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Livro Bhagavad Gita – capítulo 8 – O Infinito Imperecível

 

Brahman é o Infinito Imperecível. Outro nome para Brahman é Aum. Aum é o Criador. Aum é a Criação. Aum está na Criação. O Aum está além da Criação.

Este capítulo começa com uma saraivada de perguntas muito significativas. Brahman, Adhyatma, Karma, Adhibhuta, Adhidaiva, Adhiyajña – o que são? O Senhor responde: “Brahman é o Absoluto Imperecível. Adhyatma é o auto-revelador Conhecimento da Natureza primeva de Brahman. Karma é o nascimento da atividade, normal e natural. Adhibhuta é a manifestação material perecível. Adhidhaiva é o conhecimento daqueles que são Reluzentes. Adhiyajña é o sacrifício que Eu faço para unir a manifestação de formas finitas com a Minha Vida infinita.” (8.3-4)

Krishna afirma que a auto-realização ou a realização da Imortalidade devem ser alcançadas durante a vida, no corpo, e em nenhum outro lugar. Assim como cada ser humano cria limitações, imperfeições e amarras, ele também é capaz de transcendê-las. Ele por fim entrará nos planos de Plenitude, Perfeição e Liberdade.

Nossa existência é o resultado de uma existência anterior. Este nosso mundo é o resultado de um mundo que existiu antes. Tudo evolui. A essência da evolução é um movimento interior e exterior. Esse movimento ou mudança acontece até mesmo no mundo de Brahma[1]. Mesmo após alcançar o mundo de Brahma, não há fuga das armadilhas do nascimento. Falando a verdade, nossos dias e noites terrenos nada são, senão um infinitesimal segundo, se comparados com os dias e noites de Brahma. Mil eras vivem num único dia de Brahma, e mil eras vivem em uma única noite de Brahma.

De nada adianta tomar refúgio em nossos dias e noites terrenos, pois são efêmeros. De nada adianta tomar refúgio nos dias e noites de Brahma, pois também eles não são eternos. Devemos e precisamos tomar refúgio apenas no Eterno Coração do Senhor Krishna, que é o nosso abrigo mais seguro, onde o dia não é necessário, e nem a noite, pois Seu coração é a Luz da Infinidade e a Vida da Eternidade. De nada mais precisamos, salvo a devoção. Nossa escolha suprema é a devoção. Nosso coração de devoção responde ao Seu Coração de Amor. Diz Ele: “Apenas a devoção invariável possui o direto e livre acesso à Minha Vida imortal, Minha Verdade absoluta.” (8.22)

O que está no interior cedo ou tarde se manifestará no exterior. O possuidor de pensamentos divinos também será o agente de ações divinas. Apenas para um homem dedicado e aspirante é possível pensar em Deus conscientemente enquanto estiver deixando o mundo terreno.

Krishna nos diz como um yogi entra no Derradeiro após deixar seu envoltório mortal. “Seus sentidos estão sob controle. Sua mente está colocada no coração, e ele medita em Mim. AUM ele canta devotadamente. Ele abandona o Prana, o alento-vida, e entra na realização última em Mim.” (8.12-13)

A madame H.P. Blavatsky, fundadora da Teosofia, mencionou Aum de uma maneira muito simples e significativa. Ela disse que “Aum significa boas ações, e não apenas um som dos lábios. Você deve dizê-lo em ações.” Para saber o que o Aum é e o que ele representa, é recomendado estudar os Upanishads que falam sobre Aum. O Mandukya Upanishad nos oferece o significado de Aum explicitamente.

O significado do Aum pode ser descoberto através de livros. Mas o conhecimento do Aum nunca pode ser obtido através do estudo dos livros. Ele deve ser conquistado vivendo-se uma vida interior, uma vida de aspiração, que transportará o aspirante aos níveis mais elevados de consciência. A maneira mais fácil e mais efetiva para subir alto, mais alto, altíssimo, é carregar-se de amor puro e devoção genuína. Dúvida, medo, frustração, limitação e imperfeição estão destinadas a se entregar ao amor devotado e à devoção entregue. O amor e a devoção têm o poder de possuir o mundo e serem possuídos pelo mundo. Ame a manifestação de Deus; você descobrirá que a criação cósmica é sua. Devote-se à causa da manifestação cósmica; você verá que ela o ama e o considera como parte de si.

É verdade que o conhecimento pode lhe trazer o que o amor e a devoção oferecem. Mas, muitas vezes, o conhecimento não é nutrido por amor à verdade, e sim pela satisfação dos desejos. É infrutífera a busca de conhecimento quando o desejo está por detrás dela. Quando o aspirante é todo amor e devoção, ele voa alto.

Durante o percurso de sua jornada, ele canta:

 

Não mais meu coração irá chorar ou se entristecer.

Meus dias e noites se dissolvem na própria Luz de Deus.

Acima da labuta da vida, minha alma

É um Pássaro de Fogo voando no Infinito.

 

Ao fim da sua jornada, ele canta:

 

Conheci o Uno e Seu Jogo secreto

E fui além do mar do Sonho-Ignorância.

Em ressonância com Ele, eu brinco e canto;

Possuo o Olho dourado do Supremo.

 

Ele agora se tornou sua própria Meta. Auto-amoroso, ele canta:

 

Profundamente embriagado com a Imortalidade,

Sou a raiz e os ramos de uma vastidão imensa.

Minha Forma eu conheci e realizei;

O Supremo e eu somos um – a tudo sobrevivemos.

 

– Sri Chinmoy, “Revelation”, My Flute, New York, 1972

[1] * O deus pessoal Brahma (masculino) não deve ser confundido com o Absoluto impessoal Brahma(n) (neutro). Por conta disso, muitos autores usam a palavra Brahma no nominativo e Brahman como forma-raiz (como Sri Chinmoy faz neste livro), pois dessa forma os dois nomes ou princípios são possíveis de distinção sem uma transliteração erudita exata.

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