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Meditação no Ano Novo

meditacao ano novo paisagem

Meditações de Ano Novo e como aprender a meditar em 2018

Poemas e aforismos de Sri Chinmoy

 

Possa a beleza do Ano Novo

Embelezar o meu coração.

Possa a pureza do Ano Novo

Purificar a minha mente.

Possa a simplicidade do Ano Novo

Simplificar o meu vital

Possa a intensidade do Ano Novo

Intensificar o meu corpo.

Possa a responsabilidade do Ano Novo

Glorificar a minha vida

Possa apenas a divindade do Ano Novo

Completamente satisfazer-me.

 

Sri Chinmoy,

1 de Janeiro de 1997, Takamatsu, Japão

 

 

Um ano novo é

A vinda bem-aventurada

De uma nova consciência.

 

Sri Chinmoy,

Seventy-Seven Thousand Service-Trees, part 39, Agni Press, 2004

 

Um novo ano é uma nova vida. Uma nova vida é um novo segundo. Um novo segundo é uma nova oportunidade. Uma nova oportunidade é uma nova bênção do Supremo Infinito.

Sri Chinmoy,

Arise! Awake! Thoughts of a Yogi, Frederick Fell, Inc., 1972

 

Se você quiser sentir novidade

No ano novo,

Terá de obter essa novidade

Do ano novo em si.

O ano novo possui todas as novidades:

Nova promessa,

Novo sucesso,

Novo progresso.

 

Sri Chinmoy

Ten Thousand Flower-Flames, part 52, Agni Press, 1983

 

 

 

Minhas crianças espirituais, o seu ano novo tem de ser o ano da fé, e não da dúvida.

O seu ano novo tem de ser o ano da alegria, e não do desespero.

O seu ano novo tem de ser o ano das conquistas e satisfação genuína, e não do fracasso e desgraça.

O seu ano novo tem de ser o ano da vida imortalizante, e não da morte escurecedora.

 

Sri Chinmoy

Arise! Awake! Thoughts Of A Yogi, Agni Press, 1972

 

Um exercício de concentração para meditar no Ano Novo

 


 

Meditações de Ano Novo

Nesta página, tentamos escolher algumas mensagens e meditações relacionadas ao ano novo.

Mensagem de ano novo

 

Começar a meditar no Ano Novo (seja 2018, 2019 ou 2100!!!)

Se tiver interesse, temos os cursos gratuitos para você aprender a meditar conosco!

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Quando Desperta O Ano Novo

um discurso de Sri Chinmoy

 

Na véspera do Ano Novo uma nova consciência desperta na Terra. Deus uma vez mais inspira cada ser humano – cada criatura – com nova esperança, nova luz, nova paz e nova alegria. Deus diz: “O Novo Ano desponta e uma nova consciência desperta também dentro de você. Corra em direção à Meta destinada.” Nós ouvimos a Deus, aos ditames de nosso Piloto Interior, e corremos em direção à Realidade derradeira. O Ano Novo nos energiza, nos encoraja e nos inspira a correr em direção àquela Meta derradeira.

Quando desperta o Ano Novo, temos de nos fazer conscientes do fato de que devemos ir além de nós mesmos neste ano. Temos de ir além de nossa capacidade atual, além das nossas conquistas de hoje. Quando possuímos esse tipo de firme determinação, Deus derrama sobre nós as Suas Bênçãos prediletas.

Deus nos quer sempre seguindo em frente, e não olhando para trás. Sabemos que, se um corredor corre com velocidade e olha para trás, ele poderá tropeçar. Igualmente, se nós estamos constantemente olhando para trás, para o ano que estamos deixando de lado, pensaremos em nossa tristeza, sofrimento, frustração, fracasso e tudo o mais. Todavia, se olharmos adiante, veremos esperança despertando em nosso interior profundo. A cada dia devemos sentir que viajamos mais uma milha. Sabemos que um dia alcançaremos nossa Meta. Ainda que nossa velocidade diminua, temos de continuar correndo e não desistir no meio do caminho. Quando alcançarmos nossa meta, veremos que valeu a pena o esforço.

– Sri Chinmoy

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Meditação diária matinal – 01 de novembro

Escolha servir. O mundo começará a amá-lo imediatamente.

Uma pessoa espiritual encontrou o seu trabalho. Seu trabalho é o serviço altruísta. Seu trabalho é a ação dedicada. É certo que ele não precisa de outra bênção. Sua ação é a aceitação divina da existência terrena. E para isso ele precisa de um corpo perfeito, uma mente forte, um coração repleto de alma e uma vida supremamente inspirada de receptividade interior e capacidade exterior.

Ontem eu queria conquistar

Para que pudesse me tornar

Algo ou alguém grande

No mundo.

Hoje meu desejo se purificou

E transformou na minha aspiração

Por servir o mundo.

-Sri Chinmoy

do livro My Daily Heart-Blossoms

índice das meditações diárias matinais

28 de outubro – meditação diária matinal

28 de outubro – meditação diária matinal

 

A alma em mim é para ser constantemente usada por Deus. O corpo em mim é para ser constantemente usado por Deus. Minha própria vida é para ser constantemente usada por Deus.

Quando um aspirante for totalmente entregue à Vontade de Deus, ele sentirá alegria abundante. Ele sentira toda a alegria no seu coração e viverá em constante alegria. Ele não será capaz de explicar porque ou como aconteceu. Quando levantar de manhã cedo, ele terá um sentimento ou sensação muito doce. Se tocar uma parede, sentirá alegria; se tocar um espelho, sentirá alegria também. Sua própria alegria entra em tudo que vê. Por vezes ele pode ver que uma parede está repleta de alegria; uma árvore está repleta de alegria. Se um táxi passar, ele sentirá intensa alegria no motorista, e até mesmo no próprio carro. Sua alegria interior entrará em cada pessoa, cada objeto, e permeará tudo.

A sua aceitação-entrega

À Vontade de Deus

Criou uma nova esperança

Para o mundo todo.

-Sri Chinmoy, do livro My Daily Heart-Blossoms

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Poemas de amor espiritual de Rabia Basri Al-Adiwyya

Poemas de amor espiritual de Rabia Basri Al-Adiwyya

traduzidos por Patanga Cordeiro, do livro Seven Great Female Sufi Poets, by Paul Smith

 

Senhor, mais uma noite passa, mais um dia chega:

passei a noite bem para que possa ter paz,

ou… por favor me diga, só estive desperdiçando-a,

e agora lamentarei a minha perda, mais um vez?

Eu juro, desde aquele dia e, que Você me deu uma vida nova…

Você se tornou meu Amigo, mas ainda assim não consigo dormir.

E se Você me mandar embora, eu juro, não estaremos separados,

pois no meu coração Você vive, e reina!

– Rabia Basri Al-Adiwyya

 

Ó meu Senhor… as estrelas brilham

e os olhos das pessoas fecham-se.

Os reis trancaram seus palácios:

cada amante está a sós, com um amado!

Aqui estou eu… no lugar onde estou

com Você… apenas Você, meu Amado!

– Rabia Basri Al-Adiwyya

 

 

Eu O amei de duas maneiras…

Uma, egoísta, e outra, um amor verdadeiro!

Da maneira egoísta eu nada faço,

mas quando penso, penso em Você.

E, da maneira digna,

Você ergue o véu para mim vê-Lo!

Em ambos os casos, tenho mérito….

nos dois casos, o mérito é só Seu!

– Rabia Basri Al-Adiwyya

 

Você está na minha alma, completamente Você

entrou em mim… um amigo deve ser tal;

e portanto é sobre Você quando falo,

por Você que anseio quando silente.

– Rabia Basri Al-Adiwyya

 

Mais poesia espiritual

Eu aprecio a beleza…

Preciso apenas de Deus

 

Eu admiro a beleza,

Mas

Preciso apenas de Deus.

 

Eu admiro a grandiosidade,

Mas

Preciso apenas de Deus.

 

Eu adoro a bondade,

Mas

Preciso apenas de Deus.

 

Eu amo a unicidade,

Mas

Preciso apenas de Deus.

 

  • Sri Chinmoy, “I Need Only God”

 

Amor pela humanidade

AMOR PELA HUMANIDADE

Do livro de Sri Chinmoy, Amor


Página central com todos os tópicos e posts sobre o amor.


 

 

Ame a humanidade aqui,

Com toda a alma e incansávelmente.

A recompensa você terá em outro lugar,

Certa e infinitamente.

 

 

 

Se queremos aceitar Deus o Criador, então nós temos de aceitar Deus a Criação também. Algumas figuras espirituais do passado venerável somente queriam aceitar Deus o Criador, mas não Deus a Criação. Eles disseram: ‘’Deixe que nós escalemos e permaneçamos no topo dos Himalayas.’’

Mas Deus disse, ‘’Se vocês Me amam verdadeiramente, então devem descer pela causa da pobreza da humanidade, pela causa daquelas pessoas que estão ao pé da montanha, e servir a eles com sua luz, com seu deleite, com sua paz – com o que quer que tenham descoberto. Se vocês querem subir, Eu estou lá para dar a vocês Luz e Beatitude, mas eu quero que compartilhem isso com a humanidade. ’’

Tentamos amar a toda humanidade com nossa consciência, conhecimento e convicção internos de que dentro de cada indivíduo está a presença de Deus. Só porque amamos Deus, tentamos devotar nós mesmos a Ele e servir a Ele na humanidade.

Se nós amamos o mundo durante a nossa meditação, mas o odiamos assim que nossa meditação tiver terminado, então essa não é uma boa meditação. Nossa meditação deve nos seguir quando entramos na correria do dia a dia.

 

Como podemos ter sincero amor pela humanidade?

 

Você pode ter sincero amor pela humanidade apenas quando amar a Fonte da humanidade, Deus. Se você ama a raiz, apenas então poderá amar a árvore. A raiz é Deus. Se você estiver consciente da raiz, apenas então poderá amar a humanidade. Você não pode amar qualquer ser humano a menos e até que ame Deus. Se você pode se fazer sentir que ama Deus, somente Deus, e ninguém mais, então você amará a todo mundo, porque Deus está dentro de todo mundo.

 

A cada vez que eu amo a humanidade

Sem reservas,

A cada vez que eu amo a Deus

Incondicionalmente,

Eu recupero uma parte

Da minha vida real.

 

Como pode alguém aceitar e amar os seus companheiros humanos?

 

Você deve considerar as pessoas ao seu redor como membros do seu próprio corpo. Sem eles você é incompleto. Cada pessoa tem um papel a cumprir. Seu polegar é muito mais forte do que o seu dedinho. Mas o dedinho também tem sua função. Deus nos deu cinco dedos. Seu dedo do meio é o maior. Se você sente que por essa razão não precisa dos outros dedos, então está tristemente enganado. Se quer tocar piano ou se quer digitar, então precisa de todos os cinco dedos.

Você pode amar as pessoas à sua volta somente quando sentir a necessidade de perfeição verdadeira. Se você permanece isolado como um indivíduo, então seu sucesso espiritual é limitado. Por essa razão, somente aceitando a humanidade como parte e parcela da sua própria vida e aperfeiçoando a humanidade com sua própria iluminação é que você pode aperfeiçoar a si mesmo.

 

Em termos práticos, como podemos dar ao mundo nosso próprio amor e cuidado?

 

De manhã ou à noite, durante sua oração diária, você pode adicionar à sua oração: ‘’Ó Senhor, eu peço que o mundo seja melhor, mais iluminante e satisfatório, pela Sua infinita Graça.’’ Deus é o Criador e Sustentador do mundo. Se sua oração alcança o Criador, o que certamente acontecerá se sua oração for sincera e intensa, Ele pode facilmente transportar o seu cuidado e amor ao mundo inteiro.

A paz, a alegria e o amor que nós recebemos em nossa meditação nós podemos facilmente dar aos outros. Mas o processo é interior. E a melhor maneira de executar esse processo é se aproximar da Fonte. Nós sabemos que não podemos ir a todo lugar e não podemos nos aproximar de todo mundo durante nossa oração. Mas há Alguém que pode fazer isso a nosso favor, e esse alguém é Deus. Durante nossa oração, se pedimos para Ele oferecer Paz, Cuidado e Amor ao mundo em geral, naturalmente Ele pode fazer isso. Nosso companheirismo diário com Deus é a melhor maneira de oferecermos ao mundo nosso amor e cuidado.

 

Como posso aumentar minha capacidade de aceitar amor?

 

Você pode aumentar sua capacidade de aceitar amor dando amor aos outros. Quanto mais amor você der, mais amor receberá. Se é capaz de dar mais amor à humanidade, então será capaz de receber amor abundante da humanidade. Você está expandindo sua própria realidade dentro da Realidade Universal de Deus.

 

Se realmente valorizamos

O amor-unicidade do coração,

Então Deus sempre nos abastecerá

Com ilimitadas possibilidades

Aqui na Terra

Para expressar nosso amor

E sermos amados pelos outros.

Livro Bhagavad Gita – capítulo 13 – O Campo e o Conhecedor do Campo

livro sagrado do hinduismo pdf bhagavad gitado livro de Sri Chinmoy, Comentários sobre o Bhagavad Gita


 

Livro Bhagavad Gita – capítulo 13 – O Campo e o Conhecedor do Campo

 

Devoção é mais do que suficiente para realizar o Senhor Krishna, a Verdade Eterna. No entanto, neste capítulo, Sri Krishna quer ampliar o conhecimento de Arjuna, de maneira filosófica e intelectual. Aqueles que acalentam perguntas filosóficas e intelectuais sobre a Verdade serão agora verdadeiramente satisfeitos.

Tentamos evitar e ignorar aquilo que cria problemas em nossa vida. De acordo com Krishna, essa dita sabedoria nada é, salvo ignorância. É verdade que não tentaremos criar problemas nós mesmos. Mas, se os problemas aparecem, então temos de encará-los, entrar neles e, finalmente, conquistá-los de forma corajosa e completa.

Arjuna já foi abençoado pelo Senhor com as altitudes interiores. Agora o Senhor quer iluminá-lo com o conhecimento do cosmos, onde ele deve ter um papel consciente.

Matéria e espírito. Prakriti e Purusha. O campo e o conhecedor do campo. O corpo é o campo. A alma é o seu conhecedor. A verdadeira sabedoria reside em realizar o Supremo Conhecedor e o cosmos conhecido e revelado.

Existem vinte e quatro tattvas, princípios, que constituem o campo. O primeiro grupo de grandes elementos ou bases é: terra, água, fogo, ar e éter. O campo também abriga o ego e a mente terra-limitada, o intelecto, os cinco órgãos de ação – mãos, pés, língua e os dois órgãos de excreção –, e também os órgãos dos sentidos, como o nariz, boca, olhos, ouvidos, etc. As cinco esferas dos sentidos são a visão, o olfato, o paladar, a audição e o tato.

Apenas uma coisa deve ser conhecida. Saber que o Senhor está dentro do cosmos, fora do cosmos e além do cosmos é saber tudo.

Matéria e Espírito (Prakriti e Purusha) não têm início. A matéria é a substância primordial. A matéria é sempre mutante. O Espírito é sempre estático. A matéria é possuidora de infinitas qualidades. O Espírito vê e sanciona. A matéria faz, cresce e se torna. O Espírito é consciência. O Espírito é a testemunha. A matéria é a criatividade infinita. O Espírito é a Realidade no homem. O Espírito é o percebedor da matéria. Aquele que realizou o eterno silêncio do Espírito e a dança cósmica da matéria pode agir em qualquer âmbito da vida, seja como médico ou filósofo, poeta ou cantor. Ele alcançou a perfeição da realização suprema. Alguns realizam o Supremo Espírito na meditação. Outros realizam pelo conhecimento (a filosofia Sankhya). Há ainda outros que realizam o Supremo Espírito pelo yoga da ação e serviço abnegado. Em adição, há aqueles que não estão cientes, mas ouviram sobre o Supremo Espírito de outros e começaram a adorá-Lo em devoção, também aderindo firmemente à Verdade. Eles vão além da mortalidade e transpõem as armadilhas da morte.

O Espírito está na matéria. Ele degusta as qualidades nascidas da matéria. Ele experimenta a existência física. As qualidades adquiridas determinam o seu renascimento. O Espírito é o Próprio Supremo. Apesar de Mestre do corpo, ele passa pela vida mortal.

O caminho até Deus é enxergar a Vida Eterna na vida efêmera; saber que a Prakriti, e não o Purusha, é apegado à ação. Todas as atividades, diz o Gita, divinas e não-divinas, nascem na Prakriti. O Purusha é imóvel. Nenhuma ação é possível no Purusha, pois ele transcende ambos tempo e espaço. Ainda assim, sem o Purusha, não pode haver universo, não pode haver manifestação.

Conhecer que Purusha e Prakriti são um só e inseparáveis é conhecer a Verdade, a Verdade da unidade e divindade na humanidade, que irá por fim ser manifestada como a divindade da humanidade.

O Gita não abriga metafísica lógica, árida. Seus ensinamentos não precisam de qualquer apoio dos argumentos intelectuais. A razão humana não pode bater à porta da Realidade Transcendental, nunca. O que é o Gita, senão a Realidade Transcendental supremamente e divinamente incorporada?

Cada ser humano tem de aprender cinco segredos supremos com o Gita:

Veja a Verdade.

Sinta a Verdade.

Seja a Verdade.

Revele a Verdade.

Manifeste a Verdade.

Neste capítulo observamos que o Gita é, ao mesmo tempo, o significado da vida e a interpretação divina da vida. Infelizmente, este capítulo em particular tornou-se vítima de feroz contradição, apesar do fato de que o Gita, do início ao fim de sua jornada, não vê o rosto da contradição. O Gita vê e revela apenas a face da Verdade em sua unidade na multiplicidade. Estudiosos e comentaristas estão em guerra em suas teorias. Nem mesmo os filósofos estão inclinados a evitar essa batalha. Cada um está inspirado a impor suas sublimes teorias sobre os outros. Mas um buscador genuíno da Suprema Verdade é realmente sábio. Ele ora para o Senhor Krishna para que o Gita seja sua experiência pessoal. Sri Krishna sorri. O devoto declama:

 

Tu, que tens me dado tanto,

Dê-me uma coisa mais, um coração grato.

Não um coração agradecido quando eu quiser,

Como se as Tuas Bênçãos tivessem dias de folga,

Mas um coração tal cujas batidas possam ser

Tua adoração.

     – George Herbert

 

Vejam! O devoto venceu a corrida! O devoto precisa de um Guru, um Mestre. Sri Krishna é o Guru, e Arjuna é o discípulo. Um eminente erudito indiano, Hari Prasad Shastri, escreve:

 

É o Guru, ou Mestre, uma necessidade absoluta para a realização da Verdade? A resposta, de acordo com o Gita, é “Sim”. O Guru é a pessoa que ensina a unidade da alma com o Absoluto e vive a vida de Sattva. Ele pode ser de qualquer um dos dois sexos e, de acordo com o Gita, não precisa ser um recluso, vivendo nas neves do Himalaia, afastado do mundo, falando apenas através de apóstolos escolhidos e enviando cartas fantásticas através do ‘correio astral.’ O Guru do Gita é um homem como qualquer outro bom homem, que todos podem ver em horários convenientes, que vive na sociedade e não clama superioridade sobre outros.

 

Finalmente, o Gita nos conta que o Guru de todos os gurus, o verdadeiro Guru, é Deus.

Livro Bhagavad Gita – capítulo 1 – A Tristeza de Arjuna

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A Tristeza de Arjuna

 

O Gita começa com as palavras Dharmakshetre Kurukshetre (Bhagavad Gita 1.1). “No campo sagrado de Kurukshetra” – essa é a tradução literal. Kshetra significa campo. Dharma é uma palavra espiritual extremamente fértil em significados. Ela quer dizer o código interior da vida; lei moral, religiosa e espiritual; fé viva na existência de Deus e na própria existência; dever pleno de alma, especialmente os previstos nas escrituras, observância devotada de qualquer casta ou secto e disposição para atender os ditames da própria alma.

A raiz em sânscrito da palavra dharma é dhri, prender. Quem nos prende? Deus. O que nos prende? A Verdade. O Dharma prevalece. Se não sempre, por fim ele deve prevalecer, pois no dharma está o próprio alento de Deus.

Duryodhana foi até Gandhari, sua mãe, na véspera da guerra, para receber suas bênçãos. ‘Tal mãe, tal filho’, dizem. Mas aqui tratamos de uma verdadeira exceção. Ela abençoou Duryodhana, dizendo: “A vitória estará onde o dharma estiver.” Isso quiz dizer que Yudhisthira, o filho do dharma, venceria a guerra. Ela tinha tal coração altruísta. E digo mais: o mundo estuda o dharma único de Gandhari na aceitação inigualável do destino de seu esposo. Deus não deu visão a Dhritarashtra. Gandhari provou sua unicidade absoluta com seu esposo cego ao vendar seus próprios olhos. Ela abraçou a cegueira, um sacrifício digno de ser lembrado e admirado pela humanidade. Ela não via o mundo exterior. Mas as bênçãos prediletas do mundo interior pairavam sobre Gandhari.

O dharma do nosso corpo é o serviço, o dharma da nossa mente é a iluminação, o dharma do nosso coração é a unicidade e o dharma da nossa alma é a libertação.

Algumas pessoas clamam que dharma quer dizer religião. Nesse caso, quantas religiões existem? Apenas uma. Certamente não existem duas, e muito menos três. E o que significa religião? Religião significa descoberta-homem e descoberta-Deus, as quais são a mesma e única coisa.

Observemos atentamente a palavra dharmakshetra, ‘o campo do dharma’. Por que Kurukshetra é chamado de dharmakshetra? Um campo de batalha pode ser qualquer coisa menos dharmakshetra, mas essa batalha se deu no Kurukshetra, onde incontáveis sacrifícios religiosos foram realizados. E algo mais: Kurukshetra era situado em meio a dois rios sagrados, o Yamuna e o Saraswati, na parte noroeste da Índia. Um rio é perpetuamente sagrado. O rio abriga água. Água representa consciência no domínio da espiritualidade, e essa consciência é sempre pura, intocada, santificadora e energizante. Descobrimos porque o Kurukshetra se chamava dharmakshetra e não outra coisa.

Considerar o primeiro capítulo como um capítulo introdutório, dando-lhe muito pouca importância, como fazem alguns estudiosos, intérpretes e leitores, pode não ser um ato de sabedoria. O primeiro capítulo tem um significado especial próprio. Ele lida com a tristeza de Arjuna, com seu conflito interior. O pobre Arjuna estava dividido em tristeza entre duas idéias igualmente formidáveis: deveria ele ir à guerra ou não? Curiosamente, Kunti Devi, a mãe de Arjuna, orava ao Senhor Krishna para que lhe abençoasse com tristeza perpétua. Por quê? Kunti Devi percebeu que, se a tristeza a abandonasse e a deixasse para sempre, certamente não haveria necessidade da sua parte de invocar o Senhor Krishna. O seu mundo queria sempre a tristeza, sofrimento e tribulação, para que o seu coração pudesse constantemente acalentar a toda-compassiva Presença do Senhor. Até um certo ponto, podemos recordar, sob o mesmo tema, o Endymion de Keats:

 

“… mas alegremente, alegremente ela (a tristeza)

me ama carinhosamente;

Ela é tão constante comigo, e tão bondosa.”

 

Na verdade, do mais elevado ponto de vista espiritual, não podemos hospedar a sabedoria de Kunti Devi. Uma pessoa espiritual não tem de abraçar o sofrimento com a esperança de alcançar a Dádiva de Deus. Ela tem de aspirar. Sua aspiração tem de revelar a presença de Deus dentro dela – o Amor , a Paz, Deleite e Poder de Deus. Ela encara a tristeza como uma experiência na vida. A pessoa espiritual também sabe que é Deus quem está tendo essa experiência em e através dela.

É verdade que a tristeza purifica nosso coração emocional. Mas a Luz divina realiza essa tarefa de maneira muito mais exitosa. Ainda assim, não devemos temer a chegada da tristeza na vida. Longe disso. A tristeza deve ser transformada em alegria duradoura. Como? Com a aspiração ascendente do nosso coração e a sempre-fluente Compaixão de Deus combinadas. Por quê? Porque Deus é todo alegria, e o que nós humanos queremos é ver, sentir, realizar e por fim nos tornarmos Deus, o Deleitoso.

Os principais guerreiros podiam ser vistos agora em ambos os lados. Alguns estavam ávidos para lutar, de forma a demonstrar seu grande valor, ao passo que guerreiros inigualáveis como Bhishma, Drona e Kripa lutavam por conta de um débito moral. No campo de batalha em si, logo antes de a batalha começar, Yudhisthira caminhou descalço até o exército oponente, precisamente até Bhishma, Drona e outros simpatizantes, buscando suas bênçãos. Bhishma, enquanto abençoava Yudhisthira dos mais profundos recônditos de seu coração, disse: “Filho, meu corpo irá lutar, mas meu coração estará com você e seus irmãos. Sua Vitória está destinada.” Drona, ao abençoar Yudhisthira, exclamou: “Sou vítima de um débito. Eu lutarei pelos Kauravas, é verdade. Mas a vitória será sua. Tal é a certeza do meu coração brâmane.”

Acabadas as bênçãos, Yudhisthira retornou. Então soaram inúmeras trombetas, conchas, tambores de guerra e cornetas. Elefantes bramiram, cavalos relincharam. A mais selvagem tempestade despencou.

Flechas voaram como meteoros no céu. Esquecida estava a doce, antiga afeição. A morte cantava a sua canção. Podemos agora lembrar da “Investida da Brigada Leve” –

 

Canhões à direita deles,

Canhões à esquerda e

Canhões adiante

Atiraram e relampejaram;

Trovejados com balas e projéteis

Corajosamente eles cavalgaram

Diretamente para as mandíbulas da Morte.

 

 

O canhão não havia ainda sido inventado naquele tempo, nos dias do Mahabharata, mas a cena de morte era a mesma, com flechas, espadas, maças e projéteis. Não seria necessário explicitar, mas devemos nos identificar com as flechas, maças e rugidos de leão dos heróis do Mahabharata, e não com as grandiosas descobertas de guerra de hoje. A alegria em conhecer as conquistas do passado venerável é, ao mesmo tempo, irresistível e inimaginável.

Arjuna exclamou: “Por favor, posicione minha carruagem, Ó Krishna, entre as duas formações de batalha, para que eu possa ver aqueles que anseiam pela guerra. (1.21-22)” Ele observou as posições da batalha. Mas, ora, Arjuna viu entre seus oponentes mortais aquelas mesmas almas humanas com quem sempre teve proximidade e por quem sempre sentiu carinho. Assoberbado de uma tristeza escura, Arjuna, pela primeira vez na sua vida de heroísmo ímpar, manifestou uma impensável expressão de fraqueza de coração. “Meu corpo treme, minha boca está seca, meus braços estão moles, o medo me tortura integralmente, tenho arrepios nos pelos, meu arco escapa da minha mão e minha mente vacila. É difícil para mim até mesmo ficar em pé. Krishna, a vitória sobre eles, meus inimigos presentes, eu não busco. Eles eram parte de mim. Ainda são. Eu não busco reinos ou vida fácil. Que eles ataquem, pois eles querem e o farão. Mas eu não lançarei minha arma sobre eles, nem mesmo pela soberania sobre os três mundos, e tanto menos pela terra!”

Com uma arma moral após a outra, Arjuna atacou Sri Krishna. Ele estava determinado a descartar suas armas de guerra para sempre. Arjuna começou a sua filosofia com a correta predição da carnificina de seus compatriotas, da terrível calamidade da destruição da família. Ele enfatizou que, quando a virtude se perde, a família fica presa firmemente sob as algemas do mal. E tudo isso se dá por conta da falta de licitude. Quando a ilicitude predomina, as mulheres da família ficam corrompidas. Com as mulheres corrompidas, a confusão de castas começa a surgir.

Ofereço algumas palavras sobre a confusão de castas. A Índia ainda é ridicularizada impiedosamente por se ater ao sistema de castas. Em verdade, o sistema de castas é a unidade na diversidade. Cada casta é como um membro do corpo. As quatro castas são: o brahmin (sacerdote), o kshatriya (guerreiro), o vaishya (agricultor) e o sudra (trabalhador). A origem das castas é vista nos vedas. O brahmin é a boca do Purusha, o Supremo personificado. Rajanya (kshatriya) são os dois braços do Purusha. Os vaishyas são suas coxas, e os sudras são seus pés.

Em conexão com a destruição das castas, Arjuna diz ao Senhor Krishna que tudo leva em direção ao temível pecado. No mundo ocidental, infelizmente, a palavra ‘pecado’ parece estar presente em todos os âmbitos da vida como algo mais fatal do que a perdição. Para eles, (perdoem-me,) o pecado é parte da vida. No oriente, especialmente na Índia, a palavra pecado traz um significado diferente. Ele representa imperfeição, nada mais e nada menos. A consciência humana prossegue da imperfeição à perfeição. Os videntes dos Upanishads não davam importância alguma ao pecado. Eles ensinavam ao mundo a serenidade, santidade, integridade e divindade do homem.

Retornemos ao pobre Arjuna. Ele disse: “Que os filhos de Dhritarashtra, armados, acabem com a minha vida enquanto eu esteja desarmado, sem resistência. Prefiro, em toda a sinceridade, a minha morte à vitória!” (1.46)

Ó Arjuna, o herói supremo! Descartando o seu arco e flecha, com pesar, trêmulo e devotadamente, Arjuna afunda no canto da sua carruagem.

“Lutar não é para Arjuna. Krishna, eu não lutarei.” (cf. 2.9)

 

Houve um tempo em que eu adorava as tapeçarias fantásticas da mente

yoga passos

Houve um tempo
Em que eu adorava
As tapeçarias fantásticas da mente.
Houve um tempo
Em que eu vivia minha vida
Fundado em ficções escolhidas.
Houve um tempo
Em que eu estava satisfeito
Com um fragmento da realidade,
Moída, partida e despedaçada.
Mas agora uma lúcida iluminação
Adentrou no meu coração.
A eterna Presença
Da Luz da Infinidade
Nutre o Despertar da minha Visão.

– Sri Chinmoy

Paz interior e liberdade

paz interior

Paz e liberdade

por Sri Chinmoy, do livro Meditação, Yoga e a Arte de Viver: a Aventura da Vida

 

É apenas através

Da paz interior

Que poderemos ter

Verdadeira liberdade exterior.

 

A origem da liberdade

Liberdade é felicidade. Liberdade é plenitude. Liberdade pode ser outras coisas, também. A liberdade pode trazer sofrimentos terríveis. Os seres humanos precisam de liberdade – liberdade da tirania, liberdade da escravidão, liberdade das amarras, liberdade da ignorância. Alguns seres humanos querem liberdade para criar, e outros querem liberdade para destruir. Outros ainda precisam de liberdade para aspirar e se dedicar.

Lutamos pela liberdade exterior. Clamamos pela liberdade interior. Com a liberdade exterior, alcançamos e dominamos os quatro cantos do mundo. Com a liberdade interior, vemos a Alma e nos tornamos a Meta de todo o universo.

Sinto que a liberdade vive na paz e somente na paz.

Se você tem paz interior, ninguém poderá forçá-lo a ser um escravo da realidade exterior.

Nenhum preço é grande demais a se pagar pela paz interior. A paz é o controle harmonioso da vida. Ela ressoa, repleta de energia-vida. É um poder que facilmente transcende todo o nosso conhecimento mundano. Ainda assim, não está separado da nossa existência terrena. Se abrirmos os caminhos corretos dentro de nós, essa paz poderá ser sentida aqui e agora.

A pior tristeza que pode acometer um ser humano é perder a sua paz interior. Nenhuma força externa pode roubá-la. São os seus próprios pensamentos, as suas próprias ações que a roubam.

O mundo interior foi encarcerado pela inquietação e pelo nervosismo. A meta de se praticar Yoga é justamente ter paz, paz de espírito. Quando alguém adquire paz de espírito, automaticamente ele passa a ter uma força interior insuperável. Como poderia o nervosismo afetar alguém que está repleto de força interior? Não haverá qualquer inquietação ou nervosismo. O nervosismo vem quando você separa a parte do seu todo. O medo aparece quando você separa uma coisa do seu todo.

Não devemos permitir que o nosso passado atormente e destrua a paz do nosso coração. Nossas ações boas e divinas de hoje podem facilmente contrabalançar nossas ações ruins e não divinas do passado. Se o pecado tem o poder de nos fazer chorar, a meditação tem o poder de nos proporcionar alegria e nos imbuir de sabedoria divina.

Nossa paz é interior, e essa paz é a fundação da nossa vida.

Nossa paz é interior, e essa paz é a fundação da nossa vida. Assim, de hoje em diante, façamos nossas mentes e corações repletos de lágrimas de devoção, que são a fundação da paz. Se a nossa fundação é sólida, não importa o quão alto ergamos a estrutura, o perigo nunca poderá nos ameaçar, pois há paz acima, há paz abaixo, há paz interior, há paz exterior.

É preciso saber viver

montanhapor Elizianne Santos

A vida espiritual precisa ser um torrencial de altos e baixos? Se quisermos que nossa jornada espiritual seja como um sonho dourado é preciso saber viver, e isso depende exclusivamente de cada um. Os nossos pensamentos e escolhas possuem papel fundamental.

Onde está a chave para o equilíbrio? Como saber viver?

As respostas cada um encontrarão dentro de si mesmos seja através da meditação ou oração.  Abaixo, alguns poemas de Sri Chinmoy que nos faz refletir um pouco sobre o tema:

 


 

Como viver num mundo como este?

 

Como viver num mundo como este?
Como? Apenas sorria
Eis que o tigre-desconfiança-mundo está morto.

Como viver num mundo como este?
Como? Apenas sorria
Eis que o elefante-cegueira-mundo está morto.

Como viver num mundo como este?
Como? Apenas sorria
Eis que o leão-autocracia-mundo está morto.

Como viver num mundo como este?
Seu tolo!
Você não sabe que você é
A própria raiz do mundo-misérias,
Das calamidades mundiais,
Dos fracassos mundiais?

 

Sri Chinmoy, The Wings of Light, part 3 – Agni Press, 1974

 

 

 

Uma meditação verdadeira
Nos ensina como viver
Sem qualquer expectativa

 

Sri Chinmoy, Seventy-Seven Thousand Service-Trees, Part 9, Agni Press, 1998

 

 

Se você sabe
Como amar a Criação de Deus
Deus irá ensiná-lo
Como viver exatamente do jeito que ele vive

Em sua Satisfação-Deleite.

Sri Chinmoy, Twenty-Seven Thousand Aspiration-Plants, Part 50, Agni Press, 1984

 

 

 

 

 

 

 

Voltar para a Verdade

É viver em paz
Sri Chinmoy, Seventy-Seven Thousand Service-Trees, Part 44, Agni Press, 2005

 

 

 

Deus vive

Para dar-lhe tudo.

Deus não sabe

E não saberá

Como desistir.

 

Sri Chinmoy, Twenty-Seven Thousand Aspiration-Plants, Part 61, Agni Press, 1984

 

 

 

Se eu sempre tivesse vivido

No coração,

Meu coração teria conhecido

Como satisfazer Deus

O tempo todo.

 

Sri Chinmoy, Seventy-Seven Thousand Service-Trees, Part 28, Agni Press, 2002

 

Conceitos espirituais em quadrinhos – para crianças e adultos

por Patanga Cordeiro, com a obra de Bill Waterson

Conceitos morais e espirituais em quadrinhos para crianças e adultos

Eu estava lendo o livro com a famoso quadrinho “Calvin e Haroldo”. O livro é muito divertido, se não pelas marotices do Calvin, então pela sabedoria sutil e graça com a vida do dia a dia.

Resolvi separar alguns trechos do livro que compramos, “Tem alguma coisa babando embaixo da cama”, e o comentário e direcionamento deste texto será os cabeçalhos, que eu mesmo fiz e indicam uma possível moral espiritual para nós. É uma forma de reflexão individual.

Há muitos aspectos que eu gostaria de incluir aqui, mas não achei tirinhas que pudessem ilustrá-los. Então, o tom aqui ficou um pouco monocromático, mais voltado para a efemeridade das coisas externas. Peço desculpas por isso. Lembrem que a espiritualidade é mais que isso: é a permanência e satisfação da alma no seu coração aspirante.

 

Manter a imagem exterior e o sentimento de vazio

espiritualidade em quadrinhos

O que significa ter consciência de si

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Esforço pessoal é dispensável

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Prazer e satisfação exterior é insatisfação e não dura

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Não sabemos, mas fingimos saber

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Relacionamentos: o amor verdadeiro

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Instrumentos inadequados para o nosso objetivo e busca – até quando?

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A busca por mais e mais posses materiais

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Negamos a realidade bem diante do nosso nariz – uma defesa do ego

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Posso acalentar a imperfeição agora, pois um dia ela irá me deixar em paz e serei feliz de verdade… ou não?

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Queremos ser felizes?

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Relacionamentos: amor incondicional parte 2

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Prefiro viver num mundo irreal

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