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Pergunta: Seus ensinamentos podem ser recebidos por qualquer pessoa, ou é necessária alguma qualificação?

paz interior

Pergunta: Seus ensinamentos podem ser recebidos por qualquer pessoa, ou é necessária alguma qualificação?

Sri Chinmoy: Para se tornar meu discípulo, em primeiro lugar é necessário ser muito sincero e dedicado. É necessário sentir que a vida espiritual não é a vida de prazer e conforto: é uma vida de sinceridade, simplicidade e perfeição. Qualquer buscador que seja sincero está pronto para a vida espiritual. No entanto, uma pessoa pode ser extremamente sincera e, ao mesmo tempo, pode não estar destinada ao nosso caminho.

O nosso caminho é o caminho do amor, devoção e entrega. Não dizemos que se alguém não segue o nosso caminho, essa pessoa não é adequada para a vida espiritual. Milhões de pessoas na Terra estão muito prontas para a vida espiritual, mas não são adequadas ao nosso caminho justamente porque não se interessam tanto pelo amor, devoção e entrega que queremos praticar nas nossas vidas. Mas eles se adequarão a vários outros Mestres espirituais e caminhos espirituais.

Escolher um caminho é como escolher uma universidade. Duas universidades podem ter um padrão igualmente elevado, mas uma será mais adequada a um certo aluno do que a outra. Mas ambas as universidades estão servindo a humanidade com conhecimento. De maneira similar, o nosso é um dos caminhos, e não o único caminho. É um caminho que leva até a Meta. Se você seguir outro caminho, certamente chegará no seu destino. O destino é sempre o mesmo.

De: The Inner Journey

2017 – Outubro – noticias por SMS

Neste mês:

 

Sua alma tem uma missão especial.

Ela está supremamente consciente disso.

Maya, a ilusão ou esquecimento, faz você sentir que é finito, fraco, desamparado. Isso não é verdade. Você não é o corpo.

Você não é os sentidos. Você não é a mente. Eles são todos limitados.

Você é a alma, que é ilimitada. Sua alma é infinitamente poderosa.

Sua alma desafia o espaço e tempo.

– Sri Chinmoy

 

Coisas que já recomendamos antes:

Dia 11 de outubro foi o aniversário do Mahasamadhi de Sri Chinmoy. Abaixo, marcadores de página em homenagem, com o seu último poema publicado antes do Mahasamadhi.

Atthaka – o livro budista das oitavas

por Patanga Cordeiro

O Atthaka é uma compilação dentre as mais antigas do budismo, passada oralmente por séculos, por fim escritas para benefício dos buscadores.

O Atthaka se chama de livro das oitavas porque a maior parte dos seus 16 textos possui oito frases. Como de costume na literatura budista, os temas abordados são frequentemente a busca pelo eu verdadeiro, a irrealidade do exterior, a falta de valor das conclusões e do ego, a pureza no caminhar e agir e a vida de disciplina.

(Vale lembrar que, assim como o Dhammapada, o Atthaka se foca no Jñana Yoga budista, e que buscadores de outros caminhos poderão sentir que há outras possibilidades na vida espiritual além da renúncia e abstinência (vejam mais no artigo sobre o livro Dhammapada) que levam ao Nirvana, pois há outras metas de iluminação que são paralelas ao Nirvana do Buda.)

Para consultas, usei o livro “Dhammapada – caminho da lei e Atthaka – o livro das oitavas / doutrina budista ortodoxa em versos”, da Editora Pensamento, traduzido por Georges da Silva.

Abaixo, tento resumir em uma frase, com minhas palavras e numa leitura superficial e pessoal, a mensagem que me inspirou cada um dos dezesseis textos do Atthaka.

 

Meu resumo do Atthaka

  1. Liberte-se das paixões e seja feliz por não depender delas
  2. Salve-se dos seus desejos e torne-se imperturbável.
  3. Não dê atenção a conversas, sejam boas ou ruins. Equânime, mantenha-se acima dos rótulos.
  4. Não se adquire pureza com conceitos – é necessário praticar o dhamma/dharma.
  5. Não tenha preconceitos, seja “bom” ou “ruim”, não valorize uma disciplina espiritual ou religião sobre a outra e enxergará mais facilmente a verdade.
  6. A vida é curta, então flutue como um lótus no pântano, pois não vale apena cobiçar ou desejar, para, alcançando o objeto, repudiá-lo.
  7. O sábio deve ater-se rigorosamente à abstinência da sensualidade e luxúria. “Deve ir sempre só em suas peregrinações, pois que este é o tipo de vida que enobrece.”
  8. Não desperdice energia discutindo e comparando ideias e filosofias. Melhor é ser contente, sem combater.
  9. Alcança a pureza aquele que não se deixa iludir pelas aparências, pelo que dizem as pessoas comuns e pensam as demais. “Os pensamentos tentadores, que evocam desejos e luxúria, jamais conseguiram despertar em mim o menor desejo que seja pelas relações sexuais. Que é, afinal de contas, esta bela filha que tendes, senão um saco de excrementos? Eu não a tocaria nem mesmo com o pé.” – Buda
  10. Perfeito é aquele que conseguiu vencer o desejo – não tem filhos, fado, terras, capital, ressentimento, tempo, classe e nem seus próprios pensamentos do passado o afetam.
  11. A discórdia entre os homens vem das paixões pessoais. As paixões vêm do desejo. O desejo vem da noção de “agradável” e “desagradável”. A ilusão é consequência da percepção.
  12. Não existe verdade que possa ser obtida por meio sensorial. “Abstei-vos, por isso, de toda e qualquer teorização, com suas inevitáveis disputas.”
  13. Deixe de ver nome e forma, sendo liberto dos conceitos baseados nas coisas vistas e ouvidas, e será tranquilo, transcendendo tanto o tempo quanto a abstinência.
  14. O indivíduo que alcançou disciplina e se libertou das coisas do mundo não deve mais pensar em termos de “eu”. Trate cada um de si, não se queixe nos períodos de adversidade, nem anseie pela mudança de circunstâncias que não tema. Não acumule alimento, bebida ou roupas, e não se mostre ansioso por não obtê-los.
  15. “Vi homens debatendo-se como os peixes de um lago que está secando, atrapalhando-se uns aos outros. Oprimido pelo horror, vergou-se-me o corpo. Percebi que o mundo todo carece de substância e que a desintegração é a regra.”
  16. Aos indivíduos reclusos, que não se perturbem por perigos, argumentos sutis, fome, doença, frio ou calor, falta de lar, mostrem cordialidade a todos, afastem a cólera e orgulho, empreguem o tempo ordenadamente, sem desperdiça-lo na ociosidade, assim ficando sempre em plena vigilância e seguros de si. “Conseguindo manter-se equânime, solucionará todas as dúvidas e todos os problemas da sua mente. Assim falou o Buda.”

O livro Dhammapada – ensinamentos budistas (o Caminho da Lei)

Por Patanga Cordeiro

 

Brilha o sol durante o dia,

À noite brilha a lua;

Brilha o guerreiro na sua armadura,

Brilha o sábio na sua meditação;

Mas, dia e noite, o Iluminado sempre brilha, tudo iluminando.

– trecho do Dhammapada

 

o que e meditar mestreDhammapada significa o Caminho da Verdade, sendo uma antologia de 423 ensinamentos, dentre os ensinamentos tradicionais do budismo. Buda vem da palavra que significa desperto, consciente, ciente, visão e sabedoria. Siddharta Gautama alcançou tal estado e por isso é conhecido como Buda, sendo que há outros Mestres realizados que poderiam ter tal título, mas, em geral esse termo só é usado no budismo, e por isso onde ele é chamado de “O Buda”, sendo o foco das práticas budistas.

Uma parte dele é destinado à conduta de monges no caminho.

Para consultas, usei o livro “Dhammapada – caminho da lei e Atthaka – o livro das oitavas / doutrina budista ortodoxa em versos”, da Editora Pensamento, traduzido por Georges da Silva, e da versão traduzida do Dhammapada de Acharya Buddharakkhita. que é disponível gratuitamente em PDF.

Logo abaixo deixei alguns trechos do livro. Após, comentários sobre as diferentes escolas filosóficas.

 

 

 

 

Trechos do Dhammapada

 

Brilha o sol durante o dia,

À noite brilha a lua;

Brilha o guerreiro na sua armadura,

Brilha o sábio na sua meditação;

Mas, dia e noite, o Iluminado sempre brilha, tudo iluminando.

 

Os sábios dizem que correntes de ferro, madeira ou corda, não são fortes. Mas a paixão e o anseio por jóias e ornamentos, crianças e mulheres – isso, dizem, é uma corrente bem mais forte e que, embora aparentemente solta, é difícil de tirar. Esta também os sábios cortam. Sem saudade alguma, abandonando o prazer sensual, renunciam ao mundo.

 

Se falamos ou agimos com a mente lúcida, a felicidade nos acompanha tal como a sombra segue o corpo do qual se projeta.

Tudo o que somos hoje é resultado do que temos pensado. O que hoje pensamos determina o que seremos amanhã. Nossa vida é criação de nossa mente.

 

Com energia e diligência,
com domínio e autocontrole,
façam os sábios uma ilha
que as enchentes não possam inundar.

 

Os tolos e ignorantes
se entregam à negligência,
mas os sábios preservam a diligência
como o seu maior tesouro.

 

Começa por te estabelecer a ti mesmo no Caminho, só então poderás instruir os outros. Assim o sábio evita censuras.

 

Amigável entre os hostis,
pacífico entre os violentos,
desapegado entre os apegados:
esse é o verdadeiro brâmane.

 

Percebendo claramente o Caminho, não negligencies; continua nele, vigilante, mesmo que de grande valor te pareçam outras vias.

 

Seja o seu próprio protetor,
seja o seu próprio refúgio.
Assim controle a si mesmo
tal como um mercador a sua preciosa montaria.

 

 

Melhor não praticar uma ação prejudicial
pois uma ação condenável atormentará mais tarde.
Melhor praticar uma ação benéfica,
que praticada, não atormenta.

 

A falta de repetição compromete a eficácia dos mantras. A falta de conservação é a ferrugem que compromete a solidez das habitações. A falta de exercícios saudáveis é a ferrugem que compromete a beleza e a saúde do corpo. A falta de atenção é a ferrugem que compromete o vigilante

 

Se renunciando a uma felicidade menor se pode perceber uma felicidade maior, que o homem sábio renuncie à menor, considerando a maior.

 

As impurezas só aumentam para aqueles que são arrogantes e descuidados, que deixam de fazer o que deve ser feito e que fazem o que não deve ser feito.

 

Escola filosófica e valor dos escritos do Dhammapada para cada um

Para quem são recomendados os ensinamentos:

Na parte dos ensinamentos espirituais, o livro, como os ensinamentos das escolas budistas em geral, foca nossa atenção no desenvolvimento do Jhana, o autoconhecimento, conhecido na Índia como Jñana Yoga. Esse conhecimento é justamente não conhecer o mundo externo, considerando-o uma ilusão efêmera, mas sim compreender espontaneamente a sua própria realidade imorredoura. Não se adquire Jhana através de leituras, mas, sim, através de meditação e prática correta. Tal é a beleza dos ensinamentos!

Os ensinamentos morais são de natureza pacifista até mesmo diante de sacrifício próprio, e semelhantes com os encontrados no Novo Testamento, com as palavras do Cristo.

Para quem não se pode recomendar levar os ensinamentos ao pé da letra:

Pelo mesmo motivo, para aqueles que não se identificam com a visão de que o mundo é um ilusão, e sentem que o mundo é parte de Deus, parte da Sua criação, e que devemos agir no mundo e servir a sua realidade divina incipiente, seja através da meditação, da devoção ou da ação (Bhakti e Karma Yoga), o livro se demonstrará um pouco desolado. Isso acontece porque muito dos ensinamentos dos caminhos de Jñana Yoga (como o budismo) focam-se na irrealidade do mundo externo.

Aqueles que se identifiquem com valores morais diferentes do Dhammapada talvez se beneficiem de outras leituras, como Swami Vivekananda, Sri Aurobindo e Sri Chinmoy. Esses três Mestres viveram no século XX e dão uma postura diferente com relação à parte moral da espiritualidade. Em contraste à paciência ou resignação do Jñana yogi, há o serviço ou ação (Karma Yoga), que é uma forma de agir em benefício dos outros – na verdade, em benefício do Divino, em concordância direta com a Sua Vontade – e pode não ser, necessariamente, ações de caridade ou elogios. Em um exemplo, não se deve sacrificar cegamente suas oportunidades por outros.

(por exemplo, é necessário defender-se; a lei “quando baterem na sua face esquerda, dá a direita também”, mas para o Karma yogin, ele deve sempre agir quando preciso, pois assim alcançará o seu potencial (físico, mental, espiritual) máximo. Esse esforço em si auxiliará no progresso espiritual individual.)

No final

é isso o que mais importa:

Quão bem você amou?

Quão plenamente viveu?

Quão completamente largou?

– O Senhor Buda


Se tiver interesse em temas budistas, recomendo também o livro Atthaka.

Mirabai e o sannyasi – uma história em Vrindavan

a santa mirabaiUma história sobre Mirabai e o sannyasi

Do livro Mantu’s Heart-Songs

Por Mantu Ranjan Ghose, traduzido ao inglês por Sri Chinmoy

Chinmoy traduziu uma das minhas histórias para o inglês. Era uma história sobre Mirabai e um sannyasin. Contarei a sinopse da história. Mirabai chegou em Brindavan vinda do Rajastão. Ela soube que havia um sannyasi bengali morando em Brindaban e quis muito visitá-lo. Seu nome era Haridas. Ela enviou uma mensagem para contatar Haridas e marcar uma reunião. Haridas respondeu que, sendo um sannyasi, seria impossível que ele encontrasse uma mulher, e falar com uma estaria fora de questão. Ele disse que estava praticando disciplinas espirituais rigorosas.

Quando Mirabai ouviu o que o sannyasi havia dito, ela ficou decidida a visitar o sannyasi pessoalmente. Ela foi até o lugar onde estava meditando e disse a ele: “Eu pensava que em Brindaban só havia um homem, e seu nome seria Sri Krishna. Você se diz um homem. Você pensa que é outro Krishna?”

Foi assim que Mirabai destruiu o orgulho do sannyasi.