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flor meditação branca

Tem uma história que ilustra bem o princípio da concentração dos esforços. Talvez vocês já tenham ouvido ela. É uma versão pessoal de uma história com milênios de uso.

Uma pessoa queria cavar um poço para encontrar água. Ela começou a cavar no quintal de sua casa, ainda de manhã, bem cedo. Algumas horas depois, um vizinho reparou e indagou o motivo de estar cavando. “Estou procurando água”, disse o escavador. O vizinho respondeu: “Aqui você não vai encontrar água. É por isso que nossas plantas não crescem bem.” O escavador achou que aquilo fazia sentido. Ele fechou o buraco que tinha feito e começou a cavar em outro lugar, que parecia mais propício. Já no início da tarde, um conhecido o encontrou e perguntou por que estava cavando. Ao ouvir a resposta, ele explicou que aquele lugar não tinha água e sugeriu um novo lugar, juntamente com uma nova explicação de por que seria melhor.

Por fim, começou a cavar o terceiro buraco. Jà anoitecendo, cansado e com as mãos feridas, sangrando de tanto manejar o cabo da pá, ele sentou-se na beira do buraco que tinha feito até então. Sentindo-se inútil, começou a pensar mal de suas capacidades e sentir-se destinado a não encontrar água, a despeito de seus esforços. Mais uma pessoa – um geólogo da prefeitura – chegou. Ele, ao invés de perguntar por que estava cavando, perguntou por que a pessoa estava desalentada. A pessoa explicou toda a história e que já não aguentava mais cavar – apesar de não ter ainda encontrado seu objetivo. O geólogo explicou com um riso. “Ha! Que triste mesmo! Na verdade, em qualquer um dos lugares você teria encontrado água. A questão é que você deveria ter cavado em apenas um dos lugares! Ao cavar diversos buracos rasos, você não chegou em resultado algum. Mas ao cavar apenas um buraco com a profundidade dos três, você encontraria água em qualquer um dos locais.”

Essa é uma parábola que ilustra a necessidade de fazermos algo até o fim para conhecermos o seu sentido real. Existem alguns caminhos verdadeiros levando até a meta. Qualquer um deles terá o mesmo destino. Mas, se você trilhar um deles por um quilômetro e voltar, só para seguir outro por um quilômetro e depois voltar, por fim perceberá que – a despeito do esforço empreendido – você está ainda no ponto de partida. E mais: que o seu tempo, a sua vida e a sua energia já foram gastas nesse processo. Você nem saberá se algum daqueles caminhos realmente o levariam até a meta.

Nós não temos ainda a visão interior para “criar um caminho próprio”. Temos de ter a humildade e sinceridade para reconhecer as trilhas estabelecidas que certamente nos levarão até o destino. Uma vez lá, já saberemos reconhecê-lo.

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