mas dentro de cada pétala há quarenta e oito pétalas. Aqui a cor é rosa. O centro da coroa, sahasrara, tem 1000 pétalas, ou mais preciso, 972. Tem todas as cores, mas a cor violeta é predominante.

Azul: a cor da paz

Entre as cores, azul é a melhor para invocar a paz, porque azul indica a Infinidade. Quando alguém tem a Infinidade, automaticamente invoca a paz. Cada cor tem paz, mas pode-se invocá-la melhor com o azul.

 

As cores da aura de um Mestre

Pergunta: Quais são as cores principais da sua aura?

 Sri Chinmoy: As cores da minha aura são azul, para elevação espiritual e realização, e dourado para manifestação.

 

Livro Colour Kingdom

Recentemente descobri um livro muito interessante do autor indiano Sri Chinmoy, Colour Kingdom. Nele, o autor explica sobre as cores e seus significados espirituais. Quero dizer com isso que não seria com uma visão psicológica, compreensível pela mente, mas sim interna, mântrica, do coração e alma. Isso é: não precisamos compreender o significado; devemos mergulhar na essência da qualidade que a cor incorpora. O livro também está disponível em vídeo (legal, né?) com todas as cores representadas nele e um aforismo sobre cada qualidade que a cor simboliza. Link para o significado das cores para assistir, download e compartilhar.

Abaixo deixarei algumas cores das que mais gostei e os aforismos que acompanham elas. A seguir, algums perguntas e respostas sobre o significado espiritual das cores, retiradas também dos livros de Sri Chinmoy. Se tiver interesse, você pode ler o artigo sobre mantras visuais (algo como mandalas).

felicidade-para-meditar-mandala-sri-chinmoyBELEZA (Rosa)

“Uma vida de dever constante é uma vida de beleza suprema.” (Sri Chinmoy)

CONSCIÊNCIA (Azul Claro)

“O papel da consciência é aprofundar o silêncio e expandir o som.” (Sri Chinmoy)

VITÓRIA (Laranja)

“A vitória do amor humano é confusa. A vitória do amor divino é iluminadora. A vitória do amor supremo é preenchedora.” (Sri Chinmoy)

30+ VÍDEOS sobre meditação e espiritualidade

Página nova: Filmes espirituais e inspiradores!