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Dinamismo x letargia: meditação e atividade física é a resposta

por Adriano Passini

Dinamismo e letargia, duas palavras antagônicas que podem erguer ou destruir sua vida. Uma pessoa dinâmica é aquela que possui ânimo suficiente para colocar suas ideias e inspirações, que estão no plano mental em ação, ou mesmo ser uma pessoa mais ativa. Ao contrário disso, uma pessoa letárgica é aquela que não consegue fazer o mínimo necessário em algumas ou todas as atividades para se tornar uma pessoa melhor, vive planejando, pensando no futuro e não consegue materializar praticamente nada que é preciso para evoluir – uma pessoa estagnada.

Mas de onde vem esse o dinamismo? E a letargia? Como isso acontece? Para explicar essa situação, Sri Chinmoy descreve que nosso ser é dividido em 5 partes: o corpo, o vital, a mente, o coração e a alma. Cada parte é responsável por alguma coisa, e a letargia está associada ao corpo e ao vital.

O corpo é a parte materializada da nossa existência. Com ele conseguimos sentir e tocar as coisas. É nele que residem as outras quatro partes. Por natureza, o corpo é parte estática de nosso ser. Sem as demais partes, ele praticamente é uma união de átomos e moléculas que não tem serventia. Em resumo, o corpo quer apenas ficar parado e, se possível, dormindo. Porém, quando bem utilizado, é um forte instrumento de manifestação de Deus.

O vital é a parte responsável pelo dinamismo, porém junto com ele estão nossas emoções. Sem o vital, não somos capazes de fazer praticamente nada, é ele que nos fornece energia para realizar nossas ações. Mas, como no vital as emoções também imperam, é preciso que seja feita uma purificação para que fiquemos com a parte mais elevada que ele nos tem a oferecer.

É evidente que muitas pessoas tendem a ativar o dinamismo com mais facilidade que outras, pois elas possuem qualidades divinas que facilitam esse processo, tais como determinação e disciplina. Para ativar esse dinamismo de forma plena, é necessário muita força de vontade, porém, o método mais eficiente é através da meditação.

A meditação fará com que ativemos nosso coração, e através dele abrimos nossa porta de conexão com a alma. Isso é, a Graça Divina é capaz de entrar em nosso ser ativando o que temos de melhor. No caso do vital, ela ativa o nosso dinamismo. É por essa razão que muitos buscadores espirituais sentem vontade de praticar alguma atividade física ou então fazer alguma forma de serviço dedicado à humanidade após sua meditação diária.

O grande problema da letargia é que pode ser facilmente confundida com o cansaço. Muitas vezes as pessoas acham que estão cansadas, mas na verdade é a falta de dinamismo. Como pode alguém ficar cansado se dormiu mais de 8 horas em algumas noites e não fez nenhuma atividade física que fizesse ela ficar demasiadamente cansada? Não faz sentido algum. Em casos mais extremos, há pessoas que chegam a dormir mais de 10 horas por noite no final de semana, passam o dia vendo televisão e na internet e chegam na segunda-feira morrendo de sono.

Isso acontece porque a pessoa entrou na consciência do corpo e não ativou o seu dinamismo. Em um caso diametralmente oposto, como pode um atleta, que treinou intensamente no final de semana, chegar na segunda-feira com ânimo para enfrentar a semana? Essa pessoa ativou o dinamismo através de alguma atividade física.

O grande problema de uma pessoa que fica nesse estado de letargia é um ciclo vicioso. Ela entra na consciência do corpo, não ativa o dinamismo, e se sente cansada. Ela pensa que precisa de mais e mais descanso, mas na verdade precisa apenas quebrar esse ciclo, sair da inércia e ativar o dinamismo. Fazendo isso, ela automaticamente vai se sentir melhor e mais ativa, com muito mais ânimo.

Evidentemente para sair desta inércia, a pessoa precisa de um esforço consciente e determinação. Eu mesmo já passei por uma situação dessa, onde passei 6 dias sem atividade física alguma por ordem médica. Eu me senti cansado e sem ânimo para nada, foi horrível. No final do sexto dia, através da meditação, cheguei a conclusão que eu precisava de dinamismo e não estava cansado. Peguei minha bicicleta e pedalei durante 1 hora e meia, foi suficiente para ativar o meu dinamismo e me fazer sentir infinitamente melhor. Em resumo, eu eliminei a letargia do meu corpo e entrei em um estado de consciência muito mais dinâmico.

Muitas pessoas sabem que se praticar uma atividade física elas se sentirão muito melhores, mais ativas e felizes. Mas por que não fazem isso, por que tanta dificuldade em sair um pouco de casa e ativar o corpo? Porque sair da zona de conforto não é fácil. É preciso energia, assim como na química, para iniciar uma reação, é preciso uma energia de ativação. Essa energia nem todos têm facilidade em ativar. Mas todos nós precisamos conseguir essa energia. Algumas pessoas a tem naturalmente e outras conseguem através da meditação.

A meditação é algo realmente incrível, que pode nos levar à felicidade verdadeira, e uma das consequências dela é conseguir uma energia dinâmica que nos traz alegria. Portanto, se a meditação for feita da maneira correta, com toda certeza, o buscador conseguirá energia para realizar as mais diferentes tarefas do dia-a-dia.

15 a 30 minutos de disciplina diária para se sentir bem na semana

por Patanga Cordeiro, baseado nos escritos de Sri Chinmoy

Inspirado por meus colegas de trabalho, fiz uma lista pequena de atividades para você fazer e que, espero, faça se sentir melhor e mais feliz em alguns aspectos. Segue:

 

  • Meditar e/ou orar 3 minutos de manhã nos 7 dias da semana, depois de acordar e/ou antes de dormir;
  • Fazer exercício físico 3 dias da semana (15-30 minutos);
  • Alongamento profundo por 3 minutos, 3 dias na semana, dos músculos que sentir tensos (ex. pescoço, costas);
  • Relaxamento por 3 minutos: deitado no chão duro, de costas e olhos fechados, imagine que cada parte do corpo relaxa e se esvazia, uma por vez;
  • Ler livros impressos em papel por 15 minutos, 5 dias na semana;
  • Sorria ao se olhar no espelho. Se lembrar, sorria mais vezes durante o dia;
  • Se conseguir, tente não falar mais do que o absolutamente necessário sobre o negativo – procure se concentrar mais e gastar mais tempo nas coisas boas, e
  • Faça coisas de criança que lhe tragam um sentimento de alegria inocente – brincar, molhar-se na chuva, comer um sorvete, etc.

 

Fazendo isso, provavelmente perceberemos uma mudança leve na forma com que olhamos as coisas – o que é mais importante, o que é menos importante, coisas do dia a dia que gastam muito tempo e são desnecessárias, coisas que são importantes e gostaríamos de fazer mais, etc.

A partir daí, podemos continuar, mudar, aumentar, etc o programa de acordo com o que sentimos necessário para si.

Uma experiência de Clarice Lispector

Leia o texto abaixo logo mais, do livro Água Viva, de Clarice Lispector.

Parece que a escritora teve uma experiência transformadora, algo que acontece com buscadores conscientes e inconscientes do fato da sua busca. Leia mais sobre o despertar interior:


 

Agora – silêncio e leve espanto.

 

Porque às cinco da madrugada de hoje, 25 de julho, caí em estado de

graça.

 

Foi uma sensação súbita, mas suavíssima. A luminosidade sorria no ar:

exatamente isto. Era um suspiro do mundo. Não sei explicar assim como não se

sabe contar sobre a aurora a um cego.

É indizível o que me aconteceu em forma

de sentir: preciso depressa de tua empatia. Sinta comigo. Era uma felicidade

suprema.

Mas se você já conheceu o estado de graça reconhecerá o que vou dizer.

Não me refiro à inspiração, que é uma graça especial que tantas vezes acontece

aos que lidam com arte.

O estado de graça de que falo

não é usado para nada. é como se viesse

apenas para que se soubesse que realmente se existe e existe o mundo. Nesse

estado, além da tranqüila felicidade que

se irradia de pessoas e coisas, há uma

lucidez que só chamo de leve porque na

graça tudo é tão leve. É uma lucidez de

quem não precisa mais adivinhar: sem esforço, sabe. Apenas isto: sabe. Não me

pergunte o quê, porque só posso responder do mesmo modo: sabe-se.

E há uma bem-aventurança física que a nada se compara. O corpo se

transforma em um dom. E se sente

que é um dom porque se está se

experimentando, em fonte direta, a dádiva de repente indubitável de existir

milagrosamente e materialmente.

 

Tudo ganha uma espécie de nimbo que não é imaginário: vem do esplendor

da irradiação matemática das coisas e da lembrança de pessoas. Passa-se a

sentir que tudo que existe respira e exala um finíssimo esplendor de energia. A

verdade do mundo, porém, é impalpável.

Não é nem de longe o que mal imagino deve ser o estado de graça dos

santos. Este estado jamais

conheci e nem sequer consigo adivinhá-lo. É apenas

a graça de uma pessoa comum que a torna de súbito

real porque é comum e

humana e reconhecível.

As descobertas nesse sentido são indizíveis e incomunicáveis. E

impensáveis. É por isso que na graça eu

me mantive sentada, quieta, silenciosa.

É como em uma anunciação. Não sendo porém precedida por anjos. Mas é como

se o anjo da vida viesse me anunciar o mundo.

Depois lentamente saí. Não como se estivesse estado em transe – não há

nenhum transe – sai-se devagar, com

um suspiro de quem teve tudo como o

tudo que é. Também já é um suspiro de saudade. pois tendo experimentado

ganhar um corpo e uma alma, quer-se mais

e mais. Inútil querer: só vem quando

quer e espontaneamente.

Essa felicidade eu quis tornar

eterna por intermédio da objetivação da

palavra. fui logo depois procurar no dicionário a palavra beatitude que detesto

como palavra e vi que quer dizer gozo da

alma. Fala em felicidade tranqüila – eu

chamaria porém de transporte ou de

levitação. Também não gosto da

continuação no dicionário que dia:

“de quem se absorve em contemplação

mística”. Não é verdade: eu não estava

de modo algum em meditação, não houve

em mim nenhuma religiosidade. Tinha acabado de tomar café e estava

simplesmente vivendo ali sentada com

um cigarro queimando-se no cinzeiro.

Vi quando começou e me tomou. E vi quando foi se desvanecendo e

terminou. Não estou mentindo. Não tinha tomado nenhuma droga e não foi

alucinação. Eu sabia quem era

eu e quem eram os outros.

Mas agora quero ver se consigo prender o que me

aconteceu usando

palavras. Ao usá-las estarei destruindo um pouco o que senti – mas é fatal. Vou chamar o que se segue de

 

“À margem da beatitude”

Curso gratuito em vídeo de filosofia prática aplicada ao dia a dia – O que é filosofia?

por Patanga Cordeiro

O que é filosofia?

Poderíamos definir filosofia de muitas formas. Por que só uma estaria certa? Segundo Sri Chinmoy, a filosofia pode ser vista como um grau de verdade. Podemos utilizar essa verdade relativa como um trampolim para uma verdade ainda mais elevada. Assim, a filosofia também nos inspira a agir – corretamente, espiritualmente, na prática, com aplicação diária. Por isso fizemos um curso gratuito para quem quer “filosofar” e agir ao mesmo tempo.

Play video

Também é possível fazer o download gratuito do vídeo com o curso de filosofia

 

Curso de filosofia prática para o dia a dia

Montamos um minicurso gratuito de 3h com Sri Chinmoy, onde você poderá absorver palavras de sabedoria que tem cunho prático e já aplicá-las na sua vida cotidiana.

O curso aborda diversos aspectos do ser humano moderno, desde a diferença entre o bem e o mal, passando pelo papel do corpo físico e dos esportes (os filósofos gregos eram atletas também!), arte, amor e as emoções de um aspecto mais elevado, o papel das organizações que existem no mundo (como a ONU), morte e reencarnação, oração e meditação e mais.

Abaixo deixamos algumas perguntas interessantes sobre a filosofia.

 

Perguntas e respostas sobre filosofia prática

Pergunta: como podemos fazer a filosofia espiritual ser uma realidade vivente em nossas vidas?

Sri Chinmoy: A única forma da filosofia se tornar uma realidade vivente é através da oração e meditação. Ao praticar oração e meditação, ao tentar manter um contato direto, imediato com o Piloto Interior, é que uma pessoa pode transformar a filosofia espiritual numa realidade vivente.

Você sente que os ocidentais conseguem compreender a filosofia oriental?

Sri Chinmoy: Alguns a entendem perfeitamente. Aqueles que não possuem interesse em compreendê-la devem sofrer em sua falta de compreensão. A mente ocidental acha difícil compreender a filosofia ocidental porque, no oriente, a filosofia não é separada da verdadeira vida espiritual e yoga. No ocidente, é diferente. Aqui diz-se: “Isso é religião. Isto é filosofia. Aquilo é vida. São coisas diferentes.” Na Índia, a espiritualidade possui o mais complete direito de chamar-se de filosofia, e a filosofia de chamar-se de espiritualidade. Ambas estão entrelaçadas.

Se você ensina algo sobre Deus, isso é religião, e não filosofia. Filosofia não reconhece Deus.

Sri Chinmoy: Esse é um conceito errado da filosofia ocidental. Toda a filosofia indiana, as escrituras védicas, começam com Deus, Brahman, o Infinito, o Supremo inigualável. A filosofia indiana começa com os Vedas, os Upanishads, o Bhagavad Gita e outros escritos. A filosofia indiana moderna, também, começa e termina com Deus.

 

Perguntas em inglês sobre filosofia moderna, prática e aplicada ao dia a dia.

De Sri Chinmoy, Philosophy: wisdom-chariot of the mind, Agni Press, 1999

 

Question: Is philosophy a waste of time?

Sri Chinmoy: No, no, no! Philosophy has its own significance. To study philosophy is not a waste of time. Philosophy gives us the message of another world, a higher world. This is of paramount importance. Philosophy’s contribution can never be questioned. It is something substantial.

Question: Is there any consolation in philosophy?

Sri Chinmoy: Philosophy does have consolation-power deep inside it. When people suffer from the injustices and other shortcomings of the world, at that time philosophy can offer consolation. Philosophy will tell us: “This suffering is unimportant. God’s Light from Above is all we need; we do not need anything else.” In this way, philosophy can console people who are in the philosophical world.

Question: How can I better live the philosophy that you have already put forward?

Sri Chinmoy: Love, devotion and surrender is my philosophy. If you ask how you can better live it, then I will say, “Just do it.” There is no other way. It is only by practising and practising that you can better live our philosophy.

Question: Is there a danger of getting lost in philosophy?

Sri Chinmoy: Yes, there is a great danger of getting lost in philosophy. Many, many people have lost their spirituality by being too much involved in the mental jugglery of philosophy.

Question: Is philosophy really a degree of truth or is there something more?

Sri Chinmoy: Everything is a degree of truth. Such being the case, philosophy is also a degree of truth. The truth that philosophy embodies may be earth-bound; again, this truth may be Heaven-free. When philosophy gives us the message of renunciation, when it tells us to go beyond, then it becomes something more.

Question: What is the best philosophy for a spiritual seeker?

Sri Chinmoy: For a spiritual seeker, the best philosophy is always to abide by God’s Will. Whatever the seeker feels from within as God’s Will, he has to obey.

Question: Can the study of philosophy also promote spiritual progress?

Sri Chinmoy: The real inner progress, the heart’s progress, does not depend on the study of philosophy. Philosophy encourages us or stimulates us, but the real inner progress, love of God or implicit faith in God, philosophy does not or cannot supply us with. For that, spirituality must come into being. So philosophy as such cannot bring about spiritual progress because real spirituality is far beyond the domain of philosophy.

Servir ao próximo versus ajudar o próximo

musica para meditarpor Juliana

Estava assistindo um filme chamado Victoria e Abdul: O Conselheiro da Rainha, que é baseado em fatos reais, se passa em 1887, onde dois jovens indianos são escolhidos para viajar até a Inglaterra para presentear a Rainha Victoria. Abdul, um dos jovens, se torna amigo da Rainha e seu confidente. Em um dos momentos do filme a Rainha fala a Abdul como a vida dela é difícil e ela diz não entender o motivo para tudo aquilo, qual era o propósito de sua vida. Abdul, com muita doçura e sabedoria diz: “Servir, servir ao outro é o propósito, como está escrito no alcorão”.

Quando estava começando a despertar para vida espiritual, de forma inconsciente, lembro que estava em uma sessão de terapia e falei para minha terapeuta que tinha tido um “insight”, que o propósito da vida era servir o outro, lembro que ela me questionou, não me recordo ao certo o que ela falou, mas lembro que ela não concordava comigo. Nessa época, estava buscando um sentido para viver, não desejava estar por aqui, era doloroso de certa forma, não fazia sentindo a minha vida. E não havia motivo para me sentir assim, na verdade, eu tinha conseguido coisas que jamais imaginei conseguir, havia realizado meus sonhos, estava casada com uma pessoa especial, estava com saúde, enfim, nada que me fizesse triste em especial, mas sentia que faltava algo. Por esse motivo cheguei ao “insight” sobre ajudar o outro. Comecei a participar de um centro espírita kardecista, lá fazíamos entrega de comida para moradores de rua. Foi boa a experiência, mas sinceramente não era algo que me fazia sentir plena, era legal, mas não preenchia o vazio que estava sentido. Não era natural, estava mais para uma obrigação embora ninguém estivesse me cobrando nada. Fiquei com isso em mente, ajudar o outro, busquei outras alternativas, participei de eventos para arrecadar dinheiro para uma instituição sem fins lucrativos que ajudava crianças carentes. Mas me sentia da mesma forma.

O tempo foi passando até que encontrei o centro de meditação Sri Chinmoy, onde aprendi o que é meditação e descobri meu caminho espiritual. Nos primeiros meses senti que eu nunca conseguiria ajudar alguém da forma como estava, tinha várias questões e limitações para acertar. Com a meditação nos autodescobrimos e percebemos onde estamos. Entendi em que estágio me encontrava e ficou claro que só poderia ajudar alguém se me ajudasse em primeiro lugar. Sempre fui muito independente, a pessoa que “resolve” os problemas da família, que não amola os amigos com problemas, que acha pode resolver o problema de todos e que tenta mesmo ajudar da forma como pode. Com depois de algum tempo tentando meditar ficou evidente que eu não tinha esse poder de ajudar alguém, que era muita pretensão minha acreditar que eu tinha mais a oferecer ao outro do que ele a mim. Ou que ajudando financeiramente alguém ou mesmo aconselhando, estaria eu contribuindo de alguma forma para a vida de alguém. Entendi que em alguns casos, na minha história familiar, eu acreditava estar ajudando, mas na verdade, estava atrapalhando o desenvolvimento das pessoas ao meu redor e que a melhor forma de viver é aquela que nos permite fazer qualquer coisa, mesmo a coisa errada, pois a experiência é que permitirá o aprendizado.

Após o curso, é dada a oportunidade de se tornar um aluno de Sri Chinmoy, isso para as pessoas que sentem que há alguma conexão interna com esse caminho. Me senti conectada e prossegui para a segunda etapa do processo. Continuei participando dos cursos de meditação, agora como auxiliar do professor. Chegava mais cedo para arrumar as cadeiras, organizar os livros, vídeos e receber os alunos. Foi muito natural participar de cada curso de meditação que foi realizado após ter finalizado o que eu participei. A cada curso, me sentia mais forte e consegui viver várias experiências internas a partir da história, postura, mensagem, relatos sobre experiências com a meditação, que os alunos e os professores contavam nas aulas. Até que um dia estava lendo um dos livros do meu mestre Sri Chinmoy, que falava sobre como sabemos que estamos fazendo a coisa certa para nossa alma, ou seja, quando estamos servindo a Deus da forma como Ele deseja que o façamos, e não da forma como nós achamos que devemos servi-Lo. Ele falava da naturalidade, da alegria que sentiríamos ao fazer tal serviço, da energia que sentiríamos (estou colocando com as minhas palavras, pois não me recordo as palavras exatas), mas basicamente ele dizia que ao nos sentirmos felizes estaríamos servindo corretamente.

Após um tempo, tivemos uma conversa muito especial com o líder do centro de meditação aqui no Brasil, ele é uma pessoa muito inspiradora que emana uma energia muito sutil e que contagia, nessa conversa ele, que por muito tempo viveu muito próximo ao meu mestre quando ele estava encarnado, disse que o mestre gostava muito dos cursos, de quando seus alunos davam cursos. Ele dizia que era uma das melhores formas de servir. Nesse dia, consegui sentir o que significa servir, que é bem diferente de ajudar o outro. Ajudar faz com que nos elevemos a um patamar diferente do outro, com o “ajudar” fortalecemos as diferenças. Quando servimos o outro, estamos no mesmo degrau que ele, na mesma caminhada e caminho. Entendemos que estamos nos ajudando ao servir, que o serviço é um presente. Percebi o quão natural é participar dos cursos, estar presente como apoio, suporte, fazendo qualquer coisa. Percebi o quão triste me deixa quando ficamos um período sem cursos e quão feliz é escutar as histórias de superação, as dúvidas, as experiências de cada aluno.

O Filme Victoria e Abdul: O Conselheiro da Rainha, me fez relembrar o que representa servir, o serviço ao outro pode ser feito a todo momento, na forma como se fala com o outro em qualquer situação, nas ações do dia a dia, estar presente não só fisicamente, mas efetivamente ouvindo, num abraço forte ou na palavra de apoio. O serviço é o que dá sentido à vida. Mas para servir temos de nos cuidar, nos nutrir, nos amar. Com a meditação conseguimos sentir o que significam várias coisas que geralmente são ditas, mas que poucos sentem. Posso recomendar essa experiência, temos os cursos que sempre acontecem mensalmente e será um prazer para todos que participam do curso servindo, servir a você!

Amar é ver o homem em Deus. Servir é ver Deus no homem. -Sri Chinmoy