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O que é nirvana?

O que é nirvana?

Pergunta: Você nos explicaria o que é nirvana?

Sri Chinmoy: Centenas de milhares de livros foram escritos sobre o Nirvana. Ouvimos falar do Nirvana primeiramente através do Senhor Buda. Foi ele quem compartilhou com o mundo o conceito do Nirvana.

O que é Nirvana? É a extinção dos desejos, sofrimento, amarras, limitações e morte. É um estado muito elevado de consciência, onde o Deleite transcendental reina supremo. Quando se está em Nirvana, o seu jogo cósmico está concluído, e não se barganha com tempo ou ações. O Dia Dourado amanhece quando, através da sua aspiração, o buscador entra na consciência Nirvânica. Ele vai além dos limites do tempo e espaço. Explicamos que, no Nirvana, o Divino desfruta do Seu estado auto-amoroso. Nirvana é a extinção dos desejos, sofrimentos e tristezas terrenas, e ao mesmo tempo o Deleite e desfrutar divino do transe mais elevado.

(vídeo para meditação: Sri Chinmoy demostra estágios altíssimos de consciência, além do Nirvana)

 

Nirvana e reencarnação

Se alguém teve uma vida de bondade e alcança o Nirvana, isso significa que ele não reencarnará novamente?

Sri Chinmoy: Reencarnação não significa que se alguém faz coisas boas, coisas divinas, ele não retornará, e que se alguém faz coisas ruins, coisas indevidas, ele retornará. Não, todos retornarão ao mundo, mas aquele que faz coisas boas terá na sua próxima encarnação uma vida melhor do que alguém que faz coisas ruins.

Nirvana é o caminho da negação. Aqueles que seguem o caminho do Nirvana desejam permanecer na derradeira Bem-Aventurança, ou você pode chamar de extinção. Mas não deveríamos usar o termo “extinção” – é a derradeira Bem-Aventurança. Essas pessoas não querem reencarnar. Quando entram em Nirvana, a jornada acaba para elas. A alma sente que não caminhará ou correrá mais. Ela não quer se envolver com atividades terrenas. Ninguém exceto o Supremo pode compelir a alma a reencarnar. Mas apesar do Supremo ter poder para obrigá-la, Ele não o faz. O Supremo não obriga ninguém.

Entretanto, existem almas que querem tomar parte consciente na Lila de Deus ou Peça divina. Sabem que a reencarnação é absolutamente necessária para aqueles que querem servir a Deus aqui na Terra. Realiza-se Deus na Terra – em nenhum outro planeta ou plano pode haver realização. Então, após a realização, algumas almas fazem a promessa de que retornarão, como fizeram Swami Vivekananda e Sri Ramakrishna ao dizer que, mesmo se uma única pessoa não realizada permanecesse na Terra, eles estariam prontos para retornar.

São as mesmas almas que continuam retornando à Terra?

As mesmas almas retornam, mas o Supremo também cria novas almas. Por várias razões, muitas almas pediram para descansar antes de completar a sua parte no Jogo Cósmico. Aqueles que seguem rigorosamente o caminho do Senhor Buddha e entraram em Nirvana não retornaram. Então o Supremo envia novas almas ao mundo para substituí-las.

 

Alcançando o Nirvana através de um Mestre

Incomoda você receber essas vibrações de nós vinte e quatro horas por dia?

Sri Chinmoy: Não, e pelo contrário, ficarei muito feliz se meu filho espiritual estiver pensando em mim. Se estiver pensando mal de mim, ficarei triste. Mas mesmo que alguém passe seu tempo pensando mal de mim, isso é uma bênção para a pessoa. Havia um indivíduo que odiava o Buda. Mas o Buda disse que esse indivíduo iria alcançar o Nirvana, pois pelo menos ele estava pensando no Buda vinte e quatro horas por dia. Estava sempre pensando em como capturar o Buda ou destrui-lo. Era uma abordagem negativa. Mas ao menos ele focava toda a sua atenção no Buda. Agora, é claro que é sempre melhor abordar o Mestre de uma maneira positiva.

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Como ter mais disciplina

Por Patanga Cordeiro

Normalmente sentimos necessidade de mais disciplina ao realizar nossas ações, nossa meditação, nosso dia. Por vezes, ficamos só na imaginação, esperando que um dia ela irá crescer. Por outras, usamos a própria mente para forçar um aumento na disciplina, que por sua vez pode trazer outros desequilíbrios na nossa vida. Sri Chinmoy, um Mestre espiritual, no entanto, tem a solução profunda para o nosso dilema, de forma clara, concisa e natural.

 

Pergunta: Como podemos disciplinar a mente?

Sri Chinmoy: Tente sentir que você não tem mente, mas sim alma. Se não conseguir sentir a presença da sua alma, ainda assim poderá facilmente sentir a presença do seu coração. Deixe que a Luz do seu coração percorra o seu ser por completo. Quando isso acontecer, saiba que transcendeu a mente intelectual, racional, e entrou na mente iluminada.

Quando a Luz cresce no coração ou sai da alma e permeia o corpo todo, a mente é disciplinada automaticamente. É impossível disciplinar a mente só na base da imaginação ou pela força. Seria como endireitar permanentemente o rabo curvo de um cão. Se puder viver na alma, ou mesmo no coração, a Luz da existência interior transforma a mente física numa região mais elevada ou traz a Paz tudo-preenchedora das alturas à mente física rudimentar. Quando a Paz vem à mente, ou a mente se eleva ao domínio superior da Luz, a mente que conhecemos desaparece automaticamente.

Dinamismo x letargia: meditação e atividade física é a resposta

por Adriano Passini

Dinamismo e letargia, duas palavras antagônicas que podem erguer ou destruir sua vida. Uma pessoa dinâmica é aquela que possui ânimo suficiente para colocar suas ideias e inspirações, que estão no plano mental em ação, ou mesmo ser uma pessoa mais ativa. Ao contrário disso, uma pessoa letárgica é aquela que não consegue fazer o mínimo necessário em algumas ou todas as atividades para se tornar uma pessoa melhor, vive planejando, pensando no futuro e não consegue materializar praticamente nada que é preciso para evoluir – uma pessoa estagnada.

Mas de onde vem esse o dinamismo? E a letargia? Como isso acontece? Para explicar essa situação, Sri Chinmoy descreve que nosso ser é dividido em 5 partes: o corpo, o vital, a mente, o coração e a alma. Cada parte é responsável por alguma coisa, e a letargia está associada ao corpo e ao vital.

O corpo é a parte materializada da nossa existência. Com ele conseguimos sentir e tocar as coisas. É nele que residem as outras quatro partes. Por natureza, o corpo é parte estática de nosso ser. Sem as demais partes, ele praticamente é uma união de átomos e moléculas que não tem serventia. Em resumo, o corpo quer apenas ficar parado e, se possível, dormindo. Porém, quando bem utilizado, é um forte instrumento de manifestação de Deus.

O vital é a parte responsável pelo dinamismo, porém junto com ele estão nossas emoções. Sem o vital, não somos capazes de fazer praticamente nada, é ele que nos fornece energia para realizar nossas ações. Mas, como no vital as emoções também imperam, é preciso que seja feita uma purificação para que fiquemos com a parte mais elevada que ele nos tem a oferecer.

É evidente que muitas pessoas tendem a ativar o dinamismo com mais facilidade que outras, pois elas possuem qualidades divinas que facilitam esse processo, tais como determinação e disciplina. Para ativar esse dinamismo de forma plena, é necessário muita força de vontade, porém, o método mais eficiente é através da meditação.

A meditação fará com que ativemos nosso coração, e através dele abrimos nossa porta de conexão com a alma. Isso é, a Graça Divina é capaz de entrar em nosso ser ativando o que temos de melhor. No caso do vital, ela ativa o nosso dinamismo. É por essa razão que muitos buscadores espirituais sentem vontade de praticar alguma atividade física ou então fazer alguma forma de serviço dedicado à humanidade após sua meditação diária.

O grande problema da letargia é que pode ser facilmente confundida com o cansaço. Muitas vezes as pessoas acham que estão cansadas, mas na verdade é a falta de dinamismo. Como pode alguém ficar cansado se dormiu mais de 8 horas em algumas noites e não fez nenhuma atividade física que fizesse ela ficar demasiadamente cansada? Não faz sentido algum. Em casos mais extremos, há pessoas que chegam a dormir mais de 10 horas por noite no final de semana, passam o dia vendo televisão e na internet e chegam na segunda-feira morrendo de sono.

Isso acontece porque a pessoa entrou na consciência do corpo e não ativou o seu dinamismo. Em um caso diametralmente oposto, como pode um atleta, que treinou intensamente no final de semana, chegar na segunda-feira com ânimo para enfrentar a semana? Essa pessoa ativou o dinamismo através de alguma atividade física.

O grande problema de uma pessoa que fica nesse estado de letargia é um ciclo vicioso. Ela entra na consciência do corpo, não ativa o dinamismo, e se sente cansada. Ela pensa que precisa de mais e mais descanso, mas na verdade precisa apenas quebrar esse ciclo, sair da inércia e ativar o dinamismo. Fazendo isso, ela automaticamente vai se sentir melhor e mais ativa, com muito mais ânimo.

Evidentemente para sair desta inércia, a pessoa precisa de um esforço consciente e determinação. Eu mesmo já passei por uma situação dessa, onde passei 6 dias sem atividade física alguma por ordem médica. Eu me senti cansado e sem ânimo para nada, foi horrível. No final do sexto dia, através da meditação, cheguei a conclusão que eu precisava de dinamismo e não estava cansado. Peguei minha bicicleta e pedalei durante 1 hora e meia, foi suficiente para ativar o meu dinamismo e me fazer sentir infinitamente melhor. Em resumo, eu eliminei a letargia do meu corpo e entrei em um estado de consciência muito mais dinâmico.

Muitas pessoas sabem que se praticar uma atividade física elas se sentirão muito melhores, mais ativas e felizes. Mas por que não fazem isso, por que tanta dificuldade em sair um pouco de casa e ativar o corpo? Porque sair da zona de conforto não é fácil. É preciso energia, assim como na química, para iniciar uma reação, é preciso uma energia de ativação. Essa energia nem todos têm facilidade em ativar. Mas todos nós precisamos conseguir essa energia. Algumas pessoas a tem naturalmente e outras conseguem através da meditação.

A meditação é algo realmente incrível, que pode nos levar à felicidade verdadeira, e uma das consequências dela é conseguir uma energia dinâmica que nos traz alegria. Portanto, se a meditação for feita da maneira correta, com toda certeza, o buscador conseguirá energia para realizar as mais diferentes tarefas do dia-a-dia.

15 a 30 minutos de disciplina diária para se sentir bem na semana

por Patanga Cordeiro, baseado nos escritos de Sri Chinmoy

Inspirado por meus colegas de trabalho, fiz uma lista pequena de atividades para você fazer e que, espero, faça se sentir melhor e mais feliz em alguns aspectos. Segue:

 

  • Meditar e/ou orar 3 minutos de manhã nos 7 dias da semana, depois de acordar e/ou antes de dormir;
  • Fazer exercício físico 3 dias da semana (15-30 minutos);
  • Alongamento profundo por 3 minutos, 3 dias na semana, dos músculos que sentir tensos (ex. pescoço, costas);
  • Relaxamento por 3 minutos: deitado no chão duro, de costas e olhos fechados, imagine que cada parte do corpo relaxa e se esvazia, uma por vez;
  • Ler livros impressos em papel por 15 minutos, 5 dias na semana;
  • Sorria ao se olhar no espelho. Se lembrar, sorria mais vezes durante o dia;
  • Se conseguir, tente não falar mais do que o absolutamente necessário sobre o negativo – procure se concentrar mais e gastar mais tempo nas coisas boas, e
  • Faça coisas de criança que lhe tragam um sentimento de alegria inocente – brincar, molhar-se na chuva, comer um sorvete, etc.

 

Fazendo isso, provavelmente perceberemos uma mudança leve na forma com que olhamos as coisas – o que é mais importante, o que é menos importante, coisas do dia a dia que gastam muito tempo e são desnecessárias, coisas que são importantes e gostaríamos de fazer mais, etc.

A partir daí, podemos continuar, mudar, aumentar, etc o programa de acordo com o que sentimos necessário para si.

Uma experiência de Clarice Lispector

Leia o texto abaixo logo mais, do livro Água Viva, de Clarice Lispector.

Parece que a escritora teve uma experiência transformadora, algo que acontece com buscadores conscientes e inconscientes do fato da sua busca. Leia mais sobre o despertar interior:


 

Agora – silêncio e leve espanto.

 

Porque às cinco da madrugada de hoje, 25 de julho, caí em estado de

graça.

 

Foi uma sensação súbita, mas suavíssima. A luminosidade sorria no ar:

exatamente isto. Era um suspiro do mundo. Não sei explicar assim como não se

sabe contar sobre a aurora a um cego.

É indizível o que me aconteceu em forma

de sentir: preciso depressa de tua empatia. Sinta comigo. Era uma felicidade

suprema.

Mas se você já conheceu o estado de graça reconhecerá o que vou dizer.

Não me refiro à inspiração, que é uma graça especial que tantas vezes acontece

aos que lidam com arte.

O estado de graça de que falo

não é usado para nada. é como se viesse

apenas para que se soubesse que realmente se existe e existe o mundo. Nesse

estado, além da tranqüila felicidade que

se irradia de pessoas e coisas, há uma

lucidez que só chamo de leve porque na

graça tudo é tão leve. É uma lucidez de

quem não precisa mais adivinhar: sem esforço, sabe. Apenas isto: sabe. Não me

pergunte o quê, porque só posso responder do mesmo modo: sabe-se.

E há uma bem-aventurança física que a nada se compara. O corpo se

transforma em um dom. E se sente

que é um dom porque se está se

experimentando, em fonte direta, a dádiva de repente indubitável de existir

milagrosamente e materialmente.

 

Tudo ganha uma espécie de nimbo que não é imaginário: vem do esplendor

da irradiação matemática das coisas e da lembrança de pessoas. Passa-se a

sentir que tudo que existe respira e exala um finíssimo esplendor de energia. A

verdade do mundo, porém, é impalpável.

Não é nem de longe o que mal imagino deve ser o estado de graça dos

santos. Este estado jamais

conheci e nem sequer consigo adivinhá-lo. É apenas

a graça de uma pessoa comum que a torna de súbito

real porque é comum e

humana e reconhecível.

As descobertas nesse sentido são indizíveis e incomunicáveis. E

impensáveis. É por isso que na graça eu

me mantive sentada, quieta, silenciosa.

É como em uma anunciação. Não sendo porém precedida por anjos. Mas é como

se o anjo da vida viesse me anunciar o mundo.

Depois lentamente saí. Não como se estivesse estado em transe – não há

nenhum transe – sai-se devagar, com

um suspiro de quem teve tudo como o

tudo que é. Também já é um suspiro de saudade. pois tendo experimentado

ganhar um corpo e uma alma, quer-se mais

e mais. Inútil querer: só vem quando

quer e espontaneamente.

Essa felicidade eu quis tornar

eterna por intermédio da objetivação da

palavra. fui logo depois procurar no dicionário a palavra beatitude que detesto

como palavra e vi que quer dizer gozo da

alma. Fala em felicidade tranqüila – eu

chamaria porém de transporte ou de

levitação. Também não gosto da

continuação no dicionário que dia:

“de quem se absorve em contemplação

mística”. Não é verdade: eu não estava

de modo algum em meditação, não houve

em mim nenhuma religiosidade. Tinha acabado de tomar café e estava

simplesmente vivendo ali sentada com

um cigarro queimando-se no cinzeiro.

Vi quando começou e me tomou. E vi quando foi se desvanecendo e

terminou. Não estou mentindo. Não tinha tomado nenhuma droga e não foi

alucinação. Eu sabia quem era

eu e quem eram os outros.

Mas agora quero ver se consigo prender o que me

aconteceu usando

palavras. Ao usá-las estarei destruindo um pouco o que senti – mas é fatal. Vou chamar o que se segue de

 

“À margem da beatitude”

Curso gratuito em vídeo de filosofia prática aplicada ao dia a dia – O que é filosofia?

por Patanga Cordeiro

O que é filosofia?

Poderíamos definir filosofia de muitas formas. Por que só uma estaria certa? Segundo Sri Chinmoy, a filosofia pode ser vista como um grau de verdade. Podemos utilizar essa verdade relativa como um trampolim para uma verdade ainda mais elevada. Assim, a filosofia também nos inspira a agir – corretamente, espiritualmente, na prática, com aplicação diária. Por isso fizemos um curso gratuito para quem quer “filosofar” e agir ao mesmo tempo.

Também é possível fazer o download gratuito do vídeo com o curso de filosofia

 

Curso de filosofia prática para o dia a dia

Montamos um minicurso gratuito de 3h com Sri Chinmoy, onde você poderá absorver palavras de sabedoria que tem cunho prático e já aplicá-las na sua vida cotidiana.

O curso aborda diversos aspectos do ser humano moderno, desde a diferença entre o bem e o mal, passando pelo papel do corpo físico e dos esportes (os filósofos gregos eram atletas também!), arte, amor e as emoções de um aspecto mais elevado, o papel das organizações que existem no mundo (como a ONU), morte e reencarnação, oração e meditação e mais.

Abaixo deixamos algumas perguntas interessantes sobre a filosofia.

 

Perguntas e respostas sobre filosofia prática

Pergunta: como podemos fazer a filosofia espiritual ser uma realidade vivente em nossas vidas?

Sri Chinmoy: A única forma da filosofia se tornar uma realidade vivente é através da oração e meditação. Ao praticar oração e meditação, ao tentar manter um contato direto, imediato com o Piloto Interior, é que uma pessoa pode transformar a filosofia espiritual numa realidade vivente.

Você sente que os ocidentais conseguem compreender a filosofia oriental?

Sri Chinmoy: Alguns a entendem perfeitamente. Aqueles que não possuem interesse em compreendê-la devem sofrer em sua falta de compreensão. A mente ocidental acha difícil compreender a filosofia ocidental porque, no oriente, a filosofia não é separada da verdadeira vida espiritual e yoga. No ocidente, é diferente. Aqui diz-se: “Isso é religião. Isto é filosofia. Aquilo é vida. São coisas diferentes.” Na Índia, a espiritualidade possui o mais complete direito de chamar-se de filosofia, e a filosofia de chamar-se de espiritualidade. Ambas estão entrelaçadas.

Se você ensina algo sobre Deus, isso é religião, e não filosofia. Filosofia não reconhece Deus.

Sri Chinmoy: Esse é um conceito errado da filosofia ocidental. Toda a filosofia indiana, as escrituras védicas, começam com Deus, Brahman, o Infinito, o Supremo inigualável. A filosofia indiana começa com os Vedas, os Upanishads, o Bhagavad Gita e outros escritos. A filosofia indiana moderna, também, começa e termina com Deus.

 

Perguntas em inglês sobre filosofia moderna, prática e aplicada ao dia a dia.

De Sri Chinmoy, Philosophy: wisdom-chariot of the mind, Agni Press, 1999

 

Question: Is philosophy a waste of time?

Sri Chinmoy: No, no, no! Philosophy has its own significance. To study philosophy is not a waste of time. Philosophy gives us the message of another world, a higher world. This is of paramount importance. Philosophy’s contribution can never be questioned. It is something substantial.

Question: Is there any consolation in philosophy?

Sri Chinmoy: Philosophy does have consolation-power deep inside it. When people suffer from the injustices and other shortcomings of the world, at that time philosophy can offer consolation. Philosophy will tell us: “This suffering is unimportant. God’s Light from Above is all we need; we do not need anything else.” In this way, philosophy can console people who are in the philosophical world.

Question: How can I better live the philosophy that you have already put forward?

Sri Chinmoy: Love, devotion and surrender is my philosophy. If you ask how you can better live it, then I will say, “Just do it.” There is no other way. It is only by practising and practising that you can better live our philosophy.

Question: Is there a danger of getting lost in philosophy?

Sri Chinmoy: Yes, there is a great danger of getting lost in philosophy. Many, many people have lost their spirituality by being too much involved in the mental jugglery of philosophy.

Question: Is philosophy really a degree of truth or is there something more?

Sri Chinmoy: Everything is a degree of truth. Such being the case, philosophy is also a degree of truth. The truth that philosophy embodies may be earth-bound; again, this truth may be Heaven-free. When philosophy gives us the message of renunciation, when it tells us to go beyond, then it becomes something more.

Question: What is the best philosophy for a spiritual seeker?

Sri Chinmoy: For a spiritual seeker, the best philosophy is always to abide by God’s Will. Whatever the seeker feels from within as God’s Will, he has to obey.

Question: Can the study of philosophy also promote spiritual progress?

Sri Chinmoy: The real inner progress, the heart’s progress, does not depend on the study of philosophy. Philosophy encourages us or stimulates us, but the real inner progress, love of God or implicit faith in God, philosophy does not or cannot supply us with. For that, spirituality must come into being. So philosophy as such cannot bring about spiritual progress because real spirituality is far beyond the domain of philosophy.

Servir ao próximo versus ajudar o próximo

musica para meditarpor Juliana

Estava assistindo um filme chamado Victoria e Abdul: O Conselheiro da Rainha, que é baseado em fatos reais, se passa em 1887, onde dois jovens indianos são escolhidos para viajar até a Inglaterra para presentear a Rainha Victoria. Abdul, um dos jovens, se torna amigo da Rainha e seu confidente. Em um dos momentos do filme a Rainha fala a Abdul como a vida dela é difícil e ela diz não entender o motivo para tudo aquilo, qual era o propósito de sua vida. Abdul, com muita doçura e sabedoria diz: “Servir, servir ao outro é o propósito, como está escrito no alcorão”.

Quando estava começando a despertar para vida espiritual, de forma inconsciente, lembro que estava em uma sessão de terapia e falei para minha terapeuta que tinha tido um “insight”, que o propósito da vida era servir o outro, lembro que ela me questionou, não me recordo ao certo o que ela falou, mas lembro que ela não concordava comigo. Nessa época, estava buscando um sentido para viver, não desejava estar por aqui, era doloroso de certa forma, não fazia sentindo a minha vida. E não havia motivo para me sentir assim, na verdade, eu tinha conseguido coisas que jamais imaginei conseguir, havia realizado meus sonhos, estava casada com uma pessoa especial, estava com saúde, enfim, nada que me fizesse triste em especial, mas sentia que faltava algo. Por esse motivo cheguei ao “insight” sobre ajudar o outro. Comecei a participar de um centro espírita kardecista, lá fazíamos entrega de comida para moradores de rua. Foi boa a experiência, mas sinceramente não era algo que me fazia sentir plena, era legal, mas não preenchia o vazio que estava sentido. Não era natural, estava mais para uma obrigação embora ninguém estivesse me cobrando nada. Fiquei com isso em mente, ajudar o outro, busquei outras alternativas, participei de eventos para arrecadar dinheiro para uma instituição sem fins lucrativos que ajudava crianças carentes. Mas me sentia da mesma forma.

O tempo foi passando até que encontrei o centro de meditação Sri Chinmoy, onde aprendi o que é meditação e descobri meu caminho espiritual. Nos primeiros meses senti que eu nunca conseguiria ajudar alguém da forma como estava, tinha várias questões e limitações para acertar. Com a meditação nos autodescobrimos e percebemos onde estamos. Entendi em que estágio me encontrava e ficou claro que só poderia ajudar alguém se me ajudasse em primeiro lugar. Sempre fui muito independente, a pessoa que “resolve” os problemas da família, que não amola os amigos com problemas, que acha pode resolver o problema de todos e que tenta mesmo ajudar da forma como pode. Com depois de algum tempo tentando meditar ficou evidente que eu não tinha esse poder de ajudar alguém, que era muita pretensão minha acreditar que eu tinha mais a oferecer ao outro do que ele a mim. Ou que ajudando financeiramente alguém ou mesmo aconselhando, estaria eu contribuindo de alguma forma para a vida de alguém. Entendi que em alguns casos, na minha história familiar, eu acreditava estar ajudando, mas na verdade, estava atrapalhando o desenvolvimento das pessoas ao meu redor e que a melhor forma de viver é aquela que nos permite fazer qualquer coisa, mesmo a coisa errada, pois a experiência é que permitirá o aprendizado.

Após o curso, é dada a oportunidade de se tornar um aluno de Sri Chinmoy, isso para as pessoas que sentem que há alguma conexão interna com esse caminho. Me senti conectada e prossegui para a segunda etapa do processo. Continuei participando dos cursos de meditação, agora como auxiliar do professor. Chegava mais cedo para arrumar as cadeiras, organizar os livros, vídeos e receber os alunos. Foi muito natural participar de cada curso de meditação que foi realizado após ter finalizado o que eu participei. A cada curso, me sentia mais forte e consegui viver várias experiências internas a partir da história, postura, mensagem, relatos sobre experiências com a meditação, que os alunos e os professores contavam nas aulas. Até que um dia estava lendo um dos livros do meu mestre Sri Chinmoy, que falava sobre como sabemos que estamos fazendo a coisa certa para nossa alma, ou seja, quando estamos servindo a Deus da forma como Ele deseja que o façamos, e não da forma como nós achamos que devemos servi-Lo. Ele falava da naturalidade, da alegria que sentiríamos ao fazer tal serviço, da energia que sentiríamos (estou colocando com as minhas palavras, pois não me recordo as palavras exatas), mas basicamente ele dizia que ao nos sentirmos felizes estaríamos servindo corretamente.

Após um tempo, tivemos uma conversa muito especial com o líder do centro de meditação aqui no Brasil, ele é uma pessoa muito inspiradora que emana uma energia muito sutil e que contagia, nessa conversa ele, que por muito tempo viveu muito próximo ao meu mestre quando ele estava encarnado, disse que o mestre gostava muito dos cursos, de quando seus alunos davam cursos. Ele dizia que era uma das melhores formas de servir. Nesse dia, consegui sentir o que significa servir, que é bem diferente de ajudar o outro. Ajudar faz com que nos elevemos a um patamar diferente do outro, com o “ajudar” fortalecemos as diferenças. Quando servimos o outro, estamos no mesmo degrau que ele, na mesma caminhada e caminho. Entendemos que estamos nos ajudando ao servir, que o serviço é um presente. Percebi o quão natural é participar dos cursos, estar presente como apoio, suporte, fazendo qualquer coisa. Percebi o quão triste me deixa quando ficamos um período sem cursos e quão feliz é escutar as histórias de superação, as dúvidas, as experiências de cada aluno.

O Filme Victoria e Abdul: O Conselheiro da Rainha, me fez relembrar o que representa servir, o serviço ao outro pode ser feito a todo momento, na forma como se fala com o outro em qualquer situação, nas ações do dia a dia, estar presente não só fisicamente, mas efetivamente ouvindo, num abraço forte ou na palavra de apoio. O serviço é o que dá sentido à vida. Mas para servir temos de nos cuidar, nos nutrir, nos amar. Com a meditação conseguimos sentir o que significam várias coisas que geralmente são ditas, mas que poucos sentem. Posso recomendar essa experiência, temos os cursos que sempre acontecem mensalmente e será um prazer para todos que participam do curso servindo, servir a você!

Amar é ver o homem em Deus. Servir é ver Deus no homem. -Sri Chinmoy

Como os assentos podem ajudar na meditação

A prática de meditação tem crescido entre os ocidentais, e no Brasil, percebemos que cada vez mais as pessoas procuram meios de se interiorizarem a fim de buscar equilíbrio e paz.

A postura pode influenciar no momento de praticar a meditação, pois quando temos estabilidade no corpo, a mente tem mais facilidade de se estabilizar, e uma mente estável favorece experiências de paz.

Quanto maior a estabilidade do corpo durante a prática, maior são as chances de você ter uma experiência de paz, encontro, amor, harmonia, proteção, ordem, coerência, alegria, plenitude, etc.

Nos cursos de meditação que oferecemos, se você tiver interesse, podemos mostrar alguns tipos de almofadas e bancos e, se quiser comprar, podemos indicar uma loja que os faz. Você também pode ligar diretamente para a Juliana no telefone (11) 98128-1376.

 

Zafu – almofada redonda

A almofada zafu é recheada de espuma ou estopa de forma a ficar um pouco rígida. Ela ajuda você a deixar a coluna ereta. Para isso, sente-se mais na ponta da almofada, de forma que o quadril fique um pouco rotacionado para frente.

como sentar almofada zafu para meditacao

Se quiser, você também pode tentar usar uma almofada qualquer que tiver em casa. O importante é que consiga meditar bem. Mas, normalmente, ter uma almofada específica irá ajudá-lo nisso!

 

Banco seiza

banco seiza para meditacao

Esse banco serve para sentar-se ajoelhado. Como o quadril se apoia na parte almofadada, o peso não fica nos joelhos. Se tiver um modelo dobrável, pode usar ele como uma almofada simples.

 

Tapetes (mats) para yoga

yoga mat para meditacao

Você pode usar ele para ter um pouco de maciez na região das suas pernas que tocam o chão e, também, pode deixar uma parte enrolada atrás, como se fosse uma almofada que ergue o quadril

Cadeira ou banco simples de casa

Sim, você pode meditar sentado numa cadeira comum ou um banquinho normal! A dica é procurar uma cadeira que não tenha um ângulo para trás, o que dificultará que você fique com a coluna ereta.

 

Almofada com encosto

assento com encosto para meditacao

No começo da prática, ou mesmo quando existe algum problema de saúde, a cadeira de chão para meditação tem favorecido muitos praticantes por ter encosto e deixar a coluna reta, postura que é solicitada na maioria das práticas de meditação. Esse tipo de almofada possui além da parte inferior acolchoada um encosto longo para apoiar as costas, caso sinta que não consegue meditar usando uma almofada.

 

Com isso, esperamos ter informado sobre os principais assentos de meditação e como usá-los de forma apropriada.

A cura para depressão – sintomas, causas, tipos

Textos traduzidos de Sri Chinmoy

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O Amor de Deus: a cura para a depressão

Quando somos atacados por preocupações e ansiedades, temos de sentir que há um antídoto. Quando uma serpente nos morde, tentamos buscar uma cura. Se as preocupações do mundo-pensamento querem entrar em nós e nos atacar, temos de obter o antídoto. O antídoto é sentir interiormente o Amor de Deus por nós.

Amamos Deus, mas não temos certeza se Deus nos ama. Oramos para Deus dizendo: “Ó Deus, conceda-nos isso, satisfaça esse desejo.” Mas o fato de Deus nos amar ou não continua vago. Na verdade, temos de começar com o sentimento de que Ele nos ama infinitamente mais do que amamos nós mesmos. Como é possível para Deus nos amar mais do que nós nos amamos? A resposta é que Deus não duvida de nós como nós duvidamos. Numa certa hora, sentimos que somos muito fortes, como um grande imperador; no momento seguinte, deparamo-nos com uma formiga peçonhenta e morremos de medo. A ansiedade aparece quando há uma separação entre a nossa existência e a existência de Deus. Ela também surge quando não consideramos Deus como parte de nós ou não dizemos “eu sou de Deus, eu sou por Deus.” As preocupações e ansiedades irão embora apenas quando nos identificarmos com algo que tenha paz, serenidade, divindade e o sentimento de unicidade absoluta. Ao nos identificarmos com o Piloto Interior, obtemos a força da sua Luz iluminadora. As preocupações surgem porque nos identificamos com o medo. Se nos identificamos com algo divino, eterno e imortal, naturalmente a essência e qualidades latentes de algo passarão a fazer parte de nós. Preocupando-se todo o tempo ou pensando pensamentos não divinos, nunca seguiremos adiante em direção à nossa meta. Entraremos na divindade apenas ao ter pensamentos positivos: “Eu sou de Deus; eu sou por Deus.” Pensando isso, não haverá preocupações nem ansiedade.

 

Dois tipos de depressão: psíquica e emocional

Há tanto a depressão psíquica quanto a depressão vital. Na depressão psíquica, o indivíduo sente que há tantas coisas que Deus quer que ele faça e que o Próprio Deus tenta manifestar em e através da pessoa, mas a ignorância-mundo não permite que a pessoa manifeste Deus. Você está com seus amigos, e o seu chefe é o Supremo. Esse chefe pediu a você que fizesse algo, e você está tentando, e Ele está tentando em e através de você. Mas há pessoas a seu redor que resistem aos seus esforços. Eles consideram que Deus é o Pai, e Ele as considera Seus filhos, mas esses filhos não são receptivos à Luz de Deus. A depressão psíquica ocorre quando você sabe o que é melhor e, ao mesmo tempo, está incapaz de fazê-lo. Alguns dos seus irmãos e irmãs ao seu redor sabem o que é melhor para eles, mas não querem fazê-lo; não querem mexer um músculo por aquilo. Outros não sabem o que é melhor para si mesmos. Você, no entanto, sabe o que é melhor para si e para eles também, e gostaria de fazê-lo; mas está impedido.

Você sabe o que a verdade é e quer manifestar a verdade. Mas encontra-se incapaz porque as pessoas a seu redor e diante de você não cooperam. O Supremo, o seu Piloto Interior, pressiona-o, e você pressiona si mesmo, mas não adianta. Quando a paz e luz interiores têm dificuldade em vir à tona da maneira que o Supremo deseja, na Hora escolhida por Deus, é que surge a depressão psíquica. Mas a depressão vital (N.d.T: emocional) é algo diferente. A depressão vital vem das exigências insatisfeitas do orgulho, ego e vaidade. Nessa depressão, você gostaria de ter feito algo ou satisfeito algum desejo, mas não conseguiu. Você fica frustrado. A depressão vital surge imediatamente. A depressão psíquica existe num nível infinitamente mais elevado, onde a sua intenção e a intenção de Deus são uma só. Na depressão vital, a sua intenção é o seu desejo, mais isso não tem nada a ver com a Vontade de Deus. Tudo o que há é você e o seu desejo insatisfeito. Deus não participa. Na depressão psíquica, você visionou a Visão de Deus; Deus colocou a Sua Visão diante de você, mas você está incapaz de transformá-La em realidade. Não é por reconhecimento pessoal ou ego que você gostaria de conseguir agir. Nada disso. Você e Deus possuem a mesma aspiração, a mesma visão, a mesma meta, mas ela não está manifestada ainda. A depressão psíquica é o resultado de uma Visão insatisfeita do Supremo em e através de você. É a divindade de Deus que deseja manifestar-se em e através de você, mas ela está sendo atrasada, pois as forças do mundo, as forças-ignorância, estão opondo-se a você. Você e Deus tornaram-se um: uma aspiração, uma alma, um objetivo. Mas a Visão de Deus não é satisfeita. Por isso você sente depressão psíquica.

A cura para a depressão psíquica é render-se abertamente à Vontade de Deus. Aspire devotadamente e constantemente e, então, entregue-se à Vontade de Deus. Você poderá clamar e clamar com devoção, mas, depois da depressão psíquica começar, às vezes você pode querer descansar. Você sente que é um caso sem esperanças e, por isso, o melhor é desistir, render-se – não a Deus, mas à ignorância-mundo. Aconteceu muitas vezes de o indivíduo saber que Deus e ele são um, mas, quando percebe que o Supremo nele tem sempre ficado insatisfeito, ele desiste. Muitos Mestres espirituais e muitos buscadores desistem. Eles tentam junto com Deus, mas, quando sentem que é um caso sem esperanças, eles desistem. Contudo, isso não é bom. É preciso nunca desistir. Deve-se lutar até o fim. Cedo ou tarde, a Vontade de Deus será manifestada em e através de você.

Sri Chinmoy, Four intimate friends: insincerity, impurity, doubt and self-indulgence, Agni Press, 1977

 

Não se deixe perturbar

Pergunta: Quando algo no mundo me perturba, perco toda a minha sinceridade e fico deprimido.

Sri Chinmoy: Saiba que há uma grande diferença entre sinceridade e estupidez. Se alguém contou uma mentira, você deve tentar iluminar essa pessoa. Se um erro foi cometido por alguém, você deve tentar retificar esse erro interiormente ou exteriormente com o oferecimento da sua boa vontade. No seu caso pessoal, a tolice é o que aparece. Quando faz algo errado, você sente que, ao aumentar a sua culpa, você resolverá o problema. Mas essa não é a abordagem correta. Pense sempre na meta, que é perfeição. Você deve trazer a perfeição para a situação.

Se algo errado foi feito, seja por você ou outra pessoa, sinta que tem de oferecer o resultado imediatamente ao Supremo. Você precisa dizer: “Eu estava incapaz (ou: aquela pessoa estava incapaz.). Fomos atacados por forças negativas. Sabemos que fomos atacados e queremos oferecer o nosso erro a Você.” Mas também deve ser consciente e sábio. Uma vez que perceber que está fazendo algo errado, deve parar de fazer essa coisa.

A depressão não é a resposta. Quando você participa de uma prova de corrida e é desqualificado, o que você faz? Você espera por um novo dia e tenta novamente alcançar a meta. Se parar de competir nas provas apenas porque teve uma experiência ruim, nunca alcançará a meta. Uma experiência infeliz não deve ser a experiência final. Considere-a uma nuvem passageira. Você certamente sairá dessa nuvem-ignorância.

Sri Chinmoy, Four intimate friends: insincerity, impurity, doubt and self-indulgence, Agni Press, 1977

 

Causas da depressão

Pergunta: O que causa a depressão?

Sri Chinmoy: A depressão surge quando não queremos viver na verdade, quando consciente ou inconscientemente queremos viver no prazer-ignorância. Esse prazer certamente será acompanhado pela depressão. A depressão é causada pela nossa aceitação da ignorância. Quando aceitamos a ignorância como parte de nós, ficamos deprimidos. Não conseguimos ir além dela. Estamos presos; presos no pequeno eu da ignorância.

Queremos sucesso constante, progresso constante, conquistas constantes e satisfação constante, mas no nosso dia a dia não temos essas coisas. Cada momento é uma oportunidade para nos tornarmos mais um pouco a Luz, Paz, Deleite e Poder de Deus. Contudo, se utilizarmos erroneamente o nosso tempo, imediatamente as forças negativas entrarão em nós. Essa forças negativas são a dúvida, o medo, a ansiedade, a preocupação e a depressão. Quando estamos deprimidos, não podemos esperar mais da Graça e do Amor de Deus; nem podemos esperar simpatia contínua da humanidade. Se estamos deprimidos, um amigo pode vir e nos consolar ou simpatizar conosco; mas o seu consolo não ceifará a raiz da nossa depressão. A única cura para a depressão é a luz.

Temos de saber o que realmente queremos. Se queremos apenas luz, então temos de saber onde a luz está. A luz está na nossa paz de espírito, na tranquilidade do nosso coração. Quando desvelarmos a nossa paz interior, veremos que ela é toda satisfação e conquistas: conquistas e satisfação infinitas no processo de se tornar infinita Realização. Se não desvelarmos a nossa paz interior, estaremos fadados a ser príncipes da escuridão.

Temos de sentir que não somos ignorância, que não representamos ignorância, que não estamos na ignorância e que não somos para a ignorância. Nada disso. Estamos na luz e queremos nos tornar a mais profunda, mais iluminadora luz. Com esse sentimento não haverá depressão. A luz que é o resultado da nossa aspiração imediatamente fará em cinzas a nossa depressão, ou então transformará a nossa depressão numa aspiração constante. Se pudermos nos identificar com a alegria interior espontânea da alma, sempre teremos alegria interior e exterior. Tentemos permanecer na alegria espontânea da alma.

Sri Chinmoy, Four intimate friends: insincerity, impurity, doubt and self-indulgence, Agni Press, 1977

Pergunta: Por que a mente não quer vencer os desejos?

Sri Chinmoy: Porque a mente física está absorvida na consciência física. Está constantemente duvidando de si e dos outros e criando confusão e incerteza por si mesma. A menos e até que ela receba a luz do coração, permanecerá na escuridão da prisão e limitação humana. Infelizmente, essa é a natureza da mente humana.

 

Pergunta: Na psicologia, há um sintoma chamado de maníaco-depressivo, onde a pessoa está primeiro alegre e animada, e depois se torna depressiva. Eu reparei nisso nos discípulos algumas vezes, pois parece ser uma parte da psiquê humana. O que podemos fazer para quebrar esse ciclo?

Sri Chinmoy: O problema com todos os seres humanos é que não estão satisfeitos com uma coisa por mais de cinco minutos. Quando temos algo por cinco minutos, sentimos que somos muito ricos. Em seguida, aquela coisa não nos satisfaz mais, e corremos atrás de algo novo. Sentimos sempre que a grama do vizinho é mais verde. Então vamos até lá e vemos que não é nada verde. Ou podemos ir e ver que o outro lado é realmente verde. Apreciamos esse verde por cinco minutos, mas depois pensamos “Nada disso! Eu estava errado – o outro lado era igualmente verde.” Então voltamos para o lado inicial e não encontramos nada demais. Assim sendo, três ou quatro vezes ao dia estaremos felizes, e três ou quatro vezes estaremos tristes. Ou então estaremos muito felizes num dia e no dia seguinte estaremos deprimidos. Para cima e para baixo, para cima e para baixo! Mas por que deveria haver um “para baixo”? Se estivermos caminhando pela estrada correta e formos andarilhos sinceros, deveremos apenas continuar em frente.

Quando estamos felizes, sentimos que estamos vivendo dentro do nosso coração, dentro da nossa alma. Mas não ficamos satisfeitos lá por mais de cinco minutos. Queremos ir até o vital, até a mente ou até o físico, pois obtemos muita alegria na mudança constante. Assim, consciente ou inconscientemente retornamos ao físico, ao vital e à mente. A mudança é boa quando é uma mudança do bom para o melhor, e do melhor para o melhor de tudo. Se estamos obtendo um pouco de alegria do coração ou da alma, tentamos aumentá-la e intensificá-la. Quando chegar o dia em que estivermos na mais altíssima condição mental, quando estivermos na consciência da alma, não haverá fim para a nossa alegria.

Sabemos o que temos na cozinha e na sala de meditação. Na sala de meditação há incenso, velas e flores. Sentimos muita alegria por causa da nossa inspiração, da nossa sinceridade na vida espiritual. Sabendo o que a sala de meditação pode oferecer, por que deveremos ir até a cozinha e nos depararmos com toda a confusão que há? É porque sentimos que lá também existe alegria. Mas eu gostaria de dizer que a cozinha é o lugar errado para encontrarmos alegria.

Devemos ser como fazendeiros indianos. Um fazendeiro indiano não espera a chuva ou o sol. Ele sente que o seu trabalho é arar o campo. Todos os dias ele vai para o campo e faz a sua tarefa. No nosso caso é igual. Não devemos antecipar altos e baixos. Depois de ficarmos durante um dia numa condição de alegria, no dia seguinte segue uma onda de depressão. Contudo, se vivermos na Luz, se vivermos na Paz divina, isso não acontecerá. Tais coisas acontecem apenas porque ainda não dominamos completamente o nosso vital (N.d.T: emocional) e mente.

 

Indo além dos pensamentos negativos

Pergunta: Eu gostaria de saber como superar pensamentos negativos, tanto durante a meditação como durante as minhas atividades diárias.

Sri Chinmoy: A verdadeira natureza dos pensamentos negativos é roubar, consciente e deliberadamente, a riqueza que nós temos: nossa Alegria, Luz e Amor divinos. Esses são nossos tesouros, porém, a dúvida, o medo e a negatividade são verdadeiros ladrões. Algumas vezes, um ladrão entra no nosso apartamento e rouba coisas, mas somente porque nós negligenciamos e permitimos que isso aconteça. Nós podemos ser vigilantes por dez minutos por dia, durante a nossa meditação, mas, no resto do dia somos totalmente descuidados. Quando entramos nas nossas atividades diárias, não lembramos de ficar atentos aos nossos pensamentos. Nesse momento, não seremos diferentes de todas as pessoas comuns ao nosso redor, que nunca meditaram.

Você pode deixar as dúvidas e os pensamentos negativos de lado, se puder constantemente lembrar da sua meditação. Após meditar, você deve tentar lembrar desses poucos minutos com a maior alegria, afeição e apreço. Deve acalentá-los como objetos de adoração. Durante todas as suas atividades comuns, tente lembrar da sua meditação devotadamente e não esqueça da necessidade de reter uma consciência espiritual ou pensamentos espirituais. Não permita que a sua mente afunde num baixo nível. Se puder manter pensamentos puros e divinos quando não estiver meditando, você terá uma força adicional quando meditar.

Qualquer momento em que a dúvida e os pensamentos negativos vierem, você tem que pará-los imediatamente com os seus pensamentos divinos. Dessa maneira, será capaz de vencer os seus pensamentos negativos. Se seus pensamentos forem puros durante todo o dia, quando meditar, a sua mente já estará pura. Mas se permitir que os seus pensamentos vagueiem no mundo da ignorância e da impureza por quatorze ou dezesseis horas por dia, como pode esperar que seus pensamentos sejam puros na hora da meditação?

 

Como purificar a mente

Pergunta: Como eu posso purificar a minha mente?

Sri Chinmoy: Todos os dias, tente pensar na sua mente como um receptáculo vazio. Quando lida com a mente, se ela estiver vazia, isso significa que você já fez um progresso considerável. Você jogou fora a ignorância, a preocupação, a imperfeição, a limitação e todas as coisas não divinas. Então, o que você fará? Vai preencher este receptáculo vazio com alegria, amor, pureza e todas as qualidades divinas.

Você quer purificar a sua mente. Vai encontrar pureza abundante dentro do coração e da alma. É muito difícil para as pessoas sentirem a alma, mas não é difícil sentir a presença do coração. Quando puder sentir essa presença, mais uma vez você fez progresso. Logo, todo dia medite no coração e tente sentir que ele é composto de nada além do que a pureza. Uma vez que se sinta absolutamente certo de que o seu coração é feito de pureza, todos os dias pegue um pouquinho dela e derrame no receptáculo vazio que é a sua mente.

Outra coisa que pode fazer, é pensar na mente como uma cesta vazia. Tente sentir dentro do seu coração, uma árvore de pureza desabrochando. Todo dia, colha uma flor-pureza da árvore-coração e coloque-a dentro da cesta-mente.

Gradualmente, a cesta encherá até a borda e a mente será preenchida com o aroma de inumeráveis flores-pureza.

Pergunta: Como podemos manter a mente pura quando não estivermos nos concentrando ou meditando?

Sri Chinmoy: A melhor coisa que pode fazer é aprender algumas canções espirituais e cantá-las para si mesmo em silêncio enquanto estiver trabalhando ou dirigindo ou fazendo qualquer coisa que não exija concentração mental. Enquanto estiver cantando em silêncio, a sua mente estará sendo purificada porque a sua alma virá à tona. Quando você cantar, tente sentir que o Supremo está ouvindo. De outra forma, o canto será um mero hábito mecânico. Então, sinta que há um ouvinte – não um ouvinte humano, mas o Próprio Supremo – ouvindo dentro do seu coração. Quando sentir que tem um ouvinte divino, obterá mais inspiração; será sobrecarregado com inspiração ilimitada e alegria interior sem fim. Quando sentir a presença do Supremo no seu coração, Ele o abençoará com a maior alegria e orgulho. Ele fará tudo para transformar, purificar, iluminar e liberar a sua mente.

 

Porque existe a depressão?

A depressão aparece por dois motivos. O primeiro motivo é o vital. Quando você tem uma boa meditação, o vital comum – o vital que quer nome, fama, conquistas exteriores – sente que não será mais alimentado, que irá morrer. A calma que a meditação traz é como um veneno para o vital inquieto. Então a paciência é de importância fundamental, pois a paciência faz com que o vital sinta que a sua existência não está sendo ameaçada.

Há outro motivo para o surgimento da depressão. O coração traz a partir da alma a mensagem de que você irá muito longe, que você alcançará a sua meta final nesta vida ou na próxima. O ser por completo se torna um com a luz que o coração está trazendo da alma. Olhando adiante, você percebe que tudo está ensolarado. Mas, ao olhar para o seu estado atual, você percebe que trata-se de um tempo nublado, chuvoso. Então aparece a depressão. Você sente um enorme abismo entre a sua situação atual e o objetivo, que está bastante longe. As suas possibilidades enquadram a verdade altíssima, a realização mais elevada. Mas a sua realidade atual é completamente diferente! Possibilidades e realidade parecem tão divergentes que naturalmente a depressão ocorre.

Superando a depressão

Veja também:

A melhor forma de superar a depressão é meditar todos os dias de manhã cedo, mas sem esperar coisa alguma da sua meditação. Você precisa apenas dar a sua atenção consciente à sua meditação. Considere a meditação uma criança. Você oferece o seu cuidado, o seu amor e afeição a ela, mas não espera nada em troca. De maneira similar, ofereça à sua meditação o seu amor e cuidado. Não espere nada. Apenas dê o que você tem. Se puder dar sem esperar, chegará o dia em que a sua meditação lhe trará todas as qualidades divinas.

Sri Chinmoy, Four intimate friends: insincerity, impurity, doubt and self-indulgence, Agni Press, 1977

Uma vez que comecemos a ter experiências interiores verdadeiras, não haverá necessidade de resolver nenhum problema com a psicologia ou a filosofia. Psicologia, filosofia e outras maneiras mentais de explicar as coisas, são simplesmente falíveis e inúteis. Quando temos nossas próprias experiências interiores, podemos ver a verdade, com a luz da espiritualidade, que é o Alento de Deus. Antes disso, se vivemos no mundo humano, nós temos que usar a mente, temos que usar a psicologia ou nunca conseguiremos nem mesmo uma satisfação parcial. Para alívio temporário, podemos nos abrigar na mente. Mas para soluções permanentes, temos que obter a iluminação espiritual.

Pergunta: Como iluminar a depressão?

Sri Chinmoy: Trazendo à tona a Luz de dentro de você. Quando medita na Luz, a Luz vem, seja de cima ou de dentro do coração e, com isso, vem a Alegria e a Paz divinas.

Pergunta: Qual é a participação da mente em transcender os desejos e paixões?

Sri Chinmoy: Para ser totalmente franco, a mente nunca quer vencer ou transcender os desejos. A mente já é um depósito de todos os tipos de desejos e sua porta está sempre escancarada para desejos novos. Se você quer vencer os desejos, deve usar a sua aspiração e entrar na sua alma. Se sente que a sua mente vai ter aspiração, está enganado. Concentre-se no seu coração e a partir dele, tente entrar na alma. Primeiro tente se identificar com o seu coração e ele o levará para a sua alma. Então, a luz abundante e efulgente que reside na alma, irá espontaneamente fluir dela para o coração e dele para a mente.

Quando a mente estiver iluminada por esta luz, irá perder todo o interesse nos desejos terrenos. Somente trazendo a luz da alma para a mente através do coração, você será capaz de livrá-la dos desejos.

Você precisa ir além da mente, o qual é muito difícil, ou prestar toda a atenção ao seu coração que aspira. O coração que aspira não é o que está próximo à região vital. O vital está próximo ao umbigo. O coração que aspira está localizado mais acima, no centro do peito. Se você não puder elevar a sua consciência para o verdadeiro coração, será uma vítima constante de desejos.

Qual a melhor forma de superar a depressão?

Sri Chinmoy: Quando você estiver deprimido, tente sentir conscientemente que se forçou a carregar um fardo enorme nos seus ombros. Sinta que é um corredor, e que há uma meta para você. Você tem que correr em direção a esse objetivo. Quanto mais rápido correr, mais cedo chegará até a meta. Agora, se você colocar de forma consciente e deliberada algo pesado sobre os seus ombros, naturalmente, sua velocidade será muito lenta. Não seja tolo. Você entrou para essa corrida. A corrida não é competir com os outros, mas sim competir com si mesmo e contra as forças não divinas da depressão, dúvida, medo, inveja e todas as outras forças negativas.

Quando a depressão entra na sua mente ou vital, sinta que há uma carga pesada nos seus ombros. Naturalmente, você irá querer se livrar dela, pois quer correr com velocidade. Você a descartará, a deixará de lado, e então correrá em direção ao seu objetivo destinado tão rápido quanto puder.

 

Meditação e depressão: os nossos cursos

Meditação e criatividade

Por Adriano Passini

 criatividade e meditacao            A meditação é a abertura de nossa consciência para a divindade, para planos mais elevados. Quando praticada de modo correto, a Graça Divina pode nos abençoar de diversas formas: alegria, luz, paz e, algumas vezes, criatividade. Criatividade é a capacidade que nós temos de criar algo, mas, se formos ao sentido mais elevado dessa palavra, ela é a mais pura manifestação de algo que imaginamos, depois criamos e finalmente manifestamos.

Mas como funciona esse processo de criatividade? Durante a meditação, nós podemos ativar de modo consciente ou inconsciente alguns chakras. Os chakras inferiores, responsáveis pelos instintos de sobrevivência, não nos levam a ser criativos. Na verdade, precisamos iluminá-los para, enfim, purificá-los. Os chakras superiores, responsáveis pela nossa iluminação e a abertura aos planos mais elevados de consciência, são os que devem e naturalmente são ativados para nos elevar espiritualmente.

Quando meditamos, algumas vezes ativamos o quinto chakra. Ou até mesmo pela Graça Divina, Deus nos abençoa com uma leve abertura desse chakra, chamado de Vishuddha, ou chakra da garganta. Nele temos acesso ao mundo da criatividade. Acredito que grandes escritores, artistas e músicos de grande sabedoria, possuíam essa abertura, onde conseguiram manifestar a criatividade divina aqui na Terra.

Sri Chinmoy, com toda sua capacidade espiritual, certamente tinha livre acesso a esse mundo de criatividade, pois sua manifestação através de mais de 1700 livros publicados, mais de 22000 músicas escritas, milhares de poemas e suas pinturas chamadas de Jharna-Kala (fonte-arte) não seria possível manifestar através da nossa mente humana limitada.

Nós buscadores espirituais que meditamos conseguimos manifestar essa divindade, mesmo não atingindo níveis de meditação tão elevados? De certa forma sim, evidentemente não na sua plenitude, tal como Sri Chinmoy, mas em níveis compatíveis com o nosso desenvolvimento espiritual. Algumas pessoas têm maior facilidade para criatividade, mas a Graça Divina pode vir para qualquer um. Basta meditar de forma correta, buscando a elevação espiritual. Então, se for a Sua Vontade, poderemos receber uma inspiração na forma de imaginação e posteriormente colocar em prática e sermos criativos.

Em outros termos, criatividade não necessariamente é criar uma música ou pintar um quadro, pode ser qualquer coisa no qual seja útil e sirva como inspiração para alguém. O simples fato de escrever um artigo como esse pode ser considerado uma forma de criatividade e manifestação, caso alguém venha a lê-lo e se inspire de alguma forma.

Ter ideias, imaginar, ou como algumas pessoas dizem: “pensar fora caixa” é um sinal de imaginação. Se a pessoa conseguir colocar em prática, podemos dizer que essa pessoa foi criativa. A criatividade não vem até nós de forma forçada. Muitas vezes, temos uma ideia, ou um insight, que seria uma compreensão súbita em momentos inesperados. Possivelmente uma ideia criativa pode vir entre um pensamento e outro, que na verdade é uma forma de meditação.

Portanto, se você meditar de forma correta, sem interesse em algo, e deixar que a Graça Divina faça a sua parte, você, cedo ou tarde pode ser abençoado com uma ideia criativa que pode inspirar alguém, sinta-se feliz, pois você estará expressando Deus de uma forma bem peculiar, que Ele mesmo escolheu.


 

 

Como ter paz interior?

meditacao e imaginacao

Palestra de Sri Chinmoy proferida nas Nações Unidas sobre o tema da paz interior e a paz exterior.

A paz é o nosso direito de nascimento: como podemos encontrá-la?

Há dois tipos de paz: a paz interior e a paz exterior. A paz exterior é uma concessão do homem. A paz interior é a satisfação do homem. A paz exterior a á transformação do homem sem a sua satisfação. A paz interior é a satisfação do homem em ser completamente e supremamente preenchido.

Como pode a paz exterior ter a mesma capacidade da paz interior? A paz exterior pode ter a mesma capacidade se e quando a criação do homem e a criação de Deus tornam-se inseparavelmente uma.

Qual é a criação do homem? Neste momento, a criação do homem é o medo. A criação do homem é a dúvida. A criação do homem é a confusão. O que é a criação de Deus? A criação de Deus é o Amor. A criação de Deus é a Compaixão. A criação de Deus é o Cuidado.

O medo é a formiga mais indefesa do homem. A dúvida é o elefante mais selvagem no homem. A confusão é o tigre devorador no homem. Não há uma grande distância entre o medo que o homem acalenta e o seu medo forçado. Duvide de Deus, e o perdão lhe será garantido. Duvide de si mesmo, e a sua completa destruição será decretada. A confusão de ontem foi o início da sua insinceridade. A confusão de hoje é o início da sua insegurança. A confusão de amanhã será o início da sua futilidade.

O Amor de Deus pelo homem é a aspiração do homem. A Compaixão de Deus pelo homem é a salvação do homem. O Cuidado de Deus pelo homem é a perfeição do homem.

A busca preenchedora e satisfeita do homem pelo Real é a paz. Deus o Amor é o Convidado eterno do homem nos mais profundos recônditos do seu coração. Deus a Paz é o Anfitrião eterno nos mais íntimos recessos do Seu Coração. É por isso que infalivelmente e certamente consideramos a paz amorosa e satisfatória nosso direito de nascimento.

Como podemos ter paz – mesmo uma gota de paz – na nossa vida exterior, em meio à correria da vida e nossas múltiplas atividades? É fácil: temos de escolher a voz interior. É fácil: temos de purificar nossas emoções impuras.

A voz interior é o nosso guia. Os pensamentos aprisionadores são o clima escuro e imprevisível. A emoção impura é a tempestade interior. Temos sempre de ouvir a voz interior. Ela é a nossa proteção certa. Temos de ser cuidadosos com nossos pensamentos aprisionadores. Esses pensamentos possuem tremenda vitalidade. Devemos nunca permitir que inchem e se tornem tornados. Temos de enfrentá-los e dominá-los. Esses pensamentos são absolutamente não essenciais, e não temos tempo para nos preocuparmos com coisas não essenciais. Se queremos a paz interior e exterior, temos de nos abster do luxo da tempestade emocional. A emoção impura é uma frustração imediata, e a frustração é o precursor da completa destruição interior e exterior.

Para escolhermos a voz interior, temos de meditar de manhã cedo. Para controlar e dominar nossos pensamentos não divinos, temos de meditar ao meio-dia. Para purificar nossas emoções obscuras e impuras, temos de meditar à noite.

O que é meditação? A meditação é a percepção constante e a aceitação consciente de Deus. A meditação é o oferecimento incondicional de Deus ao homem.

A paz é o início do amor.

A paz é o completamento da verdade.

A paz é o retorno à Fonte.

-Sri Chinmoy

Meditação e imaginação

por Adriano Passini

meditacao e imaginacao

O poder da meditação é algo que transcende o que os limites da mente humana, mas o que ela tem haver com a imaginação? Se a meditação é a arte de silenciar a mente, como posso obter o poder da imaginação enquanto medito? Parecem duas coisas contraditórias, mas, na verdade, não são. A imaginação é algo realmente incrível, que pode ser, de certa forma, um sinônimo de inspiração.

Sri Chinmoy escreveu vários poemas sobre a imaginação. Eis abaixo um deles, que relata o poder dela:

“O poder da imaginação nunca poderá ser mensurado.”

Um dos maiores físicos de todos os tempos, senão o maior, Albert Einstein, certa vez disse uma frase que reflete perfeitamente o que está por trás imaginação:

“Imaginação é mais importante que o conhecimento.”

Durante a meditação nós elevamos nossa consciência, nos abrimos a uma fonte ilimitada de luz, paz e sabedoria. Esse processo é longo e gradual, e são necessários muitos anos de prática diária para termos acesso a tudo isso. Enquanto meditamos, se a meditação for feita do modo correto, é possível que um dos frutos seja a inspiração para realizar algo. Essa inspiração pode vir na forma de uma sutil percepção de alguma coisa, que nada mais é que uma pequena obtenção de luz vinda de um plano mais elevado de consciência, que certamente está diretamente ligada ao poder da meditação. Abaixo, mais um exemplo que Albert Einstein escreveu:

Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio – e eis que a verdade se me revela.”

A partir do momento que recebemos essa inspiração, nossa imaginação começa a agir, criar e moldar essa ideia. É algo natural de se acontecer. Por exemplo, se essa ideia for uma viagem a ser realizada, nós começamos a planejar a viagem. O ato de iniciar o planejamento, nada mais é que uma materialização desse acontecimento, é como se criássemos um universo paralelo dentro de nossa mente, com cada detalhe a ser cumprido.

Evidentemente, existem pessoas com capacidade intrínseca de utilizar a imaginação, mas qualquer pessoa é capaz de fazer isso a um certo grau. Quando recebi a inspiração de nadar o Canal da Mancha, que foi através de várias meditações, foi exatamente esse processo que aconteceu. A imaginação e planejamento começaram a ser ativadas, e cada detalhe dessa jornada, cada treino, cada passo, foi acontecendo de forma espontânea e natural. Inclusive a própria travessia foi algo planejado minunciosamente, e o que houve na verdade foi uma materialização do que foi imaginado.

É como se algo já estivesse realizado e concretizado no mundo interior, e o trabalho que tive foi apenas o de materializar isso no mundo exterior. De certa forma, o poder da imaginação deve ser utilizado apenas para o bem. Sri Chinmoy descreve em mais um dos seus aforismos sobre o poder da imaginação que ela deve ser utilizada de forma adequada.

“Imaginação possui poder.
Imaginação é poder.
Entretanto, tenha certeza de ter
Uma boa e elevada imaginação.”

Portanto, meditação e imaginação são dois amigos inseparáveis. Mormalmente a meditação convida a imaginação a fazer parte de uma realidade. Basta o buscador espiritual possuir determinação e dinamismo suficiente para aplicar essa inspiração na sua vida.

Meditação no Trabalho

meditacao no trabalhoPor Adriano Passini

 

Sri Chinmoy sobre meditação no trabalho

 

            É possível meditar enquanto trabalhamos? Esta é uma pergunta simples de responder: não, não é possível, a não ser que você pare o que esteja fazendo, ou então seja uma pessoa que já tenha atingido a iluminação. Porém, atingir os estágios iniciais da meditação é plenamente factível. De acordo com Sri Chinmoy, o estágio que antecede a meditação é a concentração; nela o buscador concentra-se em algum objeto, seja um ponto na parede ou o topo da chama de uma vela.

Durante qualquer tipo de trabalho, seja ele mais intelectual ou mais corporal, é fundamental que nos concentremos naquilo que estamos fazendo, para que atinjamos um bom resultado. O simples fato de focar toda nossa atenção no que estamos executando já é algo de grande valor. Acredito que muita gente já teve a sensação de realizar algum trabalho e depois de um certo tempo parar e pensar: “Nossa, o tempo passou voando, nem percebi”. Essa simples sensação é resultado de um alto nível de concentração em sua atividade.

Quando realizamos qualquer tipo de trabalho, essa é a atitude correta. Concentrar-se e não medir esforços para que consigamos atingir excelência em nossa atividade. Dessa forma, nós conseguiremos ficar felizes e deixaremos as pessoas, que farão uso de nossa atividade, muito satisfeitas com o resultado alcançado.

Indo um pouco mais além da concentração, uma forma de trabalho abnegado é através do Karma Yoga, que é nada mais que a execução de um serviço para Deus. Mas como podemos realizar um trabalho comum a serviço de Deus? Se conseguirmos atingir total concentração em uma determinada atividade, se essa tarefa for realizada com excelência, e se, principalmente,  pensarmos que ela será entregue para uma pessoa, a qual possui dentro dela Deus, representada pela sua alma, podemos considerar que o resultado nada mais é que um tipo de meditação.

Portanto, o conceito de meditação, que é esvaziar a mente de pensamentos para se abrir a uma consciência mais elevada é praticamente impossível de ser atingida com um trabalho convencional. Mas, atingir o estágio de concentração máximo, e termos em mente que estamos lidando com pessoas, que nada mais são que representantes de Deus, pode ser considerado uma forma de Karma Yoga, que é um dos aspectos para se atingir unicidade com o nosso Criador.