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Uma experiência de Clarice Lispector

Leia o texto abaixo logo mais, do livro Água Viva, de Clarice Lispector.

Parece que a escritora teve uma experiência transformadora, algo que acontece com buscadores conscientes e inconscientes do fato da sua busca. Leia mais sobre o despertar interior:


 

Agora – silêncio e leve espanto.

 

Porque às cinco da madrugada de hoje, 25 de julho, caí em estado de

graça.

 

Foi uma sensação súbita, mas suavíssima. A luminosidade sorria no ar:

exatamente isto. Era um suspiro do mundo. Não sei explicar assim como não se

sabe contar sobre a aurora a um cego.

É indizível o que me aconteceu em forma

de sentir: preciso depressa de tua empatia. Sinta comigo. Era uma felicidade

suprema.

Mas se você já conheceu o estado de graça reconhecerá o que vou dizer.

Não me refiro à inspiração, que é uma graça especial que tantas vezes acontece

aos que lidam com arte.

O estado de graça de que falo

não é usado para nada. é como se viesse

apenas para que se soubesse que realmente se existe e existe o mundo. Nesse

estado, além da tranqüila felicidade que

se irradia de pessoas e coisas, há uma

lucidez que só chamo de leve porque na

graça tudo é tão leve. É uma lucidez de

quem não precisa mais adivinhar: sem esforço, sabe. Apenas isto: sabe. Não me

pergunte o quê, porque só posso responder do mesmo modo: sabe-se.

E há uma bem-aventurança física que a nada se compara. O corpo se

transforma em um dom. E se sente

que é um dom porque se está se

experimentando, em fonte direta, a dádiva de repente indubitável de existir

milagrosamente e materialmente.

 

Tudo ganha uma espécie de nimbo que não é imaginário: vem do esplendor

da irradiação matemática das coisas e da lembrança de pessoas. Passa-se a

sentir que tudo que existe respira e exala um finíssimo esplendor de energia. A

verdade do mundo, porém, é impalpável.

Não é nem de longe o que mal imagino deve ser o estado de graça dos

santos. Este estado jamais

conheci e nem sequer consigo adivinhá-lo. É apenas

a graça de uma pessoa comum que a torna de súbito

real porque é comum e

humana e reconhecível.

As descobertas nesse sentido são indizíveis e incomunicáveis. E

impensáveis. É por isso que na graça eu

me mantive sentada, quieta, silenciosa.

É como em uma anunciação. Não sendo porém precedida por anjos. Mas é como

se o anjo da vida viesse me anunciar o mundo.

Depois lentamente saí. Não como se estivesse estado em transe – não há

nenhum transe – sai-se devagar, com

um suspiro de quem teve tudo como o

tudo que é. Também já é um suspiro de saudade. pois tendo experimentado

ganhar um corpo e uma alma, quer-se mais

e mais. Inútil querer: só vem quando

quer e espontaneamente.

Essa felicidade eu quis tornar

eterna por intermédio da objetivação da

palavra. fui logo depois procurar no dicionário a palavra beatitude que detesto

como palavra e vi que quer dizer gozo da

alma. Fala em felicidade tranqüila – eu

chamaria porém de transporte ou de

levitação. Também não gosto da

continuação no dicionário que dia:

“de quem se absorve em contemplação

mística”. Não é verdade: eu não estava

de modo algum em meditação, não houve

em mim nenhuma religiosidade. Tinha acabado de tomar café e estava

simplesmente vivendo ali sentada com

um cigarro queimando-se no cinzeiro.

Vi quando começou e me tomou. E vi quando foi se desvanecendo e

terminou. Não estou mentindo. Não tinha tomado nenhuma droga e não foi

alucinação. Eu sabia quem era

eu e quem eram os outros.

Mas agora quero ver se consigo prender o que me

aconteceu usando

palavras. Ao usá-las estarei destruindo um pouco o que senti – mas é fatal. Vou chamar o que se segue de

 

“À margem da beatitude”

Servir ao próximo versus ajudar o próximo

musica para meditarpor Juliana

Estava assistindo um filme chamado Victoria e Abdul: O Conselheiro da Rainha, que é baseado em fatos reais, se passa em 1887, onde dois jovens indianos são escolhidos para viajar até a Inglaterra para presentear a Rainha Victoria. Abdul, um dos jovens, se torna amigo da Rainha e seu confidente. Em um dos momentos do filme a Rainha fala a Abdul como a vida dela é difícil e ela diz não entender o motivo para tudo aquilo, qual era o propósito de sua vida. Abdul, com muita doçura e sabedoria diz: “Servir, servir ao outro é o propósito, como está escrito no alcorão”.

Quando estava começando a despertar para vida espiritual, de forma inconsciente, lembro que estava em uma sessão de terapia e falei para minha terapeuta que tinha tido um “insight”, que o propósito da vida era servir o outro, lembro que ela me questionou, não me recordo ao certo o que ela falou, mas lembro que ela não concordava comigo. Nessa época, estava buscando um sentido para viver, não desejava estar por aqui, era doloroso de certa forma, não fazia sentindo a minha vida. E não havia motivo para me sentir assim, na verdade, eu tinha conseguido coisas que jamais imaginei conseguir, havia realizado meus sonhos, estava casada com uma pessoa especial, estava com saúde, enfim, nada que me fizesse triste em especial, mas sentia que faltava algo. Por esse motivo cheguei ao “insight” sobre ajudar o outro. Comecei a participar de um centro espírita kardecista, lá fazíamos entrega de comida para moradores de rua. Foi boa a experiência, mas sinceramente não era algo que me fazia sentir plena, era legal, mas não preenchia o vazio que estava sentido. Não era natural, estava mais para uma obrigação embora ninguém estivesse me cobrando nada. Fiquei com isso em mente, ajudar o outro, busquei outras alternativas, participei de eventos para arrecadar dinheiro para uma instituição sem fins lucrativos que ajudava crianças carentes. Mas me sentia da mesma forma.

O tempo foi passando até que encontrei o centro de meditação Sri Chinmoy, onde aprendi o que é meditação e descobri meu caminho espiritual. Nos primeiros meses senti que eu nunca conseguiria ajudar alguém da forma como estava, tinha várias questões e limitações para acertar. Com a meditação nos autodescobrimos e percebemos onde estamos. Entendi em que estágio me encontrava e ficou claro que só poderia ajudar alguém se me ajudasse em primeiro lugar. Sempre fui muito independente, a pessoa que “resolve” os problemas da família, que não amola os amigos com problemas, que acha pode resolver o problema de todos e que tenta mesmo ajudar da forma como pode. Com depois de algum tempo tentando meditar ficou evidente que eu não tinha esse poder de ajudar alguém, que era muita pretensão minha acreditar que eu tinha mais a oferecer ao outro do que ele a mim. Ou que ajudando financeiramente alguém ou mesmo aconselhando, estaria eu contribuindo de alguma forma para a vida de alguém. Entendi que em alguns casos, na minha história familiar, eu acreditava estar ajudando, mas na verdade, estava atrapalhando o desenvolvimento das pessoas ao meu redor e que a melhor forma de viver é aquela que nos permite fazer qualquer coisa, mesmo a coisa errada, pois a experiência é que permitirá o aprendizado.

Após o curso, é dada a oportunidade de se tornar um aluno de Sri Chinmoy, isso para as pessoas que sentem que há alguma conexão interna com esse caminho. Me senti conectada e prossegui para a segunda etapa do processo. Continuei participando dos cursos de meditação, agora como auxiliar do professor. Chegava mais cedo para arrumar as cadeiras, organizar os livros, vídeos e receber os alunos. Foi muito natural participar de cada curso de meditação que foi realizado após ter finalizado o que eu participei. A cada curso, me sentia mais forte e consegui viver várias experiências internas a partir da história, postura, mensagem, relatos sobre experiências com a meditação, que os alunos e os professores contavam nas aulas. Até que um dia estava lendo um dos livros do meu mestre Sri Chinmoy, que falava sobre como sabemos que estamos fazendo a coisa certa para nossa alma, ou seja, quando estamos servindo a Deus da forma como Ele deseja que o façamos, e não da forma como nós achamos que devemos servi-Lo. Ele falava da naturalidade, da alegria que sentiríamos ao fazer tal serviço, da energia que sentiríamos (estou colocando com as minhas palavras, pois não me recordo as palavras exatas), mas basicamente ele dizia que ao nos sentirmos felizes estaríamos servindo corretamente.

Após um tempo, tivemos uma conversa muito especial com o líder do centro de meditação aqui no Brasil, ele é uma pessoa muito inspiradora que emana uma energia muito sutil e que contagia, nessa conversa ele, que por muito tempo viveu muito próximo ao meu mestre quando ele estava encarnado, disse que o mestre gostava muito dos cursos, de quando seus alunos davam cursos. Ele dizia que era uma das melhores formas de servir. Nesse dia, consegui sentir o que significa servir, que é bem diferente de ajudar o outro. Ajudar faz com que nos elevemos a um patamar diferente do outro, com o “ajudar” fortalecemos as diferenças. Quando servimos o outro, estamos no mesmo degrau que ele, na mesma caminhada e caminho. Entendemos que estamos nos ajudando ao servir, que o serviço é um presente. Percebi o quão natural é participar dos cursos, estar presente como apoio, suporte, fazendo qualquer coisa. Percebi o quão triste me deixa quando ficamos um período sem cursos e quão feliz é escutar as histórias de superação, as dúvidas, as experiências de cada aluno.

O Filme Victoria e Abdul: O Conselheiro da Rainha, me fez relembrar o que representa servir, o serviço ao outro pode ser feito a todo momento, na forma como se fala com o outro em qualquer situação, nas ações do dia a dia, estar presente não só fisicamente, mas efetivamente ouvindo, num abraço forte ou na palavra de apoio. O serviço é o que dá sentido à vida. Mas para servir temos de nos cuidar, nos nutrir, nos amar. Com a meditação conseguimos sentir o que significam várias coisas que geralmente são ditas, mas que poucos sentem. Posso recomendar essa experiência, temos os cursos que sempre acontecem mensalmente e será um prazer para todos que participam do curso servindo, servir a você!

Amar é ver o homem em Deus. Servir é ver Deus no homem. -Sri Chinmoy

Uma história espiritual: a resposta está nas suas mãos

recontado por Patanga Cordeiro

Hoje estávamos fazendo treinamento no meu ambiente de trabalho. O professor contou uma história que é muito interessante, e pareceu-me que vale em grande parte para a nossa vida espiritual, então acho que posso recontar aqui.

Uma parábola espiritual: a resposta está nas suas mãos

Na Índia antiga, tanto o ensino formal quando o ensino espiritual de meditação, yoga e oração era feito no sistema “Gurukul”, onde os jovens alunos iam morar com o professor em seu ashram, e efetivamente tornavam-se filhos até a sua graduação, por volta dos 16-18 anos. Era uma forma muito intensiva e amorosa de ensinar, e os professores eram vistos como verdadeiros pais e reverenciados tutores.

Num desses ashrams, um dos alunos que estavam prestes a graduar queria pregar uma peça no seu professor no dia da graduação. Ele queria fazer que o professor errasse uma pergunta que ele fizesse.

O plano era o seguinte. Diante de todos os alunos e o professor, no momento solene da graduação, ele estaria segurando uma borboleta dentro da sua mão. Com o abrir da mão, a borboleta sairia voando, viva. Se ele a apertasse um pouquinho mais, ela morreria. Assim, ele poderia perguntar ao mestre se ela estava viva ou morta, e, qualquer a resposta dada, ele poderia apertar ou abrir a mão e a resposta estaria errada de qualquer forma. Era um plano infalível.

Chegada a hora, ele fez a pergunta ao professor: “Tenho uma borboleta na minha mão. Se você é tão sabido, quero que me diga se ela está viva ou morta.”

O professor reclinou-se, ponderando profundamente o questionamento e a postura do aluno, até que a resposta lhe surgiu. “A resposta para a sua pergunta está nas suas mãos,” disse o mestre.

Zen e meditação – ou Zazen

textos de Sri Chinmoy

comentários e história ao fim por Patanga Cordeiro

Zen e meditação (ou Zazen)

Zen e Zazen: a iluminação já está dentro de você

meditar porto portugalSe está buscando a iluminação, saiba que a iluminação já está dentro de você. Ao praticar o Zen, você traz essa iluminação à tona. O que está no interior irá um dia vir à tona, isso é certo. Deus está dentro de nós, mas não O vemos, não O sentimos. Ao praticar espiritualidade, Yoga, trazermos Ele à tona e tentamos vê-Lo e sentir a Sua presença em todas as nossas variadas atividades. No mundo interior, já possuímos tudo, mas na nossa vida exterior ainda não conseguimos ser capazes de trazer isso à tona. No mundo interior temos Paz, Luz e Deleite em medida abundante. No mundo interior temos iluminação; na nossa vida exterior, não. Assim, quando pratica o Zen ou segue qualquer outro caminho, saiba que é o despertar interior, a realidade interior, que você está tentando trazer à tona.

Sri Chinmoy, Self-discovery and world-mastery, Agni Press, 1976

 

Satori ou iluminação no Zen

No ponto mais alto do zen há algo chamado de satori, ou iluminação. Antes da iluminação há uma escuridão de um lado e uma luz do outro, e nós estamos entre as duas coisas. No entanto, se nos abrigarmos na iluminação, a nossa própria fulgência interior abraçará e abrangirá o mundo inteiro. Vivemos na ignorância por milênios, mas, uma vez que a iluminação acontece, não existe mais ignorância alguma em nós. Tudo é luz e nos tornamos um com a Visão do Absoluto. A maior dádiva no Zen é a iluminação – a mais elevada, tudo-iluminadora, tudo-preenchedora iluminação.

  

O método de disciplina Zazen e Yoga

O processo Zen exige uma disciplina rigorosa, quase militar. Já o processo de yoga é a tranquilidade baseada na confiança. É como a confiança de uma criança, advinda da sua unicidade com seu pai e sua mãe. Uma criança não possui sequer um centavo, mas, caso seu pai seja muito rico, ela também se sentirá muito rica. Mesmo que agora não tenha nem mesmo um dólar, ela sabe que em alguns anos será capaz de utilizar todas as riquezas do seu pai. O que quer que o pai tenha, ela corretamente e legitimamente considera como sua. Se o pai tem um carro, a criança sente que é o carro dela. Ela não pensa que é o carro do pai ou que pertence à sua família. Ela dirá aos seus amigos: “Vejam, esse é o meu carro.” Ela está absolutamente certa por conta da sua unicidade. Quando estiver mais velha, ela sabe que dirigirá esse carro. No processo de yoga, você sente que Deus é seu, que Ele o ama, e que você O ama. Porque você sente a sua unicidade com Ele, você sabe que, quando chegar a hora, Ele lhe dará tudo o que tem e é.

No caminho do Zen, você tem de se preparar. Se seguir uma disciplina rigorosa e fizer uma certa coisa, então terá um resultado; se não, não terá. No Zen, tudo é um esforço pessoal, um esforço pessoal. No yoga acreditamos na Graça. Sentimos que o Pai irá mostrar a Sua Afeição, Amor e Compaixão, e que a criança irá responder com amor, devoção, entrega e gratidão. No Zen, primeiro você tem de se tornar algo, e apenas então você merecerá receber alguma coisa, que é iluminação. E para se tornar algo será preciso ter uma disciplina rigorosa.

Sri Chinmoy, My Meditation-Service at the United Nations for 25 Years, Agni Press, 1995

 

Objetivos do zazen e yoga

Eu toco a água e imediatamente sinto a consciência da água. Toco uma parede e sinto a consciência da parede. E, se eu tocar os pés de um santo, imediatamente sentirei a consciência do santo. Isso é Yoga: unicidade, unicidade, unicidade. Mas não é preciso tocar qualquer coisa. Simplesmente através da identificação você consegue obter a consciência da pessoa que é um santo, que possui iluminação. No processo Zen, você obtém o que o santo tem ao se concentrar no que você busca. O processo no Yoga é se identificar com a meta. Mas a meta que alcança ao se concentrar no Zen e a meta que eu alcanço ao me identificar com alguém é a mesma.

Há um ótimo professor de Zen em Rochester chamado Philip Kapleau. Ele é meu amigo e uma grande autoridade sobre o Zen. Ele escreveu um livro chamado “Os Três Pilares do Zen”. Se tiver interesse, você pode aprender com ele. Ou, se tiver interesse em vir nas nossas meditações nas terças se sextas aqui [N.d.T: refere-se às Nações Unidas], poderá ver o que se obtém da nossa meditação. Se vier, certamente sentirá algo.

Mas não estou de forma alguma tentando afastá-lo do Zen – longe disso. Consideremos a meditação uma loja e o Zen, outra. Se entrar numa loja, haverá certos itens que poderão agradá-lo. Basicamente, as duas lojas oferecem a mesma coisa: o amor pela Verdade. Você entra numa loja e vê que ela tem o que você precisa. Na outra loja também há a mesma coisa. Você é quem decide de que loja você quer obter aquilo de que precisa.

Sri Chinmoy, Flame-Waves, part 9, Agni Press, 1978

 

Budismo e o Zen Budismo

A raiz é o hinduísmo. Do hinduísmo veio o budismo, e do budismo surgiu o zen. Vejamos o hinduísmo como o avô, o budismo como o pai, e o zen como o filho. Vejamos o hinduísmo como uma religião, ou uma forma de autodisciplina que um dia nos fará sentir ilimitada alegria, paz e amor. Quando pensamos no budismo, o aspecto-compaixão da realidade é o que surge na nossa mente. O mundo precisa muito de compaixão. Com a nossa compaixão mútua podemos existir juntos na terra. No zen, o importante é a percepção. Temos de ser completamente, conscientemente e constantemente cientes do que estamos fazendo, do que estamos vendo e no que estamos nos tornando. Durante a meditação, teremos ciência disso; durante as refeições, teremos ciência disso; conversando com um amigo, teremos ciência disso também.

No ponto mais alto do zen há algo chamado de satori, ou iluminação. Antes da iluminação há uma escuridão de um lado e uma luz do outro, e nós estamos entre as duas coisas. No entanto, se nos abrigarmos na iluminação, a nossa própria fulgência interior abraçará e abrangirá o mundo inteiro. Vivemos na ignorância por milênios, mas, uma vez que a iluminação acontece, não existe mais ignorância alguma em nós. Tudo é luz e nos tornamos um com a Visão do Absoluto. A maior dádiva no Zen é a iluminação – a mais elevada, tudo-iluminadora, tudo-preenchedora iluminação.

O hinduísmo se baseia no yoga. Yoga é uma palavra do sânscrito que quer dizer unicidade. Quando seguimos os ensinamentos do hinduísmo, seguimos a canção da unicidade. Se alguém sofre, nos tornamos completamente, inseparavelmente um com o seu sofrimento. Se alguém está no sétimo céu de deleite, nos tornamos um com ele no sétimo céu de deleite.

A meta do yoga, ou do hinduísmo, é se tornar um com Deus. Quando nos tornamos um com Deus, não apenas alcançamos a iluminação, como na verdade nos tornamos a iluminação. Nos tornamos um com a infinita Luz de Deus. Na nossa constante unicidade com o que Deus é, com o que Deus nos ofereceu e com o que Deus irá nos oferecer, nos tornamos perfeitos. Nos tornamos Seus instrumentos perfeitos, para revelar e manifestar o Altíssimo na terra. Yoga é unicidade e perfeição, e zen é iluminação e libertação.

Sri Chinmoy, My Meditation-Service at the United Nations for 25 Years, Agni Press, 1995

 

Chakras e a prática do zazen

(Sri Chinmoy fala em conversa com um praticante:)

Temos seis centros espirituais no corpo. Você está se concentrando no Centro que é chamado de manipura. Esse é o centro a que se costuma dar importância na prática do zen. De acordo com os ensinamentos espirituais da Índia, desse centro pode-se obter energia dinâmica. Se utilizar essa energia divina para um propósito divino, você cria. Se a utilizar para um propósito agressivo, você destrói.

Se quiser controlar seus pensamentos, concentre-se no centro que fica entre as sobrancelhas. Se ficar muito rígido e a sua concentração for intensa, não se concentre aqui por mais do que dois minutos. Caso contrário, ficará exausto no começo. Ao se concentrar no chakra do coração, você terá paz, amor e alegria. Ao entrar no coração, tente ouvir o som cósmico, o som sem som. Se trouxer amor, alegria, paz e deleite do coração até o chakra entre as sobrancelhas, verá que não há pensamentos lá.

O coração é o lugar mais seguro para se concentrar e meditar. Fazendo isso, automaticamente encontrará purificação, pois dentro do coração está a alma, e a alma é uma com o Infinito. Daqui se obtém tudo.

De acordo com o zen budismo, o chakra do umbigo deve ser aberto primeiro. Já, rigorosamente de acordo com o sistema hinduísta da vida espiritual, esse chakra não deve ser aberto até que o chakra do coração seja aberto. Se o chakra do umbigo for aberto antes do coração, o vital impuro mais baixo entrará no coração e destruirá todo o seu potencial espiritual. Os mestres zen dizem que ao se concentrar e abrir os centros inferiores se dá a purificação. Mas eu sinto que é melhor primeiro abrir o coração. Se então quiser subir, você sobre; se quiser descer, você desce. É nisso que os meus ensinamentos diferem da prática do Zen.

Sri Chinmoy, Occultism and mysticism, Agni Press, 1977

Tanto no zen quanto em outros caminhos, cada professor é qualificado para falar sobre o seu respectivo caminho. Eu não comparo se um é melhor que outro, ou julgo qualquer caminho, pois não estou autorizado ou qualificado para fazê-lo.

Sri Chinmoy, The soul’s evolution, Agni Press, 1976

A montanha: um ditado zen

Há um ditado zen que diz que, antes de estudar Zen, as montanhas são montanhas. Depois de ingressar na prática do Zen, as montanhas não mais são montanhas. E, finalmente, quando se obtém a iluminação, as montanhas voltam a ser montanhas. Podemos dizer que as montanhas são as dificuldades que encontramos quando entramos para a vida espiritual. Depois de um tempo, vemos que essas montanhas de dificuldades podem ser facilmente atravessadas. São como nuvens que passam, com o sol interior destinado a reaparecer. Por fim, quando realizamos o Altíssimo, vemos que as montanhas de dificuldades que encontramos previamente foram transformadas em montanhas de oportunidades – oportunidades para progresso, conquistas e um maior despertar na sempre-transcendente experiência da Realidade altíssima. As dificuldades se tornaram oportunidades a nos levar para o sempre-transcendente Além.

Sri Chinmoy, The oneness of the Eastern heart and the Western mind, part 2, Agni Press, 2004

 

Uma história do mestre zen Hyakujo

O mestre zen chinês Hyakujo costumava trabalhar duro junto com seus discípulos, mesmo com seus oitenta anos de idade. Ele costumava podar as árvores, limpar o chão, cuidar do jardim, etc. Seus discípulos estavam muito chocados com todo esse esforço. Eles sabiam que não adiantaria nada sugerir a ele que parasse de trabalhar, pois ele não lhes daria ouvidos. Então tiveram uma ideia brilhante. Eles esconderam suas ferramentas. E o mestre cumpriu o seu papel. Ele parou de comer. Isso se sucedeu por vários dias. Os discípulos descobriram porque ele não estava comendo, e devolveram as suas ferramentas. Com um sorriso, ele pegou seu equipamento e exclamou: “Sem trabalho, sem comida!”. Ele voltou a comer normalmente.

Sri Chinmoy, Mahatma Gandhi: the heart of life, Agni Press, 1994

 

Agradando o divino: um Koan Zen

O que você pode fazer para me agradar ao máximo? Agradar-me ao máximo. Responderei agora como um professor zen. Os professores zen responderiam a sua questão desta forma, com um koan. Você me pergunta como pode me agradar ao máximo, e eu digo “Agradando-me ao máximo”. Como você pode me agradar ao máximo? Agradando-me ao máximo.

Não tentar, mas fazer. Essa é a resposta. Não deve haver “como”, não deve haver pergunta. “Estou fazendo” é o que deve haver. Não diga “quero fazer,” ou “irei fazer.” Apenas faça. Se você não puder dizer “eu fiz”, que, infelizmente, é algo que está uns centímetros distante da realidade, diga “estou fazendo.”

Sri Chinmoy, Ten Divine Secrets, Agni Press, 1987

 

A pureza do mestre zen

do livro As Asas da Alegria

Cedo ou tarde, ou no futuro longínquo, você será destinado a presenciar a purificação de sua vida. Se no curso dessa transformação as pessoas não compreenderem ou apreciarem sua vida de pureza, não dê ouvidos às suas críticas. Vemos que até mesmo um Mestre espiritual verdadeiro, sendo a própria encarnação da alva pureza, pode se tornar alvo de críticas do mundo ignorante.

Era uma vez um Mestre Zen, muito puro e iluminado. Perto do lugar em que vivia, uma loja de alimentos havia sido construída. O dono do estabelecimento tinha uma filha que era bela e solteira. Certo dia, ela descobriu que logo seria mãe. Os pais dela se enfureceram. Eles queriam saber quem era o pai, mas a moça não revelou o nome. Após muito repreendê-la e atormentá-la, ela disse que era o Mestre Zen. Os pais acreditaram e correram até ele, insultando-o com uma língua afiadíssima. O Mestre Zen disse: “Verdade?” Tal foi o seu único comentário.

Quando do nascimento da criança, os avós deixaram o bebê com o Mestre. Ele aceitou a criança e cuidou dela. Sua reputação já se havia arruinado, e o Mestre era alvo de chacota. Dias tornaram-se semanas, semanas somaram meses e meses viram-se anos. Mas na vida humana existe algo chamado consciência, e a moça era continuamente torturada por sua própria consciência. Um dia, ela contou aos seus pais o nome do verdadeiro pai da criança, um trabalhador no mercado de peixe. Novamente, os pais lançaram-se em fúria. Ao mesmo tempo, a tristeza e humilhação fustigavam a casa. Correndo para o Mestre Zen, os pais da moça pediram o seu perdão, narrando a história toda e levando a criança de volta. Seu único comentário foi: “É verdade?”

O mundo pode não entender ou apreciar a pureza, mas se a Mãe-Terra for lar para uma única alma de pureza, sua alegria não conhecerá limites. Ela dirá: “Aqui, enfim, há uma alma em que posso confiar.”

 

O mestre e a cigarra: uma história zen

Recontado do livro Night Boat, um romance sobre o mestre zen Hakuin, de Alan Spence

Um mestre zen estava observando uma cigarra que estava trocando de pele. Ela já havia se libertado da maior parte da casca antiga, restando apenas uma asa presa ainda. O mestre ficou tomado de compaixão e ajudou a cigarra, tirando a pele seca da asa esquerda.

No entanto, a cigarra não conseguia bater a asa esquerda para voar e só ficou caminhando sem rumo pelo chão do templo.

Então ele entendeu que tinha feito um grande desfavor ao inseto. A cigarra precisava passar por aquele esforço e sair sozinha da antiga casca, ou então não teria força em suas asas suficiente para voar.

  

Exercícios de concentração e meditação no estilo Zazen

Do livro 222 Técnicas de meditação, de Sri Chinmoy

 

O ponto preto na parede – três abordagens

Se quiser alcançar uma concentração extraordinária, por favor, tente esses exercícios.

Cavando um buraco | Coloque-se bem em frente a uma parede e ponha um ponto nela, bem ao nível do seu terceiro olho [o centro espiritual entre as sobrancelhas]. Deverá ser um ponto preto; você não deve usar nenhuma outra cor. Então olhe para o ponto. Primeiro, olhe com os olhos bem abertos e, então, gradualmente, gradualmente, feche os olhos, mas não totalmente. Tente ver o ponto preto com o mínimo de visão dos seus olhos humanos. Abra seus olhos tanto quanto o e, em seguida tente deixá-los tão pequenos quanto possível, de modo que sua visão seja quase nenhuma. Repita mais uma vez.

Após conseguir fazê-lo, mantenha seus olhos abertos e tente sentir que você está cavando um buraco na parede e entrando nele. Aumente a sua necessidade de atravessar a parede. Em alguns minutos, verá que o seu corpo está aqui, mas alguma parte sua atravessou a parede para o outro lado. O seu poder de concentração levou você para o outro lado da parede. Sinta que deste lado da parede está o corpo e do outro lado está o poder-alma. Então, a partir do seu corpo você olha para a sua alma e, da sua alma, você olha para o seu corpo. Deixe o corpo ver a capacidade da alma e deixe a alma ver a avidez do corpo em se tornar um com ela. Se puder fazer esse exercício, seu poder de concentração irá aumentar imensamente e muito rapidamente.

 

Respirar a partir do ponto | Se você quer desenvolver o poder de concentração, tente fazer isso. Antes de se concentrar, lave bem o seu rosto e olhos com água fria. Então faça um ponto preto na parede, à altura dos olhos. Encare o ponto a uns 30cm de distância e concentre-se nele.

Após alguns minutos, tente sentir que, quando está inspirando, a sua respiração está realmente vindo do ponto, e esse ponto também está inspirando, tirando a própria respiração de você. Tente sentir que há duas pessoas: você e o ponto preto. Sua respiração está vindo desse ponto e a respiração dele vem de você.

Em dez minutos, se a sua concentração for muito poderosa, você sentirá que a sua alma o deixou e entrou no ponto preto na parede. Nesse momento tente sentir que você e a sua alma estão conversando. Sua alma o está levando para o mundo dela, para a realização, e você a está trazendo para o mundo físico, para a manifestação. Dessa forma você pode desenvolver o seu poder de concentração muito facilmente. Mas esse método tem que ser praticado. Há muitas coisas que são muito fáceis com a prática, mas, apenas porque não as praticamos, não obtemos os resultados.

 

Você é todo os olhos | Faça um círculo muito pequeno na parede, à altura dos olhos e, dentro dele, faça um ponto preto. Ele deve ser preto, não azul ou vermelho ou de qualquer outra cor. Então encare a parede, mais ou menos a um metro de distância, e foque a sua atenção no círculo. Seus olhos devem estar relaxados e meio abertos. Deixe a força da sua concentração vir do centro da sua testa.

Após três ou quatro minutos, abra totalmente os olhos e tente sentir que, da cabeça aos pés, você é todo os olhos. Toda a sua existência física se tornou nada além de visão. Então se concentre no ponto dentro do círculo e comece a diminuir o objeto da sua concentração. Após alguns segundos, tente sentir que todo o seu corpo se tornou tão pequeno quanto esse ponto na parede. Tente sentir que o ponto é outra parte da sua própria existência.

Então entre no ponto, atravesse-o e vá para o outro lado. Do outro lado do ponto, olhe para trás e veja o seu próprio corpo. O seu corpo físico está de um lado, mas, pela sua concentração, você enviou o seu corpo sutil para o outro lado do ponto. Através do seu corpo sutil, você está vendo o seu corpo físico e, através do seu corpo físico, está vendo o seu corpo sutil.

Quando começou a se concentrar, o seu corpo físico se tornou todo visão. Naquele momento, o ponto era a sua realidade. Quando entrou no ponto, visão e realidade se tornaram um. Você era a visão e também era a realidade. Quando olhou de volta para si, a partir do ponto, o processo se reverteu. Lá você se tornou a visão, e o lugar para o qual você retornou – seu corpo – era a realidade. Então, a visão e a realidade se tornaram um novamente. Quando puder ver a visão e a realidade dessa forma, a sua concentração será absolutamente perfeita. Quando o seu poder de concentração puder trazê-lo para o outro lado do ponto, o qual estava chamando de realidade, nesse momento, toda a sua existência estará muito além de ambos, visão e realidade. No momento que você puder sentir que transcendeu a sua visão e a sua realidade, terá poder ilimitado.


 

A missão e a luz da alma

Sua alma tem uma missão especial.

Ela está supremamente consciente disso.

Maya, a ilusão ou esquecimento, faz você sentir que é finito, fraco, desamparado. Isso não é verdade. Você não é o corpo.

Você não é os sentidos. Você não é a mente. Eles são todos limitados.

Você é a alma, que é ilimitada. Sua alma é infinitamente poderosa.

Sua alma desafia o espaço e tempo.

– Sri Chinmoy

Pergunta: Como eu posso ver a Luz da minha alma?

Sri Chinmoy: Você tem que sentir que não é o corpo, nem o vital, nem a mente, nem o coração, mas que é a própria alma. Para ter essa experiência, tem que sentir que precisa de Deus e Ele de você. Você precisa de Deus para elevar a sua consciência o máximo possível – alto, mais alto, altíssimo. Deus precisa de você para manifestar-Se em e através de você aqui na terra.

Pergunta: O que impede a alma de manifestar a sua divindade?

Sri Chinmoy: A alma acha difícil manifestar a sua divindade, quando o físico, o vital, a mente e o coração não estão cooperando com ela. A alma tem Paz, Luz e Bem-aventurança infinitas e tem a potencialidade e a capacidade de manifestar a Luz do Supremo. Mas se o corpo, o vital, a mente e o coração conscientemente se recusam a aceitar a Luz da alma, a sua missão será temporariamente atrasada. Mas por fim, todos os membros desregrados da família serão capazes de se render à Luz da alma. Nós podemos acelerar esse acontecimento, ao tentarmos conscientemente nos tornar um com a Paz, Luz e Bem-aventurança da alma, através de nossas orações e meditações.

O significado da vida

textos de Sri Chinmoy

…Na vida espiritual estamos procurando por uma península espiritual. A península é o Amor, a Devoção e a Entrega – Amor Divino, Devoção Divina e Entrega Divina. O amor humano prende; O Amor Divino expande. A devoção humana é o nosso apego inconsciente; a Devoção Divina é o nosso conhecimento consciente da nossa realidade maior. A entrega humana é a entrega do escravo ao seu mestre; a Entrega Divina é a entrega do finito ao Infinito. Essa entrega é consciente, de coração e incondicional e permite que o ser humano realize a sua Fonte, Deus.

 

Pergunta: A Bem-aventurança pode ser experienciada pelo homem na terra?

Sri Chinmoy: Certamente, mas não por um homem comum. Ela pode ser experienciada por homens espirituais, que sabem que Deus é a única Realidade e que tentam experienciar Deus em e através de tudo. Um buscador da Verdade mais elevada e absoluta, é capaz de viver a Bem-aventurança com o passar do tempo, quando chega a Hora-Deus. A Bem-aventurança pode facilmente ser vivida, mas é necessária uma verdadeira preparação para essa experiência. De outra forma, muitas vezes podemos confundir a Bem-aventurança com o prazer. Quando temos Bem-aventurança verdadeira, recebemos uma sensação interior dentro do nosso coração, um tipo de ápice estático dentro dele.

 

Pergunta: Qual é especificamente o propósito da minha vida aqui na terra?

Sri Chinmoy: Especificamente, o propósito da sua vida aqui na terra é oferecer ao Supremo o que você pensa que é – um mar de ignorância – e receber Dele o que Ele sabe que você é – um mar de luz e deleite.

Pergunta: Como eu posso manifestar melhor o Supremo?

Sri Chinmoy: Você pode manifestá-Lo melhor sentindo constantemente no plano físico que é desamparado e inútil sem Ele, pois, o Supremo fica insatisfeito e incompleto, até que tenha Se manifestado em e através de você no plano espiritual.

Pergunta: Qual é a Verdade mais elevada?

Sri Chinmoy: A Verdade mais elevada é que o homem e Deus são eternamente um e inseparáveis, embora nesse momento, o homem seja um Deus não realizado e Deus seja um homem incompleto e não manifestado.

Pergunta: Como a vida pode se tornar mais verdadeira?

Sri Chinmoy: A vida pode não apenas se tornar mais verdadeira, mas a única realidade, se a considerarmos como incorporação de Deus, o Jogador Eterno.

 

Nunca será tarde para amar meus irmãos e irmãs – a humanidade – no meu Amado Supremo.

Nunca será tarde para que eu diga ao meu doce Senhor que eu existo somente para Ele. Vê-Lo cara a cara, a Ele amar, servir e satisfazer, pois para isso eu vi a luz do dia.

Nunca será tarde para aprender o que eu realmente sou no mundo interior e para desaprender o que eu realmente não sou no mundo exterior.

 

Nós estabelecemos uma meta de acordo com a nossa própria percepção interior e essa meta será alcançada. Mas pelo fato de termos estabelecido a nossa meta de acordo com a nossa própria imagem interior, nós não ficaremos satisfeitos; ficaremos frustrados. Mas a todo momento, quando orarmos, nos concentrarmos, meditarmos e contemplarmos, se pudermos manter à frente a nossa promessa devotada ao nosso Amado Supremo e, se pudermos manter a nossa certeza interior, então, poderemos e iremos satisfazer essa promessa – a Ele agradar à Sua própria maneira, para isso nós vimos a luz do dia. Só assim, nossa oração, concentração, meditação e contemplação terão um valor, um significado e uma satisfação verdadeiros.

 

Oh coração problemático, oh coração problemático,

Não seja assim.

Deus vai definitivamente curá-lo,

Curar suas dores,

Seus sofrimentos,

Pois você é Seu divino instrumento escolhido.

Para agradá-Lo em Seu sonho,

Satisfazê-Lo em Seu esquema sem fim,

Você viu a luz do dia.

Deus está sempre pronto a estar com você

Em Seus infinitos sol-deleite,

Lua-brilhante e raio ilimitado.

Agora

Estamos sempre dispostos a dizer que não é muito tarde para fazer alguma coisa, mas falamos que não é muito cedo para fazer algo? Não é muito cedo para fazer qualquer coisa na vida. Não é muito cedo para rezar nas primeiras horas da manhã. Não é muito cedo para realizar Deus. Não é muito cedo para revelá-Lo. Não é muito cedo para manifestá-Lo. O quão cedo realizarmos Deus, revelarmos Deus e manifestarmos Deus, mais cedo teremos um novo começo, apontando para uma meta mais elevada, mais iluminada e mais satisfatória.

Na vida espiritual não há tal coisa como, cedo. Esse momento, o Agora eterno, é o único salvador, único libertador e único preenchedor. Levantar de manhã cedo, às três da manhã, é uma tarefa difícil. Mas se você disser que é muito cedo, então eu direi que está enganado. Você está enganado, porque o que chama de cedo ou tarde, é decidido pela sua mente. É uma descoberta da sua mente, de que três da manhã é cedo e seis da manhã é tarde. É a mente que lhe diz que três da manhã é muito cedo e oito da manhã é muito tarde.

Se for além da mente, não haverá tal coisa como cedo ou tarde. Haverá apenas uma hora, que é a Hora de Deus. E onde está a Hora de Deus? Está dentro do Agora. O que é o Agora? O Agora é Deus-a Preparação, Deus-a Aspiração, Deus-a Evolução e Deus-a Perfeição sempre-transcendente.

1:15pm

20 de Julho de 1977

Centro Sri Chinmoy

Jamaica, Nova York

O amor entre o professor espiritual e o aluno

O AMOR ENTRE O PROFESSOR ESPIRITUAL E O ALUNO

Do livro de Sri Chinmoy, Amor


Página central com todos os tópicos e posts sobre o amor.


 

 

 

Eu amo seu silêncio.

Seu silencio é a estrela polar do meu coração.

 

Eu amo sua voz.

Sua voz é o único néctar da minha vida.

 

Eu amo seu sorriso.

Seu sorriso é a divindade da minha vida.

 

Eu amo seu amor.

Seu amor é o Todo de minha Eternidade.

Como um buscador espiritual pode sentir-se perto de seu Professor espiritual se ele vive distante dele?

 

Isso é uma questão de amor interior, do elo interior, como a conexão entre mãe e filho. Mesmo se a mãe vive na Índia e o filho foi à America para estudar, o coração da mãe está o tempo todo dentro do coração do filho, e o coração do filho está o tempo todo dentro do coração da mãe. Mesmo enquanto o filho está conversando com seu professor e colegas, pode sentir constantemente a presença de sua mãe dentro de seu coração. Quando ele vê algo lindo, ele pensa, ‘’Se ao menos minha mãe pudesse ver isso, ficaria muito feliz.’’ Se ele vai bem em seus estudos, e o professor o elogia, imediatamente pensa, ‘’Ah, como gostaria que minha mãe pudesse ouvir isso!’’ Se algo vai mal, pensa, ‘’Onde está minha mãe para aliviar meu sofrimento?’’ Sua mãe é sempre vívida em sua consciência, porque ele estabeleceu sua unicidade amorosa com ela.

Similarmente, você pode tentar estabelecer esse tipo de unicidade com seu Professor espiritual em todos os aspectos da sua vida: no seu sucesso, no seu fracasso, nas suas alegrias e tristezas. A qualquer hora que você realizar algo ou ver algo que o agrada, imediatamente você irá dizer, ‘’Como eu gostaria que meu Professor espiritual estivesse aqui!’’ É claro que o ser interior de seu Professor espiritual saberá. Mas, se quer ser consciente de sua própria unicidade com seu Professor espiritual a todo momento, então não importa que ação você realize, quer seja boa ou ruim, imediatamente, pense nele.

Desse modo você pode sentir a presença do seu Professor espiritual a todo momento. Pense nele como um amigo para a vida toda, que está sempre ao seu lado, se você está ao sol ou na chuva. Seu Professor espiritual é seu eterno amigo.

 

Eu quero me sentir mais próximo do meu Professor espiritual que vive em outro país. O que você aconselha?

 

Você precisa acreditar que seu Professor espiritual ama a você infinitamente mais do que você ama a si mesmo. Você pensa que está constantemente pensando sobre si mesmo e tendo cuidado com sua vida, enquanto que seu Professor espiritual está conversando com alguém aqui e ali, então como ele pode amar a você mais do que você mesmo?

Se você sente que tem mais carinho, cuidado e amor por si mesmo do que seu Professor tem por você, então não pode se tornar interior e verdadeiramente próximo dele. Se seu Professor espiritual pergunta a você todos os dias se você teve ou não um bom café da manhã, isso não é uma manifestação do seu cuidado. A maneira de seu Professor amar você, a maneira verdadeira de amar você, é infinitamente mais significante do que isso. Sua capacidade de amar a si mesmo é como um dolar, já a capacidade dele de amar a você é como um milhão de dolares.

O sentimento de que seu Professor espiritual o ama tem de ser trazido do seu coração para dentro da sua hesitante e duvidante mente. Enquanto sentir o amor dele, estará destinado a fazer um tremendo progresso e eventualmente convencer sua mente de que ele o ama. E como pode sentir o amor dele? Através das suas próprias orações e meditações.

 

Qual é a natureza do amor entre um professor espiritual e seu aluno?

 

Deixe-me contar uma história real. Um Professor espiritual indiano que vivia no Ocidente foi, um dia, ao hospital para visitar um aluno que havia tido um sério acidente de carro. Embora o aluno estivesse sentindo muita dor e se movesse com dificuldade, ele estava cheio de alegria em ver seu Professor. Ele disse, ‘’Eu sinto que fui ajudado consideravelmente desde o meu acidente pelo seu poder de cura espiritual. Sinto que esse acidente valeu todo momento de dor pela experiência que isso me trouxe. Pela primeira vez em minha vida, eu realmente senti e percebi quanto amor você tem por mim. Eu vi que o amor que você tem é infinito e tudo-abrangente.’’

‘’Isso é absolutamente verdade, meu filho,’’ disse o Professor. ‘’Eu estou sempre dizendo a você e aos outros alunos que eu os amo infinitamente mais do que vocês amam a si mesmos. Sua mente pode não acreditar nisso, mas é verdade.’’

O aluno perguntou, ‘’Como é possível para você nos amar mais do que nós mesmos?’’

O Professor respondeu, ‘’Quando você pensa em si mesmo, pensa sobre todas as suas ansiedades e preocupações. Pensa que sua vida consiste do que você tem que fazer – com quem tem de falar, o que tem visto e assim por diante. Mas, aos Olhos do Supremo, isso não é ,de forma alguma, a sua vida. Sua vida é a sua receptividade – quanto de Seu Amor, Paz e Deleite você é capaz de receber.

‘’Um de meus alunos me disse outro dia, ‘Eu posso acreditar que você me ama e eu amo você, mas quando você diz que nos ama mais do que amamos a nós mesmos, isso não é apenas algo gentil de nos falar?’ Poucos dias depois, o aluno teve um sonho com todos os episódios da vida dele, com tudo que ele fez e conquistou, ele construiu uma casa. Mas gradualmente, gradualmente essa casa começou a desmoronar; todas as coisas ele perdeu e viu o quanto todos esses episódios eram insignificantes. Ele se sentiu totalmente perdido. Então ele me viu lá, constante, com meu amor por ele. Somente quando se tornou totalmente um comigo e eu me tornei totalmente um com ele que ele sentiu qualquer alegria, paz e satisfação.

‘’Todo mundo sente que sua vida é feita desses episódios – a rotina diária de cada um – mas eu gostaria de dizer que essas coisas são meramente experiências que nós temos enquanto vivemos na Terra. Para viver em Deus propriamente, algo mais é necessário. Para viver em Deus devidamente, devemos saber quanto Amor podemos receber, quanta Luz podemos receber do Supremo’’

‘’Mas,’’ disse o aluno, ‘’Eu ainda não entendo exatamente porque você pode me amar mais do que eu amo a mim mesmo. Sinto muito. Sei que você ama, mas não estou certo exatamente de como.’’

‘’Meu filho, a razão é essa. Você vê a si mesmo como um ser humano, cheio de ignorância. Então quando pensa sobre si mesmo, pensa sobre a sua ignorância. Você não vê a si mesmo como um outro Deus; vê a si mesmo como metade-animal. Quando você é insincero, você pensa que sabe todas as coisas e quando tenta ser sincero, pensa que você está cheio de ignorância. Mas você deve saber que o que Deus é, você também é. Somente quando você está com a sua consciência absolutamente no nível mais elevado você pensa sobre si mesmo como um instrumento escolhido por Deus. Você está clamando agora por esse conhecimento de quem você verdadeiramente é. Eu amo você constantemente e infinitamente porque eu sempre sei quem você é. Eu sei que você não é somente um instrumento escolhido do Supremo, mas o próprio Supremo. Há momentos, quando estou olhando para você e para os outros alunos, quando não estou vendo o Supremo em vocês; Estou vendo o próprio Supremo. Você não irá acreditar nisso, mas eu não vejo você como um ser humano com o Supremo dentro, mas como ninguém mais que o Supremo. Eu vejo isso com meus olhos humanos, sem nem mesmo usar meu terceiro olho.

‘’Eu amo o Supremo, que é a sua verdadeira realidade, infinitamente mais do que você pode amar o ser humano que se considera ser. Então, se eu vejo você como o Supremo, como eu poderia não amar você como o Supremo? Você pode pensar que você é seus problemas, que é os detalhes da sua vida e portanto você não pode amar a si mesmo o mais devotadamente. Você será capaz de amar a si mesmo somente quando estiver no seu mais elevado, quando sentir minha presença dentro do seu coração. Mas eu estou amando você constantemente. Aqui está a prova. A maior parte do tempo você está pensando sobre outra coisa – seu trabalho, sua esposa, seus filhos – mas eu estou constantemente pensando em você. Você pensa que está amando a si mesmo – sua família e tudo que constitui a sua vida – mas sua atenção está dividida. Sempre está pensando sobre outras coisas. Mas minha atenção nunca está dividida. Isso é amor constante por você.” Agora o aluno esqueceu totalmente da sua dor. Ele perguntou, ‘’O segredo da consciência desse amor existe na gratidão?’’

‘’Sim, absolutamente. Mas o lamentável é que nossa mente humana sente que gratidão é algo inferior. Nós sentimos que quando oferecemos gratidão a Deus porque Ele nos ofereceu algo primeiro, estamos fazendo algo inferior. Se alguém tem feito algo por nós, naturalmente nós mostraremos nossa gratidão, mas sentimos que o poder da gratidão é inferior ao poder de dar.

‘’Mas Deus vê Ele mesmo como um. Ele sente que esta dando o que Ele tem – Amor e Compaixão – e estamos dando a Ele o que nós temos – gratidão. Nosso poder de gratidão é tão forte quanto sua Luz e Amor-Poder, mas sentimos que a gratidão é inferior porque ele oferece Sua Luz e Amor primeiro. No começo do Jogo, Ele nos deu o que Ele quis dar a nós, que é gratidão, e guardou Consigo Sua Luz. O papel Dele é nos oferecer Luz, e nosso papel é oferecer a Ele gratidão. Ele está fazendo o Seu papel, mas não estamos fazendo o nosso. Agora, se retornarmos a Ele o que Ele tem nos dado, estamos cumprindo o nosso papel, e se Ele oferece a nós o que Ele guardou Consigo, Ele está fazendo o papel Dele. Nosso papel não é de nenhum modo inferior ao Seu papel. Quando você sente gratidão, sente que uma flor – um lótus ou uma rosa – está florescendo dentro de você, pétala por pétala, e quando você sente tremenda gratidão, então sente que a flor está totalmente florescida.

O aluno disse, “Ó Mestre, estou profundamente grato por essa experiência, por eu ter aprendido e recebido tanto de você em e através disso. Eu sei agora que seu poder-amor é a única coisa na Terra que pode me satisfazer totalmente e oro para que um dia minha flor-gratidão satisfaça você totalmente.’’

Livro Bhagavad Gita – capítulo 12 – O Caminho da Devoção

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Livro Bhagavad Gita – capítulo 12 – O Caminho da Devoção

 

Arjuna está extremamente feliz e é muito afortunado, pois ele teve a mais rara visão da Forma Cósmica. Como é possível para ele ainda estar carregado com perguntas filosóficas e espirituais? O motivo para tanto é que sua visão da Forma Cósmica não implica que ele alcançou a Meta das metas. A visão deve ser transformada em uma realidade viva, constante, na vida de Arjuna, e ele também precisa viver na própria realidade. A experiência da visão é boa. A realização da visão é melhor. A incorporação da visão é o melhor de tudo. Melhor do que o melhor de tudo é a revelação da visão. Finalmente, a manifestação da visão é supremamente e divinamente inigualável.

O caminho da meditação e o caminho da devoção são agora comparados. Arjuna deseja saber de Krishna sobre os dois caminhos ­– o caminho da meditação, que leva ao Imanifesto, e o caminho da devoção, que leva ao Deus pessoal. Qual é o melhor dos dois? A resposta de Krishna é que cada caminho, quando seguido fiel e devotadamente, leva à Meta. Mas o caminho da meditação é mais difícil e mais árduo. O corpo físico nos amarra ao mundo material. Por isso, é difícil meditarmos no Impensável, no Inimaginável e no Transcendental. Mas, se abordamos o Senhor que assume a forma humana e toma parte em Seu jogo divino no campo da Sua manifestação, nosso sucesso será indubitavelmente mais fácil, mais rápido e mais convincente, em quantidade tal que nossas mentes físicas não acreditariam ser possível.

Um buscador genuíno deve dissolver tudo o que tem – ignorância e conhecimento – e tudo o que ele é – ego e aspiração – em Deus. Certamente é muito difícil, mas não é impossível. Vejam! A ele é dada a oportunidade dourada de aceitar o mais fácil e mais efetivo caminho. Nesse caminho único, ele apenas tem de oferecer os frutos da ação ao Senhor e tem de dedicar-se – corpo, mente, coração e alma – ao Senhor.

O caminho da meditação e o caminho da devoção levarão por fim à mesma Meta. Mas o que faz com que o aspirante sinta que o caminho da meditação é extremamente difícil de seguir? A resposta é muito simples. O aspirante não pode focar a atenção da sua mente no Além Imanifesto. Mas se o aspirante é devotado ao Senhor em Sua criação manifestada, e se ele deseja enxergar e adorar o seu Amado em cada coisa, seu caminho passa a ficar certamente mais fácil. Primeiro, adore a forma. Então, a partir da forma, vá ao além Sem Forma. No início, o discípulo deve abordar o aspecto divinamente humano do Guru e, então, ele deve ir além, muito além da forma física e substância física do Guru, para comungar com e permanecer no Além indescritível e sempre-transcendente.

O discípulo quer o caminho mais fácil. Sri Krishna graciosamente concorda. Ele diz que o caminho da meditação é difícil, que o caminho do serviço altruísta é difícil e que o caminho inspirado pelo Amor e Devoção é difícil. Mas há ainda um outro caminho, que é extremamente fácil de seguir. Nesse caminho, deve-se apenas renunciar o fruto da ação. Se não podemos realizar o nosso trabalho como um serviço dedicado a Deus, não devemos sucumbir ao negro desapontamento. Podemos simplesmente agir, agir por nós mesmos. Só precisamos oferecer nossos frutos ao Senhor. No entanto, nos sairemos bem se fizermos apenas aquele trabalho que sentimos interiormente como correto. Naturalmente, faremos o trabalho o qual nos é exigido por nosso dever devotado. Se fizermos nosso dever devotado e oferecermos os frutos ao Senhor, em pouco tempo conquistaremos o nosso Piloto Interior.

 

Sua alma tem uma missão especial

ceu missao da alma

Sua alma tem uma missão especial.

Ela está supremamente consciente disso.

Maya, a ilusão ou esquecimento, faz você sentir que é finito, fraco, desamparado. Isso não é verdade. Você não é o corpo.

Você não é os sentidos. Você não é a mente. Eles são todos limitados.

Você é a alma, que é ilimitada. Sua alma é infinitamente poderosa.

Sua alma desafia o espaço e tempo.

– Sri Chinmoy

 

Sua alma tem uma missão especial

Se pensarmos que noções como ‘espaço’ e ‘tempo’ são projeções da nossa mente, criadas para que pudéssemos funcionar de forma, digamos, organizada, na sociedade, fica na verdade fácil de entender que o ‘desafio’ do espaço-tempo pela alma, nada mais é do que a expressão de sua (da alma) liberdade eterna. A alma não pode ser amarrada a conceitos estabelecidos pelo mundo comum dos homens. Portanto o normal para ela não é considerar tais questões.

Sei que isso fica muito vago para nossa mente (talvez um pequeno mergulho na física quântica ajudaria a clarear o assunto). Mas, aceite isso: você não é só o que é palpável. Há todo um mundo oculto, que, eu diria, vivemos também, mesmo que não conscientemente. Portanto, quando dizemos “ah, agora não, vou deixar para fazer isso mais tarde” (seja lá o que for), estamos nos conectando equivocadamente com o tempo eterno, aquele que faz parte do mundo da alma, mas não dos homens. A alma, na verdade, tem urgência em se expressar, se revelar, pois ela é uma fagulha da própria divindade! Nós, seres humanos, esquecidos que somos de nossa alma perfeita, é que usamos o tempo eterno para adiarmos e adiarmos nossas tarefas, nosso conhecimento, nossas aspirações, nossa realização.

Eu poderia estar falando de nossos objetivos comuns de vida, tais como, profissionais, relacionais etc. Conquistas que queremos alcançar na vida, mas que ainda assim, adiamos, nessa conexão equivocada com o tempo eterno (já que temos um tempo limitado de atuação nessa vida, pois perecemos, como corpo físico). Mas estou falando de algo maior, da missão que todos viemos realizar aqui, que é a revelação de que somos seres divinos, habitando um corpo humano. Que missão, não é? Pois a adiamos também. E como! Adiamos ainda que sem perceber, tudo nessa nossa vida, seja a de objetivos comuns ou a de objetivos divinos. Como? Simplesmente porque nunca estamos presentes em nada que fazemos. Já notaram? Estamos sempre no ontem ou no amanhã. Quantas vezes nos pegamos (e observar isso já seria bom) pensando no problema de ontem (e não raramente, esse ontem já está num passado bem distante…) e projetando coisas para o amanhã (projeções para daqui a cinco anos, por exemplo). Quantas vezes estamos realmente conectados com o presente? Com o que estamos fazendo e aonde estamos neste exato momento? Essa verdadeira ‘fuga’ do presente nos leva para uma vida que só existe na nossa mente e não na realidade. Na realidade, podemos estar simplesmente jantando, e isso é tudo que deveria existir, é a nossa verdade. Pensem nisso…Se pudermos viver cada realidade de uma vez, ao invés de pensarmos na que já foi ou na que poderá ser, estaremos mais próximos dos objetivos de nossa alma, que é mostrar sua face divina, pois as fugas só nos afastam de nós mesmos, já que não somos mais o que fomos um dia e não somos ainda o que iremos ser. Viver o presente, viver no presente é o nosso desafio humano para ajudar a alma a desafiar o tempo-espaço.

Apresento pois, o texto a seguir, de Sri Chinmoy, que exalta simplesmente…o Agora!

 

Agora

Estamos sempre dispostos a dizer que não é muito tarde para fazer alguma coisa, mas falamos que não é muito cedo para fazer algo? Não é muito cedo para fazer qualquer coisa na vida. Não é muito cedo para rezar nas primeiras horas da manhã. Não é muito cedo para realizar Deus. Não é muito cedo para revelá-Lo. Não é muito cedo para manifestá-Lo. O quão cedo realizarmos Deus, revelarmos Deus e manifestarmos Deus, mais cedo teremos um novo começo, apontando para uma meta mais elevada, mais iluminada e mais satisfatória.

Na vida espiritual não há tal coisa como, cedo. Esse momento, o Agora eterno, é o único salvador, único libertador e único preenchedor. Levantar de manhã cedo, às três da manhã, é uma tarefa difícil. Mas se você disser que é muito cedo, então eu direi que está enganado. Você está enganado, porque o que chama de cedo ou tarde, é decidido pela sua mente. É uma descoberta da sua mente, de que três da manhã é cedo e seis da manhã é tarde. É a mente que lhe diz que três da manhã é muito cedo e oito da manhã é muito tarde.

Se for além da mente, não haverá tal coisa como cedo ou tarde. Haverá apenas uma hora, que é a Hora de Deus. E onde está a Hora de Deus? Está dentro do Agora. O que é o Agora? O Agora é Deus-a Preparação, Deus-a Aspiração, Deus-a Evolução e Deus-a Perfeição sempre-transcendente.

1:15pm

20 de Julho de 1977

Centro Sri Chinmoy

Jamaica, Nova York